Borboletas no Reino Unido entram em declínio em mais da metade das espécies - Brasileira.News
Início Meio Ambiente Borboletas no Reino Unido entram em declínio em mais da metade das...

Borboletas no Reino Unido entram em declínio em mais da metade das espécies

0
6

Mais da metade das espécies nativas de borboletas do Reino Unido registrou queda desde 1976, segundo dados do UK Butterfly Monitoring Scheme, sistema de monitoramento que reúne observações científicas feitas em todo o território britânico. O levantamento mostra que, das 58 espécies nativas analisadas, 33 diminuíram e 25 cresceram em número ao longo de cerca de 50 anos. De acordo com informações do Guardian Environment, o quadro combina efeitos do aquecimento global, perda de habitat e poluição, com impactos diferentes entre espécies mais adaptáveis e aquelas que dependem de ambientes específicos.

Os dados citados na reportagem indicam que algumas espécies foram favorecidas pelo clima mais quente e avançaram para o norte da Grã-Bretanha. Entre elas estão a purple emperor, com alta de 136%, a red admiral, com 330%, e a comma, com 178%. Em contraste, espécies raras especializadas em determinados habitats, como áreas úmidas, bosques e campos floridos, sofreram retrações acentuadas.

Quais espécies tiveram as quedas mais fortes?

Entre os principais recuos apontados pelo monitoramento estão a high brown fritillary, com queda de 66%, a pearl-bordered fritillary, com 70%, e a white-letter hairstreak, com 80%. O texto atribui parte dessas perdas à degradação de habitats e à redução de práticas tradicionais de manejo florestal, como a talhadia, que ajudavam a manter bosques mais abertos, ensolarados e ricos em flores.

Richard Fox, chefe de ciência da Butterfly Conservation, afirmou que os dados não confirmam um cenário de colapso absoluto dos insetos, mas apontam um declínio claro das borboletas no país, sobretudo entre as espécies especialistas em habitat.

— Publicidade —
Google AdSense • Slot in-article

“It’s not the insect Armageddon picture that was put forward a few years back,” said Richard Fox, the head of science at Butterfly Conservation. “But the data show very clearly that butterflies have declined in the UK over the last 50 years, and in particular habitat specialist butterflies have declined.”

Como clima e poluição afetam essas populações?

Segundo Fox, a perda de habitat e a poluição estão entre os principais motores do declínio, enquanto o aquecimento global age muitas vezes de forma indireta. A reportagem cita os casos da wall brown e da grayling, espécies de áreas campestres que podem estar desaparecendo porque a combinação de temperaturas mais altas e poluição por nitrogênio, associada principalmente a veículos, favorece o crescimento de gramíneas mais altas. Isso tornaria o ambiente mais frio para algumas lagartas se desenvolverem.

“The rain is now dilute fertiliser and that’s raining down on our plant communities and causing them to change,” Fox said. “Changes in the composition, structure and even chemical makeup of plants is bound to have knock-on effects on specialist herbivores like our butterfly caterpillars.”

A avaliação apresentada no texto é que as mudanças não se resumem ao número total de insetos, mas também à perda de diversidade. Espécies mais generalistas conseguem se adaptar melhor, enquanto as que dependem de plantas e condições muito específicas ficam mais vulneráveis.

Há exemplos de recuperação com ações de conservação?

Sim. O conjunto de dados de 50 anos do UK Butterfly Monitoring Scheme, operado em parceria por Butterfly Conservation, UK Centre for Ecology & Hydrology, British Trust for Ornithology e Joint Nature Conservation Committee, também aponta resultados positivos em algumas espécies. O maior avanço foi o da large blue, declarada extinta na Grã-Bretanha em 1979 e reintroduzida em áreas de pastagem manejadas em Somerset. Desde 1983, sua população aumentou 1.866%.

Outras espécies raras também cresceram com medidas de conservação, como a silver-spotted skipper, com alta de 300%, e a black hairstreak, com 844%. Para Fox, os conservacionistas já conhecem quais práticas de manejo podem ampliar as populações em queda, mas seria necessário aplicar essas ações em escala maior.

  • 58 espécies nativas foram registradas no levantamento
  • 33 espécies apresentaram declínio desde 1976
  • 25 espécies aumentaram no período
  • Mais de 44 milhões de registros foram coletados cientificamente
  • Voluntários percorreram mais de 1,5 milhão de quilômetros em monitoramento

O que os dados revelam sobre o cenário recente?

Os resultados para 2025 mostraram que, embora a Grã-Bretanha tenha vivido seu ano mais ensolarado já registrado, esse foi apenas o 20º melhor ano para borboletas desde 1976. Nenhuma espécie teve seu melhor desempenho histórico. Para pesquisadores citados na reportagem, isso reforça que alterações ambientais amplas continuam afetando a composição dessas populações.

O professor Chris Thomas, diretor do Leverhulme Centre for Anthropocene Biodiversity, da University of York, e sem ligação com o UKBMS, afirmou que o sistema de monitoramento é excepcional e permitiu dimensionar a transformação ocorrida ao longo das últimas décadas. O balanço geral descrito no levantamento é de mudança profunda na diversidade de borboletas britânicas, com perdas concentradas entre espécies mais sensíveis ao estado dos habitats.

DEIXE UM COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here