O Brasil assumiu nesta quinta-feira (9) a presidência rotativa da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (Zopacas), durante um encontro diplomático na Escola Naval do Rio de Janeiro. O mandato, que se estenderá por três anos, visa manter a região livre de conflitos geopolíticos e promover a sustentabilidade ambiental entre os 24 países membros. De acordo com informações da Agência Brasil, a reunião ministerial foi aberta pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, que defendeu a não importação de rivalidades externas para o bloco.
Quais são os principais alertas do Brasil sobre o cenário global?
Durante a abertura do evento na Baía de Guanabara, o chefe da diplomacia brasileira destacou a preocupação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o panorama internacional. O momento é considerado crítico, registrando o maior número de conflitos armados desde a Segunda Guerra Mundial.
A visão diplomática nacional aponta que a inflação global de alimentos e energia é uma consequência direta das tensões na Ucrânia e no Oriente Médio. Esse cenário afeta desproporcionalmente as economias das nações mais pobres e em desenvolvimento. Para enfatizar a necessidade de união intercontinental, o ministro declarou:
Canais, golfos, estreitos, mares e oceanos devem nos aproximar e não ser motivo de discórdia
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O que é a Zopacas e quais países integram a aliança?
A aliança multilateral foi criada em 1986 pela Organização das Nações Unidas (ONU) com o propósito primordial de manter o Atlântico Sul protegido contra armas nucleares e de destruição em massa. O bloco é composto por três nações sul-americanas, sendo Brasil, Argentina e Uruguai, além de 21 países da costa oeste do continente africano, desde o Senegal até a África do Sul.
O território brasileiro possui o maior litoral banhado pelo oceano em questão, estendendo-se por cerca de 10,9 mil quilômetros. No lado africano, Angola e Namíbia detêm as maiores porções costeiras do acordo. Agora, o governo do Brasil sucede Cabo Verde na liderança do grupo diplomático internacional.
Quais são as prioridades ambientais e de segurança na região?
Além de rechaçar armamentos de destruição em massa, o bloco busca intensificar o combate a crimes marítimos, englobando a pirataria, a pesca ilegal e o tráfico de drogas realizado por meio de embarcações comerciais e privadas. No âmbito da sustentabilidade, há projetos concretos sendo desenhados pelas autoridades.
O Ministério das Relações Exteriores confirmou que pretende aprovar a criação do Santuário de Baleias do Atlântico Sul ainda neste ano, durante a próxima reunião da Comissão Internacional da Baleia. Ademais, o encontro no Rio de Janeiro prevê a assinatura da Convenção para a Proteção do Meio Ambiente Marinho no Atlântico Sul. Os compromissos englobam os seguintes fatores:
- Medidas de prevenção e redução de danos ao ecossistema marinho.
- Controle rigoroso da exploração dos recursos naturais e marítimos.
- Desenvolvimento sustentável articulado entre os diversos países membros.
Como funciona a cooperação técnica liderada por autoridades brasileiras?
A Agência Brasileira de Cooperação (ABC), um braço ligado ao Ministério das Relações Exteriores, é a instituição responsável por viabilizar o intercâmbio de políticas públicas entre as nações aliadas. O Brasil atua prioritariamente sob a demanda dos países africanos, que selecionam os programas de acordo com suas necessidades estratégicas e de soberania.
A embaixadora Luiza Lopes da Silva, diretora-adjunta da ABC, explicou que o país oferece um vasto portfólio de projetos estruturantes. As iniciativas governamentais que costumam servir de modelo internacional englobam ações diversificadas nas áreas de infraestrutura, agronegócio e desenvolvimento econômico.
Segundo a diplomata, as nações parceiras contam com apoio sistemático para o desenvolvimento de programas de base. A lista de transferência de conhecimento tecnológico e social abrange:
- Estratégias de redução da pobreza e fomento à alimentação escolar.
- Avanços tecnológicos aplicados à agricultura familiar e ao cooperativismo.
- Construção de cisternas e implantação de centros de formação profissional.
- Suporte estrutural ao crescimento de micro e pequenas empresas locais.