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1.594 municípios brasileiros enfrentam vulnerabilidade climática e fiscal

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Mapa do Brasil com áreas destacadas em tons de alerta, representando vulnerabilidade climática e fiscal.
Foto: Senado Federal / flickr (by)

O Brasil possui 1.594 municípios em situação de dupla vulnerabilidade: alta exposição a desastres climáticos e baixa capacidade fiscal para investir em adaptação. O levantamento foi produzido pelo Observatório do Clima com base no cruzamento de dados federais sobre risco ambiental e saúde financeira municipal e foi citado em reportagem publicada em 29 de março de 2026. A análise considerou os 5.568 municípios com dados disponíveis da Capacidade de Pagamento (Capag), do Tesouro Nacional, e da plataforma AdaptaBrasil, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações. Os resultados mostram que quase 30% das cidades brasileiras estão em condição crítica, sem recursos para se preparar ou responder a eventos extremos como enxurradas e deslizamentos.

De acordo com informações do Projeto Colabora, os municípios foram classificados como “ruins” quando apresentavam nota C, D ou E na Capag — indicador do Tesouro Nacional sobre a situação fiscal de estados e municípios — combinada com risco ambiental médio, alto ou muito alto para deslizamentos e enxurradas.

Quais estados concentram mais municípios vulneráveis?

A região Norte lidera o ranking de vulnerabilidade combinada. O Acre tem 77% de seus municípios nessa condição, seguido pelo Maranhão (75%), Amapá (69%), Goiás (65%) e Tocantins (60%). Também superam a marca de 50% os estados da Paraíba, Alagoas e Piauí. Em contraste, os estados com menor proporção são Espírito Santo (1%), São Paulo (3%) e Santa Catarina (5%).

Segundo Adriana Pinheiro, pesquisadora e assessora de incidência política do Observatório do Clima, “a vulnerabilidade climática no Brasil não é apenas ambiental, mas profundamente fiscal e territorial: os municípios mais expostos a desastres são justamente aqueles com menor capacidade de resposta”.

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Como funciona o financiamento atual para adaptação?

O principal instrumento federal é o Fundo Clima, gerido pelo BNDES, com previsão de R$ 27,5 bilhões em 2026. No entanto, por ser majoritariamente composto por operações reembolsáveis, ele é inacessível aos municípios com baixa capacidade de pagamento. O Observatório do Clima critica a ausência de recursos não reembolsáveis direcionados a territórios prioritários e defende a criação de um Fundo Nacional de Adaptação às Mudanças Climáticas (FNA).

O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) coordena o programa AdaptaCidades, lançado em 2024, que já atende 581 municípios — onde vivem 52 milhões de pessoas. O programa oferece apoio técnico para a elaboração de planos locais de adaptação, com prazo até abril de 2027. Segundo Inamara Melo, diretora de Políticas para Adaptação e Resiliência à Mudança do Clima do MMA, “não vamos conseguir apoiar caso os municípios não tenham planos. Precisamos das duas coisas”.

  • Municípios com nota C, D ou E na Capag: baixa capacidade de pagamento
  • Risco ambiental alto ou muito alto: deslizamentos e enxurradas
  • 581 cidades já participam do programa AdaptaCidades
  • Meta do MMA: alcançar 35% dos municípios até 2035

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