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Guerra no Irã pode provocar recessão global e crise energética, alertam FMI e AIE

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A guerra entre Irã e Estados Unidos, que se aproximava da sétima semana em 14 de abril de 2026, levou o Fundo Monetário Internacional e a Agência Internacional de Energia a alertarem para o risco de recessão global, inflação mais alta e desabastecimento de insumos estratégicos. O cenário se agravou após o cessar-fogo anunciado em 8 de abril perder força e os EUA implementarem, na segunda-feira, um bloqueio a navios que entram ou saem de portos iranianos, com impacto direto sobre o Estreito de Ormuz, área central para o fluxo mundial de hidrocarbonetos.

De acordo com informações da Inside Climate News, os relatórios das duas instituições foram divulgados na terça-feira, no início das reuniões de primavera do FMI e do Banco Mundial, em Washington. Antes da guerra, o FMI previa crescimento da economia global, impulsionado em parte pelo avanço da inteligência artificial e por um leve alívio nas tensões comerciais.

Por que FMI e AIE veem risco para a economia mundial?

No relatório World Economic Outlook, o economista-chefe do FMI, Pierre-Olivier Gourinchas, afirmou que a guerra no Oriente Médio pode sobrepor os fatores que sustentavam a atividade econômica. Segundo o documento, ataques continuados à infraestrutura energética crítica e um fechamento prolongado do Estreito de Ormuz ampliam a possibilidade de recessão global e de aceleração da inflação.

“The closure of the Strait of Hormuz and serious damage to critical production facilities in a region central to global hydrocarbon supply could cause an energy crisis on an unprecedented scale,” Gourinchas wrote.

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A Agência Internacional de Energia informou, também em relatório divulgado na terça-feira, que a guerra resultou em uma queda global de oferta de petróleo de 10 milhões de barris por dia. O documento acrescenta que os preços do petróleo registraram em março a maior alta mensal já observada, de acordo com a reportagem.

Quais danos ao setor de energia já foram apontados?

Em evento realizado na segunda-feira pelo Atlantic Council, o diretor-executivo da AIE, Fatih Birol, classificou a situação como a maior ameaça à segurança energética da história. Segundo ele, mais de 80 instalações de hidrocarbonetos no Oriente Médio, entre campos de petróleo e gás, refinarias e terminais, sofreram danos durante o conflito entre Irã, Estados Unidos e Israel, sendo mais de um terço com danos graves.

“This is the greatest energy security threat in … history,” Fatih Birol, executive director of the International Energy Agency, said Monday.

Birol afirmou ainda que os reparos podem levar até dois anos. Na avaliação dele, assim como as crises do petróleo da década de 1970 estimularam diversificação energética, o atual conflito pode acelerar investimentos em energias renováveis, energia nuclear e veículos elétricos. Ele também disse que a geração elétrica a carvão pode ser beneficiada nesse contexto.

Quais efeitos podem ir além do petróleo e do gás?

Em declaração conjunta, líderes da AIE, do FMI e do Banco Mundial afirmaram que o impacto da guerra é substancial, global e assimétrico, atingindo de forma desproporcional os países importadores de energia, especialmente os de baixa renda. O texto aponta alta nos preços de petróleo, gás e fertilizantes, além de preocupações com segurança alimentar e perda de empregos.

“The impact of the war is substantial, global, and highly asymmetric, disproportionately affecting energy importers, in particular low-income countries,” a joint statement by leaders of the IEA, IMF and World Bank said.

Os três organismos reiteraram a promessa feita no início do mês de atuar em conjunto para oferecer orientação de política econômica e apoio financeiro aos países afetados. Em carta enviada a Birol neste mês, 16 especialistas em segurança energética pediram que a AIE oriente governos sobre como reduzir a exposição aos mercados de petróleo e gás, em linha com medidas adotadas após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022.

  • Risco de recessão global e inflação mais alta
  • Queda de 10 milhões de barris por dia na oferta global de petróleo
  • Danos em mais de 80 instalações de hidrocarbonetos
  • Possível escassez de fertilizantes e hélio
  • Impacto mais severo sobre países importadores de energia

O bloqueio no Estreito de Ormuz pode afetar outras cadeias produtivas?

Segundo Robert Pape, professor de ciência política da Universidade de Chicago e diretor do Chicago Project on Security and Threats, o fechamento do Estreito de Ormuz pode rapidamente gerar falta de suprimentos que vai muito além de petróleo e gás. A reportagem destaca que o abastecimento global de fertilizantes e hélio, ambos fortemente ligados ao gás natural, já foi prejudicado.

No mesmo dia, ao participar de um evento do Institute of International Finance, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, não mencionou a guerra no Irã. De acordo com a reportagem, ele rejeitou a ideia de que as sociedades devam se afastar dos combustíveis fósseis e manifestou apoio ao que vê como uma mudança no Banco Mundial e no FMI para longe de políticas voltadas ao clima.

O conjunto dos alertas mostra que, para as principais instituições globais de finanças e energia, a continuidade do conflito pode produzir efeitos econômicos amplos, com repercussões sobre preços, emprego, segurança alimentar e fornecimento de insumos essenciais em várias regiões do mundo.

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