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Atendimento a crianças com autismo em Tucuruí alcança 1,8 mil consultas mensais

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O Núcleo de Atendimento ao Transtorno do Espectro Autista (Natea), sediado na Policlínica de Tucuruí, no sudeste do Pará, realiza uma média de 1,8 mil atendimentos mensais para crianças diagnosticadas com autismo. A iniciativa, coordenada pela Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), foca no desenvolvimento da autonomia e comunicação de 84 pacientes da região por meio de uma equipe multiprofissional. Esse modelo de atendimento no interior da Amazônia reflete um dos principais desafios nacionais do Sistema Único de Saúde (SUS): a descentralização de terapias especializadas para fora das grandes capitais do país. O balanço das atividades ocorre em alusão ao Dia Mundial de Conscientização do Autismo, celebrado em 2 de abril, evidenciando o impacto das políticas públicas de saúde no interior paraense.

De acordo com informações da Agência Pará, os avanços clínicos são acompanhados de perto por familiares. Entre os casos de sucesso está o de Paula Vitória, de nove anos, que apresentou progressos notáveis na fala. Sua mãe, Lilian Amurim de Araújo, relata que a filha agora consegue manter conversas telefônicas com os avós, uma interação social que antes era inexistente. Para a família, o suporte oferecido pela unidade representa a esperança de independência futura para a criança.

Como funciona a estrutura de atendimento especializado no Natea?

O diferencial do núcleo está na atuação integrada de diversos especialistas, garantindo que o paciente receba estímulos em diferentes áreas do desenvolvimento. A equipe é composta por 11 categorias profissionais distintas, incluindo:

  • Enfermeiros e assistentes sociais;
  • Educadores físicos e fonoaudiólogos;
  • Terapeutas ocupacionais e psicólogos;
  • Médicos pediatras, psiquiatras e neuropediatras.

A coordenadora do serviço, Claudia Godoy da Silva Tristão, ressalta que essa composição permite um cuidado completo e contínuo, cobrindo desde a avaliação diagnóstica até a intervenção terapêutica.

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“Contamos com uma equipe multiprofissional formada por enfermeiro, assistente social, educador físico, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional e psicólogo, além de médicos especialistas como pediatra, psiquiatra e neuropediatra”, afirmou a gestora.

Qual é o fluxo para acesso ao tratamento de autismo pelo SUS?

O acesso aos serviços do Natea ocorre de forma organizada dentro da rede pública de saúde. O fluxo se inicia obrigatoriamente na Unidade Básica de Saúde (UBS), onde o paciente passa por triagem. Caso haja necessidade, ele é encaminhado via regulação municipal para a avaliação especializada na policlínica. Após o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA), a criança passa a integrar o quadro de acompanhamento regular do núcleo.

Além do atendimento direto aos menores, a unidade prioriza a orientação parental. Esse suporte aos responsáveis é considerado essencial para que as estratégias terapêuticas sejam replicadas no cotidiano familiar, potencializando os resultados obtidos em consultório. Pacientes como Davi Lucas, de oito anos, e Izac, de cinco anos, são exemplos de como a constância nas terapias reduz crises e melhora a regulação emocional.

Por que o diagnóstico precoce é um divisor de águas?

A identificação antecipada dos sinais do autismo permite que as intervenções comecem nos anos iniciais da infância, fase de maior plasticidade cerebral. Segundo a coordenação do Natea, isso favorece diretamente a ampliação do vocabulário, a adaptação social e a redução de comportamentos desafiadores. Gleiciane Rodrigues Lisboa, mãe de Davi, enfatiza que o acompanhamento fez com que o filho passasse a compreender melhor as regras sociais e o ambiente ao seu redor.

Os resultados observados pela equipe técnica incluem a melhora significativa nas habilidades motoras e sensoriais, além de uma maior autonomia nas atividades de vida diária. Com a atuação intensiva no sudeste paraense, a Policlínica de Tucuruí consolida-se como um ponto estratégico para a descentralização do atendimento de alta complexidade em saúde mental e desenvolvimento infantil no estado.

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