Um apagão global da Starlink em agosto de 2025 interrompeu testes da Marinha dos Estados Unidos com embarcações de superfície não tripuladas na costa da Califórnia, segundo documentos internos obtidos pela Reuters e reproduzidos pelo Olhar Digital em 16 de abril de 2026. Durante o episódio, cerca de duas dezenas de USVs ficaram à deriva por quase uma hora, depois que operadores perderam a comunicação com os sistemas autônomos. De acordo com informações do Olhar Digital, com base em reportagem da Reuters, o caso expôs a dependência crescente das Forças Armadas dos EUA da rede de satélites da empresa de Elon Musk.
Os testes faziam parte de iniciativas voltadas a ampliar as opções militares dos Estados Unidos em um eventual conflito com a China. Sem conexão com a rede da SpaceX, os controladores ficaram impossibilitados de se comunicar com os barcos autônomos, o que, segundo os documentos citados, evidenciou uma fragilidade operacional em uma infraestrutura que se tornou central para o governo norte-americano.
O que os documentos apontam sobre as falhas da Starlink?
Além do apagão de agosto de 2025, relatórios de segurança da Marinha datados de abril do mesmo ano já registravam dificuldades da Starlink em manter conexão estável durante testes com múltiplos drones e embarcações ao mesmo tempo. O problema, segundo a Reuters, apareceu em cenários de uso intensivo de dados, quando vários sistemas eram operados simultaneamente.
Os documentos mencionados afirmam que a dependência da rede expôs limitações sob carga de múltiplos veículos. No material original reproduzido pela reportagem, há a seguinte formulação:
“dependência da Starlink expôs limitações sob carga de múltiplos veículos”
Esse trecho foi usado para resumir a avaliação interna sobre o desempenho da rede em ambientes de teste mais exigentes. O relato sugere que o gargalo não se limitou a um evento isolado, mas já havia sido observado em avaliações anteriores da Marinha.
Por que a dependência da SpaceX causa preocupação?
A divulgação ocorre em um momento sensível para a SpaceX, descrita no texto como empresa com posição dominante em lançamentos espaciais e comunicações via satélite em órbita baixa. Segundo a reportagem, especialistas e parlamentares democratas têm alertado o Pentágono sobre os riscos de concentrar capacidades críticas de segurança nacional em uma única companhia.
Entre os pontos de preocupação citados no texto estão episódios e suspeitas relacionados ao uso da Starlink em áreas de tensão geopolítica. Os exemplos mencionados incluem:
- o episódio em que Elon Musk desligou o acesso à Starlink para tropas ucranianas durante uma ofensiva contra a Rússia;
- preocupações envolvendo Taiwan, onde, segundo a agência, haveria temor de retenção de comunicações para militares dos EUA na região.
Esses fatores são apresentados como parte do debate sobre o grau de influência de uma empresa privada sobre sistemas considerados estratégicos para operações militares e de defesa.
Por que o Pentágono ainda mantém aposta na Starlink?
Apesar das falhas relatadas e das controvérsias geopolíticas, especialistas em guerra autônoma ouvidos no contexto da reportagem afirmam que os benefícios da Starlink ainda superam os riscos. O sistema é descrito como mais barato, amplamente disponível e apoiado em uma rede de quase 10.000 satélites, o que ampliaria sua resiliência diante de ataques em comparação com sistemas tradicionais de comunicação.
O texto também destaca que concorrentes ainda tentam reduzir a vantagem da SpaceX. A Amazon é citada como nova participante nessa disputa, por meio de um acordo de US$ 11,6 bilhões para adquirir a fabricante de satélites Globalstar. Ainda assim, segundo a reportagem, a infraestrutura da SpaceX permanece anos à frente para dar suporte a programas de inteligência artificial e drones do Departamento de Defesa dos Estados Unidos.
Com isso, o caso relatado pela Reuters reforça um dilema para o setor militar norte-americano: ao mesmo tempo em que a Starlink oferece escala e capilaridade difíceis de substituir no curto prazo, sua centralidade também amplia o impacto de falhas técnicas e de decisões concentradas em um único fornecedor.