Em 22 de março de 2026, o município de Xapuri, carinhosamente apelidado de “princesinha do Acre”, celebrou seus 121 anos de elevação à categoria de cidade. A data marca não apenas um aniversário cronológico, mas reafirma o papel central da região na história, cultura e economia do estado, destacando-se como um símbolo da Revolução Acreana e da resistência ambiental na Amazônia.
De acordo com informações do Acre (Gov), Xapuri atravessa um novo ciclo de desenvolvimento, impulsionado por investimentos governamentais estruturantes, o fortalecimento da produção extrativista sustentável e a preservação de sua identidade histórica. Localizada a aproximadamente 180 quilômetros da capital Rio Branco, no leste do Acre, a cidade carrega as raízes de episódios decisivos para a anexação do território ao Brasil.
Qual é o legado histórico e ambiental de Xapuri para o Brasil?
A história de Xapuri é intrinsecamente ligada à luta pela soberania nacional. Foi no município que as tropas lideradas por Plácido de Castro consolidaram marcos fundamentais da Revolução Acreana, em 1903. Esse movimento foi o pilar necessário para que o território fosse oficialmente incorporado ao mapa brasileiro, conferindo à cidade um status de berço da identidade do povo acreano.
Posteriormente, na década de 1980, a cidade ganhou projeção global através da liderança de Chico Mendes. O movimento dos seringueiros em defesa da floresta em pé transformou a região em uma referência mundial de desenvolvimento sustentável. Atualmente, a casa onde viveu o líder ambientalista permanece como um ponto turístico e de memória, atraindo visitantes interessados na trajetória da resistência amazônica.
Quais são os principais avanços em infraestrutura no município?
Para marcar o aniversário de 121 anos, o governo estadual destacou entregas fundamentais executadas pelo Departamento de Estradas de Rodagem, Infraestrutura Hidroviária e Aeroportuária do Acre (Deracre). O órgão é responsável por obras e manutenção da infraestrutura de transportes sob gestão estadual no Acre. Entre as melhorias mais celebradas pela população local, destacam-se obras que facilitam a mobilidade urbana e o escoamento da produção rural.
- Entrega da Ponte da Sibéria, uma demanda histórica aguardada por mais de 30 anos que conecta o centro ao bairro Sibéria;
- Pavimentação da Estrada da Variante (AC-380), estratégica para a integração regional;
- Manutenção constante de ramais e vias de acesso para comunidades rurais;
- Investimentos em reformas de escolas e unidades de saúde locais.
A Ponte da Sibéria é apontada como um divisor de águas para a economia local, garantindo segurança e inclusão social para moradores. Antes da estrutura, a travessia dependia de embarcações, o que limitava o trânsito de serviços e mercadorias. A nova via permite que o bairro tenha acesso mais direto aos serviços públicos do centro comercial.
Como a economia de Xapuri se sustenta na atualidade?
A vocação econômica de Xapuri permanece ligada ao extrativismo vegetal, mas com uma abordagem moderna de bioeconomia. Segundo dados do IBGE, o município ocupa a posição de terceiro maior produtor de castanha-do-brasil no país. Essa atividade é fortalecida pela Secretaria de Estado de Agricultura do Acre (Seagri), que promove a agregação de valor ao produto e a abertura de novos mercados consumidores.
Além do setor produtivo, o turismo religioso e cultural desempenha um papel vital. A festa de São Sebastião, uma das maiores manifestações de fé do estado, atrai fiéis anualmente, movimentando o comércio e o setor de serviços. A estrutura da unidade da Organização em Centros de Atendimento (OCA), pioneira em Xapuri, também facilita a cidadania, centralizando o acesso a documentos e serviços públicos essenciais para a comunidade.
Ao completar 121 anos, Xapuri equilibra a preservação de sua memória épica com a necessidade de modernização. O município projeta o futuro baseando-se na valorização de seu povo e na construção de oportunidades que respeitem o ecossistema florestal, mantendo viva a chama da resistência que a tornou famosa mundialmente.


