A Câmara dos Deputados elegeu na noite de terça-feira, 14 de abril de 2026, o deputado federal Odair Cunha (PT-MG) para a vaga de ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), em Brasília, por meio de votação secreta e nominal. O parlamentar recebeu 303 votos, em uma sessão com presença de 456 deputados, e substituirá Aroldo Cedraz, que se aposentou. De acordo com informações da Revista Fórum, a escolha ocorreu após articulações partidárias no plenário e representou um revés para a estratégia defendida pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Segundo o relato publicado, a movimentação do PL para tentar barrar o nome apoiado por partidos alinhados ao governo não se confirmou na votação. Odair Cunha reuniu apoio do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e de uma coalizão formada por MDB, PT, PDT, PCdoB, PSB e Republicanos. A indicação do deputado agora será encaminhada ao Senado, onde também deverá passar por votação secreta.
Como foi a disputa pela vaga no TCU?
A disputa ganhou peso político porque, de acordo com o texto original, Flávio Bolsonaro atuou para tentar impedir a vitória do deputado petista. Na quarta-feira, oito de abril, o senador deixou de apoiar a candidatura do deputado Hélio Lopes (RJ) e passou a defender o nome da deputada Soraya Santos (PL-RJ) para o cargo.
Ao anunciar esse apoio, Flávio Bolsonaro afirmou:
“Meu apoio é para Soraya Santos, por ser mulher, qualificada, preparada e com boa articulação política para conseguir esta vaga da Câmara. Incomoda todo mundo que entre os membros atuais do TCU não há sequer uma mulher”
Mas, ainda segundo a publicação, a orientação mudou antes da votação final. Na terça-feira, Flávio Bolsonaro passou a atuar para que Soraya Santos desistisse da candidatura em favor de Elmar Nascimento (União-BA). Antes disso, Adriana Ventura (Novo-SP), que também disputava a vaga, havia retirado seu nome para apoiar a deputada do PL.
Qual foi o resultado da votação?
Na apuração final, Odair Cunha venceu com ampla vantagem. O segundo colocado, Elmar Nascimento, obteve 96 votos, bem abaixo do total recebido pelo candidato eleito. Os demais concorrentes ficaram com votação menor.
- Odair Cunha (PT-MG): 303 votos
- Elmar Nascimento (União-BA): 96 votos
- Danilo Forte (PP-CE): 27 votos
- Hugo Leal (PSD-RJ): 20 votos
- Gilson Daniel (Pode-ES): 6 votos
O placar consolidou a vitória do nome apoiado por uma frente partidária mais ampla dentro da Câmara e frustrou a tentativa de reorganização de votos em torno de outro candidato. A votação foi secreta e nominal, conforme o rito adotado pela Casa para esse tipo de escolha.
Houve reação política após o resultado?
Após a definição da vitória de Odair Cunha, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro criticou publicamente a retirada da candidatura de Soraya Santos. Segundo a reportagem, Michelle, que preside o PL Mulher e foi uma das articuladoras do nome da deputada, fez uma publicação nas redes sociais em apoio à parlamentar.
“Soraya, o TCU seria muito melhor com você lá. Triste dia”
A manifestação expôs divergências em torno da condução da disputa pela vaga e reforçou a dimensão política do resultado dentro do campo bolsonarista e também na relação entre oposição e base governista na Câmara.
Quem é Odair Cunha?
Odair Cunha é advogado e está em seu sexto mandato consecutivo como deputado federal. De acordo com o texto de origem, ele foi líder da federação PT-PV-PCdoB em 2024 e participou da formulação de propostas que se tornaram lei.
Entre os pontos citados na reportagem estão a autoria de projetos convertidos em norma e a relatoria de propostas transformadas em lei, como a que criou o Bolsa Família, identificada no texto como Lei 10.836/04, e a da Empresa Individual de Responsabilidade Limitada, a Eireli, Lei 12.441/11. Também foi mencionada sua atuação como relator da CPMI do Cachoeira, em 2012.
A escolha de Odair Cunha para o TCU encerra a etapa de votação na Câmara, mas o processo ainda depende da análise do Senado. Com isso, a definição do novo ministro avança após uma disputa marcada por rearranjos partidários, desistências de candidaturas e críticas públicas entre aliados do campo oposicionista.