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Zettajoules explicam desequilíbrio energético da Terra, diz relatório da OMM

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Zettajoule é uma unidade usada para medir volumes imensos de energia e voltou ao centro do debate climático após a Organização Meteorológica Mundial (OMM) alertar, em relatório anual divulgado em março de 2026, que a Terra registra um desequilíbrio energético grande e crescente. Segundo o texto, esse acúmulo de energia é impulsionado pela queima de combustíveis fósseis e pelo aumento de gases de efeito estufa, aquecendo oceanos, solo e atmosfera a níveis perigosos. De acordo com informações do Guardian Environment, o fenômeno ajuda a explicar o avanço de ondas de calor, tempestades, enchentes, secas e incêndios. No Brasil, esse tipo de evento extremo tem impacto direto sobre a produção agropecuária, o abastecimento de água, a geração hidrelétrica e a vida nas cidades.

O artigo explica que um zettajoule corresponde a um bilhão de trilhões de joules, ou 10 elevado à potência 21. Trata-se de uma escala tão grande que até especialistas recorrem a comparações para tentar dimensionar o tamanho da energia acumulada no sistema terrestre. No contexto climático, essa medida aparece para mostrar quanto calor extra está ficando retido no planeta em vez de ser dissipado no espaço.

O que é um zettajoule e por que essa unidade importa?

O joule é uma unidade básica de energia, batizada em homenagem ao físico James Prescott Joule. Com o crescimento do consumo humano de energia e com a necessidade de medir processos planetários, passaram a ser usadas escalas progressivamente maiores, como quilojoules, megajoules, gigajoules, terajoules, petajoules, exajoules e, por fim, zettajoules.

No caso do clima, o uso de zettajoules indica que a discussão já não trata de volumes pontuais de energia, mas de mudanças sistêmicas em escala global. O texto ressalta que a principal preocupação não é apenas o tamanho do número, mas a direção em que ele está se movendo: o desequilíbrio energético do planeta está aumentando.

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Por que os zettajoules voltaram ao noticiário?

Segundo o relatório citado pela reportagem, o desequilíbrio energético da Terra aumentou cerca de 11 zettajoules por ano entre 2005 e 2025. Esse volume equivale, de acordo com o texto, a cerca de 18 vezes todo o uso de energia da humanidade. A explicação apresentada é que a queima de petróleo, gás, carvão e florestas libera gases como dióxido de carbono, metano e óxido nitroso, que retêm calor na atmosfera.

Esse bloqueio reduz a capacidade do sistema terrestre de liberar calor para o espaço. Com mais energia presa no planeta, aumentam os impactos sobre a vida humana e os ecossistemas. A reportagem associa esse quadro a maior vulnerabilidade a eventos extremos, como:

  • ondas de calor
  • tempestades
  • enchentes
  • secas
  • incêndios

Em um país continental como o Brasil, esses efeitos podem aparecer em diferentes regiões de formas distintas, com reflexos sobre safras, infraestrutura urbana e segurança hídrica e energética.

Como esse desequilíbrio está crescendo nos oceanos?

Os oceanos, que absorvem mais de 90% da radiação solar excedente mencionada no texto, registraram no ano passado um recorde de 23 zettajoules de desequilíbrio energético. O artigo afirma que esse patamar é mais que o dobro da média das duas décadas anteriores.

Para contextualizar, a reportagem cita John Kennedy, autor principal do relatório da OMM, segundo o qual o desequilíbrio observado nos oceanos em 2025 foi de cerca de 39 vezes o uso anual de energia de toda a humanidade. Também menciona comparações feitas por outros cientistas. John Abraham havia calculado em 2020 que o calor adicionado aos oceanos equivalia à energia de cerca de cinco bombas de Hiroshima por segundo. Em 2022, essa taxa teria subido para sete por segundo. Com base nos números da OMM para o ano passado, o texto diz que o valor ficou mais próximo de 11 explosões de Hiroshima por segundo.

Outra comparação citada vem da Academia Chinesa de Ciências. Há três anos, a instituição afirmou que um acúmulo de 15 zettajoules nos oceanos seria suficiente para ferver a água de 2,3 bilhões de piscinas olímpicas. Aplicando a mesma lógica ao dado atualizado de 2025, a reportagem afirma que o calor seria suficiente para vaporizar cerca de 3,4 bilhões dessas piscinas.

Como o joule chegou à escala dos zettajoules?

O texto recupera a origem da unidade e lembra que, na época de James Prescott Joule, um joule servia para descrever quantidades muito menores de energia, como o esforço para gerar um watt de potência durante um segundo. Ao longo do tempo, a sociedade passou a explorar volumes cada vez maiores de energia, sem dar a mesma atenção ao destino desse calor e ao efeito do consumo humano sobre o balanço energético do planeta.

A reportagem relaciona essa discussão à primeira lei da termodinâmica, para a qual a energia não pode ser criada nem destruída, apenas transferida ou convertida. Segundo o texto, esse princípio continua válido e ajuda a explicar o agravamento da crise climática: a energia adicional retida pelo sistema terrestre não desaparece, mas se acumula e altera o clima global.

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