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Reciclagem química vira alvo após violações em usina de plástico nos EUA

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Uma usina de reciclagem química de resíduos plásticos da Freepoint Eco-Systems, perto de Hebron, no estado de Ohio, passou a enfrentar oposição depois de registrar emissões de fumaça preta, reclamações de moradores e notificações por violação ambiental, enquanto a empresa defende a instalação de uma segunda unidade em Eloy, no Arizona. O caso ganhou repercussão porque a operação em Ohio começou em 2024 e, desde então, acumulou questionamentos sobre segurança e controle de poluição, em um momento em que a companhia tenta expandir sua atuação nos Estados Unidos. De acordo com informações da Inside Climate News, reguladores estaduais abriram um processo de fiscalização após a notificação mais recente, emitida em dezembro.

Segundo a reportagem, a usina em Ohio acionou seus fornos de processamento pela primeira vez em 2024. Desde então, houve múltiplas queixas de cidadãos sobre emissões com fuligem, incluindo nuvens de fumaça preta e chamas. De acordo com a Agência de Proteção Ambiental de Ohio, operadores da planta desviaram dezenas de vezes os controles normais de poluição para ventilar gases por meio de flare após falhas no processo industrial, incluindo desligamentos de emergência. A base de dados do órgão aponta quatro notificações de violação contra a empresa.

Por que a operação em Ohio virou alerta para o projeto no Arizona?

Para críticos do projeto, o histórico da planta em Ohio deveria servir de sinal de alerta para as autoridades responsáveis pelo licenciamento da unidade planejada em Eloy, cidade situada a cerca de 60 milhas ao sul de Phoenix, na Interestadual 10. Kevin Greene, especialista em prevenção da poluição e ex-servidor da Agência de Proteção Ambiental de Illinois, afirmou que os problemas operacionais e o desempenho do setor merecem revisão antes de qualquer avanço.

“How about a six-month pause on this project while they investigate what’s going on in Hebron and take another look at the industry in general?”

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A preocupação chegou também ao poder público local. A vereadora de Eloy Josephine “JoAnne” Galindo disse estar suficientemente preocupada para querer integrar uma possível comitiva da cidade a Ohio, com o objetivo de visitar a instalação da Freepoint e conversar com autoridades locais e representantes da empresa.

“I would want to know more. I’m always concerned about the safety of my community.”

O que a empresa disse sobre as críticas e a expansão?

Representantes da Freepoint recusaram pedido de entrevista sobre o desempenho ambiental da planta em Ohio e sobre o projeto no Arizona. Em nota escrita, a empresa informou que convidou autoridades do Arizona para visitar a unidade de Ohio e conhecer as operações. A companhia também declarou que está trabalhando com autoridades ambientais, de saúde ocupacional e com o corpo de bombeiros local para garantir conformidade com exigências de saúde, segurança e meio ambiente, além de ter implementado melhorias operacionais.

Em reuniões públicas realizadas em fevereiro no Arizona, porém, a própria empresa reconheceu que ainda enfrenta ajustes. Geof Storey, diretor de desenvolvimento da companhia, afirmou ao conselho de supervisores do condado de Pinal que o projeto no Arizona só será construído se a primeira unidade funcionar. Ao conselho municipal de Eloy, acrescentou:

“We are still working out some of the kinks.”

A unidade de Ohio fica a cerca de 30 milhas a leste de Columbus, perto da Interestadual 70, e foi projetada para processar até 175 milhões de libras de resíduos plásticos por ano. O material é obtido de empresas de embalagens plásticas e programas comunitários de reciclagem em diferentes partes da região, inclusive de Louisville, no Kentucky.

Qual é a dimensão do projeto planejado para Eloy?

A Freepoint Eco-Systems, subsidiária da Freepoint Commodities, projeta pelo menos meia dúzia de instalações nos Estados Unidos, segundo Storey. A unidade de Eloy receberia resíduos plásticos de estados como Califórnia e Colorado, além de Phoenix e Tucson. Uma apresentação em PowerPoint da empresa, citada pela reportagem, afirma que a capacidade da futura planta seria mais que o dobro da instalada em Ohio.

Rita O’Connell, organizadora nacional do grupo ambiental Beyond Plastics, avaliou que isso tornaria a unidade de Eloy uma das maiores do mundo. Ela observou, no entanto, que a própria apresentação da empresa traz uma ressalva segundo a qual não há garantia de que as informações usadas na preparação do material se confirmem ou de que as projeções sejam alcançadas.

Como funciona a chamada reciclagem química e quais são as críticas?

A reportagem afirma que o setor promove há anos a reciclagem química de plásticos, muitas vezes sob o termo “reciclagem avançada”, como resposta para a crise global do lixo plástico. Em geral, esse processo envolve a pirólise, tecnologia que decompõe materiais em temperaturas muito altas e sem oxigênio. Empresas de petróleo e startups vêm tentando desenvolver a técnica como alternativa para reciclar diferentes tipos de resíduos plásticos.

Críticos, porém, contestam a eficácia desse modelo. Entre os principais questionamentos estão o baixo volume de plástico efetivamente transformado em nova matéria-prima e a avaliação de grupos ambientais de que o processo se aproxima da incineração. A reportagem cita ainda uma ação judicial apresentada em 2024 pelo procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, contra uma operação de reciclagem química baseada em pirólise da ExxonMobil em Baytown, perto de Houston. No processo, ainda pendente, Bonta alegou que não mais que 8 por cento do plástico recebido pela planta é convertido em insumos para novo plástico.

  • A planta de Ohio começou a operar em 2024.
  • A empresa recebeu quatro notificações de violação, segundo base da Agência de Proteção Ambiental de Ohio.
  • Moradores relataram fumaça preta, fuligem e chamas.
  • O projeto de Eloy teria capacidade superior ao dobro da unidade de Ohio.

O debate em torno da Freepoint ocorre em meio a uma disputa mais ampla sobre o papel da reciclagem química na gestão de resíduos plásticos. De um lado, empresas apresentam a tecnologia como alternativa industrial para lidar com materiais mistos e de difícil reaproveitamento. De outro, moradores, autoridades locais e grupos ambientais questionam os impactos ambientais, a eficiência real do processo e a conveniência de autorizar novas plantas antes da resolução dos problemas já registrados.

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