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Diesel mais caro amplia custo da crise do petróleo e pesa na economia dos EUA

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A alta do diesel tem ampliado o impacto econômico da crise do petróleo nos Estados Unidos, em meio à guerra envolvendo Irã e ao fechamento do Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial. Segundo dados citados no artigo, até 13 de abril os consumidores já haviam arcado com US$ 19 bilhões em custos adicionais com combustíveis, dos quais US$ 9,4 bilhões vieram do diesel. De acordo com informações da Grist, com base em pesquisadores da Brown University, esse avanço afeta não apenas motoristas, mas também cadeias de transporte, agricultura, ferrovias e construção.

O texto aponta que, embora a atenção pública se concentre com frequência no preço da gasolina, o diesel subiu ainda mais rapidamente desde o início da guerra, em 28 de fevereiro. A ferramenta criada por pesquisadores da Brown University indica que o preço do diesel avançou 54%, enquanto a gasolina subiu 38% no mesmo período. Como o diesel está presente em operações comerciais essenciais, o encarecimento acaba sendo repassado ao consumidor final em diversos produtos e serviços.

Por que a alta do diesel tem efeito tão amplo na economia?

O diesel é descrito na reportagem como um combustível central para o funcionamento da economia. Ele abastece caminhões, trens, máquinas agrícolas e equipamentos de construção, o que significa que grande parte dos bens consumidos no país passa, em algum momento, pela cadeia logística dependente desse insumo.

Jeff Colgan, cientista político da Brown University, afirmou que o consumidor pode estar sentindo os efeitos sem perceber diretamente.

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“You’re probably feeling it in ways you don’t realize”

Patrick De Haan, chefe de análise de petróleo da GasBuddy, reforçou esse diagnóstico ao destacar o peso estrutural do combustível.

“Diesel is the fuel that powers the economy much more than gasoline does”

A reportagem também explica que cada barril de petróleo gera menos diesel do que gasolina, o que ajuda a entender por que o impacto foi proporcionalmente maior. Além disso, enquanto consumidores de gasolina podem reduzir deslocamentos em períodos de preço elevado, os setores que dependem de diesel têm menor margem para cortar consumo.

O que explica a disparada mais intensa do diesel?

Além da guerra e da tensão geopolítica no Oriente Médio, o momento do ano teria contribuído para a pressão sobre o diesel. O conflito começou logo após um inverno prolongado e rigoroso na Nova Inglaterra, região que concentra boa parte do consumo de óleo para aquecimento nos Estados Unidos.

Segundo a reportagem, óleo para aquecimento e diesel têm estruturas moleculares e conteúdo energético muito semelhantes. Por isso, o aumento do consumo no inverno já pressionava os preços de forma sazonal, e a guerra agravou esse movimento. De Haan resumiu esse efeito da seguinte maneira:

“Coming out of winter, heating oil consumption is elevated”

Ele acrescentou ainda:

“That usually impacts diesel as well.”

O artigo informa que houve uma tentativa de cessar-fogo de duas semanas para reabrir o Estreito de Ormuz, mas apenas poucas embarcações voltaram a cruzar a área. Depois do fracasso das negociações de paz, o presidente Donald Trump anunciou um bloqueio aos portos iranianos, medida que voltou a impulsionar o preço do petróleo.

Quem ganha e o que pode acontecer nos próximos meses?

Embora a alta dos combustíveis pese sobre consumidores e economias, a reportagem destaca que alguns produtores de petróleo ficaram em posição favorável. Colgan afirmou que os maiores beneficiários são os produtores que não ficaram limitados pelo Estreito de Ormuz, com destaque para Rússia e Estados Unidos.

O texto também menciona que o preço à vista do petróleo tem ficado acima do valor de referência mais citado, o Brent, o que sugeriria um mercado físico mais apertado do que o refletido nos contratos futuros. Em conferência no mês passado, o presidente-executivo da Chevron, Mike Wirth, disse:

“Physical prices and physical supplies would reflect a tighter market than I think the forward curve reflects”

Mesmo com uma eventual reabertura do estreito, a normalização não seria imediata. A reportagem afirma que pode levar meses para reparar estruturas de petróleo danificadas e para o mercado se reajustar. Também há incerteza sobre novos custos, como a possibilidade de o Irã cobrar taxas milionárias de navios-tanque, valor que poderia ser repassado aos clientes.

Ao mesmo tempo, a entrada no verão pode alterar a dinâmica entre os combustíveis. De Haan avalia que, com o fim do inverno e a chegada do período em que a gasolina costuma ficar mais cara, a diferença entre os preços do diesel e da gasolina tende a diminuir.

  • Custos adicionais totais com combustíveis até 13 de abril: US$ 19 bilhões
  • Parcela atribuída ao diesel: US$ 9,4 bilhões
  • Alta do diesel desde 28 de fevereiro: 54%
  • Alta da gasolina no mesmo período: 38%

Na avaliação apresentada pela reportagem, a escalada do diesel ajuda a explicar por que a crise do petróleo se espalha por toda a economia, indo muito além do abastecimento individual de veículos. Mesmo quem não compra diesel diretamente pode sentir seus efeitos no preço de mercadorias, fretes e atividades produtivas.

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