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Energia geotérmica avança na Alemanha com usina inovadora de circuito fechado

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A empresa canadense Eavor iniciou, em 1º de abril de 2026, a produção de eletricidade em sua primeira instalação de energia geotérmica de circuito fechado. De acordo com informações da CleanTechnica, o projeto pioneiro está localizado na cidade de Geretsried, ao sul de Munique, na Alemanha. A tecnologia utiliza um sistema subterrâneo de tubulações que atua como um gigantesco radiador, extraindo calor das profundezas da Terra para gerar energia de forma sustentável, sem depender de características geológicas raras.

Essa independência geológica tem grande potencial para países como o Brasil. Como o território nacional não possui vulcanismo ou atividade tectônica recente — requisitos para a energia geotérmica tradicional —, o novo sistema de circuito fechado poderia, futuramente, abrir caminho para uma nova fonte de energia firme (contínua) e limpa no país, complementando a geração hídrica, eólica e solar.

Quando estiver operando com capacidade total, a instalação alemã deverá adicionar 8,2 megawatts de eletricidade à rede regional, além de fornecer 64 megawatts de calor para os sistemas de aquecimento local. A escolha do município de Geretsried não foi acidental. A região conta com diversas comunidades vizinhas que possuem redes de aquecimento distrital prontas para aproveitar qualquer excedente térmico gerado pelas operações.

Diferente dos sistemas de circuito aberto liderados por companhias como Fervo Energy e Sage Geosystems, que injetam água diretamente em aquíferos e demandam rochas superaquecidas muito específicas, o método da Eavor mantém o fluido totalmente isolado nos canos. O que ambos os formatos compartilham é a dependência de tecnologias de perfuração originalmente criadas pela indústria de petróleo e gás, agora voltadas para prover matrizes de zero carbono.

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Como funciona a estrutura de captação de calor no subsolo?

Durante o podcast Volts, os executivos Jeanine Vany e Mark Fitzgerald explicaram a engenharia de precisão aplicada na planta europeia. O projeto perfura dois poços verticais que descem por cerca de 4,5 quilômetros na crosta terrestre. Ao alcançar a temperatura ideal, a perfuração realiza uma curva de 90 graus e avança horizontalmente com 12 poços paralelos em cada plataforma, estendendo-se por quase 2,9 quilômetros lateralmente.

Segundo a Agência Internacional de Energia, a técnica compensa a menor área de contato com o calor cavando mais fundo e esticando o trajeto do fluido. Reportagens detalham que as ramificações subterrâneas se assemelham a ancinhos gigantes cujas pontas se conectam magneticamente, formando um laço contínuo.

“Se essa tecnologia for comprovada e comercialmente viável, é uma mudança completa de jogo em qualquer lugar do mundo”, avaliou Heymi Bahar, analista sênior da agência sediada em Paris.

Quais são as grandes vantagens ambientais e financeiras do formato?

A transição do modelo convectivo para o formato condutivo de transferência térmica traz benefícios operacionais que prometem reconfigurar o setor de geração base de energia. Os atributos essenciais do modelo englobam:

  • Ampla flexibilidade geográfica, garantindo viabilidade técnica em qualquer local com gradientes geotérmicos medianos, sem depender de rochas porosas.
  • Custo zero com consumo contínuo de água, eliminando a ocorrência de incrustações, processos químicos de corrosão ou o descarte de efluentes residuais.
  • Ausência de despesas operacionais futuras, criando um ativo de infraestrutura desenhado para funcionar por 100 anos após o pesado investimento inicial em perfuração, que representa 80% do capital.

O funcionamento mecânico também se destaca pela eficiência termodinâmica. Após ser preenchido com um volume de água comparável ao de uma piscina olímpica, o complexo é lacrado. Uma bomba de superfície inicia o fluxo, mas é logo desligada, pois o sistema se converte em um termossifão. Impulsionado apenas pela diferença de densidade entre o líquido frio descendente e o líquido quente ascendente, a circulação se mantém contínua bastando apenas um grau de variação térmica.

Por fim, a usina de Geretsried é dotada de capacidade de inicialização autônoma. Essa característica assegura que, em caso de interrupção drástica de eletricidade na rede principal causada por desastres naturais, o maquinário consegue reiniciar e retomar a geração sem auxílio externo, garantindo segurança energética para toda a população conectada.

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