O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy, chegou à Jordânia neste domingo, 29 de março de 2026, como parte de uma viagem diplomática por países do Golfo Pérsico. O objetivo da turnê é fortalecer os laços de defesa e a cooperação estratégica com nações da região, em um contexto de crescentes tensões internacionais relacionadas ao conflito com a Rússia e às atividades do Irã. De acordo com informações da Reuters, a visita ocorre em meio aos esforços contínuos de Kiev para ampliar seu apoio internacional e buscar parcerias em diversas frentes.
Para o Brasil, movimentos diplomáticos no Golfo são acompanhados de perto porque a região tem peso no mercado internacional de petróleo e energia, com reflexos potenciais sobre preços e custos logísticos. Além disso, a guerra na Ucrânia segue relevante para o agronegócio brasileiro por seus efeitos sobre cadeias globais de insumos e fertilizantes.
A viagem de Zelenskiy pelo Golfo representa uma etapa significativa na diplomacia ucraniana, que busca diversificar suas alianças e garantir fluxos de apoio que vão além do fornecimento ocidental de armamentos. A Jordânia, um reino do Oriente Médio situado entre Israel, Cisjordânia, Síria, Iraque e Arábia Saudita, surge como um interlocutor estratégico. Analistas apontam que a Ucrânia pode estar interessada em experiências de defesa aérea, cooperação em inteligência e possíveis mediações diplomáticas envolvendo outros atores do Oriente Médio.
Quais são os objetivos estratégicos da viagem de Zelenskiy?
Além do fortalecimento dos laços bilaterais de defesa, a turnê pelo Golfo tem como pano de fundo as tensões regionais amplificadas pelo conflito entre Israel e Hamas e pela postura do Irã. A Ucrânia, que acusa o Irã de fornecer drones de ataque à Rússia, tem um interesse direto em isolar Teerã no cenário internacional e buscar o alinhamento de países árabes à sua causa. O governo ucraniano espera que as nações do Golfo utilizem sua influência e recursos para pressionar por uma solução que respeite a integridade territorial ucraniana.
Espera-se que a agenda de Zelenskiy na Jordânia e em outras paradas inclua discussões sobre:
- Acordos de cooperação técnica-militar e de defesa cibernética.
- Parcerias para a reconstrução pós-guerra da Ucrânia.
- Segurança energética e rotas alternativas de suprimentos.
- Coordenação em fóruns multilaterais como a ONU.
Como a região do Golfo se posiciona no conflito?
A postura dos países do Golfo em relação à guerra na Ucrânia tem sido complexa e, por vezes, ambígua. Enquanto condenam a invasão russa em votos na ONU, nações como os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita mantiveram canais abertos com Moscou, especialmente no que diz respeito à OPEP+ e ao mercado de petróleo. A Jordânia, por sua vez, tem uma relação de segurança próxima com os Estados Unidos e potências ocidentais, o que a torna um aliado potencial para Kiev dentro do mundo árabe.
Esse equilíbrio também interessa a outros países importadores e exportadores de commodities, como o Brasil, já que decisões e articulações na região podem influenciar o ambiente internacional de energia e comércio. A viagem de Zelenskiy tenta capitalizar essa dualidade, oferecendo oportunidades de investimento na reconstrução ucraniana e posicionando a Ucrânia como um parceiro de longo prazo em tecnologia e segurança.



