Venda da UPI fixa da Oi enfrenta impasse por dívida de R$ 33 milhões com a Hughes - Brasileira.News
Início Economia Venda da UPI fixa da Oi enfrenta impasse por dívida de R$...

Venda da UPI fixa da Oi enfrenta impasse por dívida de R$ 33 milhões com a Hughes

0
7
Rio de Janeiro - O diretor de operações da Oi, Rodrigo Abreu, fala à imprensa após a empresa ser alvo de investiação da Oper
Rio de Janeiro - O diretor de operações da Oi, Rodrigo Abreu, fala à imprensa após a empresa ser alvo de investiação da Operação Mapa da Mina, desdobramento da Lava Jato, deflagrada nesta terça-feira, na sede da empresa no Leblon. (Fernando Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil — EBC/Agência Brasil — CC BY 3.0 BR

O leilão das operações de telefonia fixa da Oi enfrenta um novo obstáculo no processo de recuperação e reestruturação da companhia. Além dos questionamentos regulatórios levantados pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), a transferência dos ativos da Unidade Produtiva Isolada (UPI) depende agora da aprovação formal de um de seus principais parceiros comerciais. A Hughes Telecomunicações do Brasil exige garantias contratuais e o pagamento de passivos acumulados para autorizar a continuidade das transmissões.

De acordo com informações da Teletime, a empresa de conectividade via satélite, amplamente conhecida no mercado de varejo pela marca HughesNet, é a fornecedora responsável por prover os meios tecnológicos para o atendimento de sete mil localidades espalhadas pelo país. Nessas regiões isoladas, não existe outra opção de rede de voz disponível, o que obriga a Oi a atuar na condição de provedora de último recurso, ou Carrier of Last Resort.

A manutenção desse serviço vital faz parte do termo de autocomposição celebrado diretamente com a Agência Nacional de Telecomunicações. A operação é considerada um dos pilares essenciais de prestação pública garantidos pela concessionária, possuindo o mesmo grau de importância que o funcionamento dos números de emergência de três dígitos.

Qual é a exigência da Hughes para liberar a venda da UPI?

O ponto central do embate jurídico reside nas regras estipuladas no acordo de prestação de serviços. Em uma manifestação oficial encaminhada à Sétima Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) no dia 26 de março, a fornecedora argumentou que as normas vigentes proíbem categoricamente a transferência da responsabilidade contratual a terceiros sem a sua anuência expressa.

— Publicidade —
Google AdSense • Slot in-article

Sendo assim, a operadora em recuperação não pode simplesmente repassar a infraestrutura para uma eventual nova compradora da unidade produtiva sem o consentimento da provedora espacial. Na última semana, a juíza Simone Chevrand analisou o caso, mas determinou que a petição seja submetida à avaliação criteriosa do administrador judicial responsável. Procurada pela reportagem de origem, a companhia parceira preferiu não comentar publicamente a tramitação processual.

Como a dívida milionária impacta a alienação das operações?

O cenário do leilão torna-se ainda mais delicado devido à disputa relacionada a um extenso passivo não pago. As exigências para a mudança de titularidade esbarram diretamente na inadimplência da operadora. Em junho de 2025, as partes chegaram a firmar um acordo para equalizar as contas, com a promessa de quitação total até o final daquele mesmo ano, o que não ocorreu.

Hoje, a empresa de satélites cobra uma dívida estipulada em R$ 33 milhões, valor que continua sendo contestado na Justiça. Enquanto o processo se desenrola, a fornecedora segue prestando o suporte para manter as antenas em operação nas áreas remotas sem receber os devidos repasses financeiros. Qualquer investidor interessado em assumir a unidade produtiva terá que lidar com essa pendência imediata.

Para ilustrar a dimensão do risco econômico envolvido, a estimativa oficial de arrecadação com a alienação integral da unidade de serviços fixos estabelece um valor mínimo de R$ 60 milhões.

Os principais fatores que travam a concretização da venda incluem:

  • A ausência de autorização formal para a transferência da gestão contratual dos satélites;
  • O acúmulo de uma dívida de R$ 33 milhões, que não foi quitada nos prazos estipulados;
  • O risco de apagão e descontinuidade operacional em mais de sete mil localidades isoladas.

Existe risco de interrupção nas áreas sem cobertura terrestre?

Na documentação anexada aos autos, a credora deixa claro que não possui a intenção inicial de desligar o sinal, mas espera que o passivo seja honrado pela nova responsável pelos serviços de provedora de último recurso. A organização ressalta, no entanto, que não detém viabilidade para continuar custeando toda a infraestrutura por conta própria.

A companhia afirma que tem financiado integralmente as operações de conectividade em virtude da profunda inadimplência da concessionária titular. O posicionamento jurídico é enfático quanto às consequências do calote:

“Não se nega que o serviço COLR (que deveria estar sendo prestado pela Oi, mas vem sendo arcado integralmente pela Hughes em razão do seu inadimplemento) tenha natureza essencial. É, aliás, justamente a essencialidade desse serviço que motiva a Hughes a perseguir de forma implacável nestes autos a determinação para que a Oi abandone a postura de inércia quanto ao cumprimento de suas obrigações e destine parte de seu caixa para arcar com os pagamentos devidos (sendo esta, como tantas vezes já se demonstrou, a única forma viável de assegurar a manutenção do serviço COLR).”

A empresa argumenta que a importância pública das comunicações não anula o direito de remuneração da parceira de negócios, conforme detalhado no complemento da petição judicial:

“Contudo, a essencialidade do serviço simplesmente não pode converter-se em um cheque em branco ad eternum para que a Hughes, credora, simplesmente passe a ser forçada a financiar a atividade da Oi, sua devedora.”

O texto processual conclui com um alerta direto. Sem o recebimento integral dos valores atrasados, a fornecedora reafirma ter o direito líquido e certo, respaldado no contrato, de interromper as atividades. Caso os custos operacionais não sejam pagos, o cenário resultará, fatalmente, no corte do atendimento de voz para as mais de sete mil localidades que hoje dependem exclusivamente dessa tecnologia de satélite.

DEIXE UM COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here