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Escala 6 x 1: CNI envia carta ao Congresso contra mudança na jornada

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A Confederação Nacional da Indústria (CNI) enviou na segunda-feira, 13 de abril de 2026, um manifesto ao Congresso Nacional pedindo que parlamentares rejeitem propostas de mudança na atual escala 6 x 1. O documento foi encaminhado em meio à previsão de que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantenha o envio de um projeto de lei com urgência constitucional para limitar a jornada a 40 horas semanais, com manutenção dos salários e dois dias de descanso, sem regras de transição. Segundo a entidade, a alteração pode afetar competitividade, emprego formal, produtividade e preços ao consumidor.

De acordo com informações do Poder360, o manifesto foi assinado em conjunto pela CNI, pela Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs) e por mais de 800 entidades representativas do setor produtivo. A confederação afirma que o tema não deveria avançar sem debate técnico qualificado e sem análise dos impactos econômicos e sociais.

O que a CNI argumenta contra a mudança na escala 6 x 1?

No documento enviado aos congressistas, a CNI sustenta que a redução da jornada para 40 horas semanais, com preservação dos salários, elevaria os custos com empregados formais na economia entre R$ 178,2 bilhões e R$ 267,2 bilhões por ano. Para a indústria, o impacto estimado seria de R$ 88 bilhões anuais, segundo os cálculos citados pela entidade.

A confederação também afirma que os preços ao consumidor tenderiam a subir em média 6,2%, enquanto as compras de supermercado poderiam ficar 5,7% mais caras. A avaliação apresentada pela entidade é de que os efeitos seriam mais severos para empresas de menor porte e para setores intensivos em mão de obra, como os segmentos têxtil e de panificação.

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Quais trechos da carta foram destacados pela entidade?

A carta enviada aos parlamentares apresenta a preocupação da indústria com uma eventual votação em regime de urgência. Em um dos trechos reproduzidos pelo texto original, a entidade afirma:

“A Confederação Nacional da Indústria (CNI) manifesta preocupação com a possibilidade de o Congresso Nacional decidir, em regime de urgência, propostas de mudanças na jornada de trabalho. Uma eventual redução da escala de trabalho terá impacto direto na competitividade do país, nos empregos formais e na produtividade das empresas brasileiras.”

Em outro trecho, a confederação diz que a discussão exige análise técnica, transição e relação com ganhos de produtividade:

“A indústria brasileira reconhece a importância do aperfeiçoamento das relações de trabalho, mas entende que mudanças dessa dimensão não devem ser feitas sem análise técnica consistente, transição adequada e vínculo com ganhos reais de produtividade. Sem isso, a tendência é de aumento de custos, pressão sobre preços, desestímulo a investimentos e ampliação da informalidade.”

Quais impactos regionais e setoriais foram citados no manifesto?

O texto menciona estimativas de impacto por região, apresentadas pela CNI, caso a jornada seja reduzida nas condições descritas pela entidade. Os valores citados no manifesto são os seguintes:

  • R$ 11,5 bilhões no Norte
  • R$ 34,3 bilhões no Nordeste
  • R$ 22,7 bilhões no Centro-Oeste
  • R$ 142 bilhões no Sudeste
  • R$ 54,7 bilhões no Sul

A carta também destaca que a preocupação seria mais sensível em atividades com forte presença de pequenas empresas. O documento cita, entre os exemplos, a indústria têxtil e a panificação, apontando menor margem para absorver aumentos abruptos e generalizados no custo do trabalho.

Quem assinou o manifesto enviado ao Congresso?

Segundo a publicação, o manifesto foi assinado pela CNI, pela Fiergs e por mais de 800 entidades representativas. O texto reproduz ainda uma lista de instituições que subscreveram o documento no Rio Grande do Sul, incluindo associações e sindicatos ligados a setores como móveis, calçados, carnes, laticínios, mineração, arroz, trigo, vinho e indústria gráfica.

Ao final, a mensagem da entidade aos parlamentares é para que a matéria não seja deliberada sem considerar a realidade econômica do país, os possíveis efeitos sobre investimentos, emprego formal e informalidade, além da necessidade de uma transição adequada caso haja mudança nas regras da jornada de trabalho.

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