
A World (antiga Worldcoin), projeto de identidade digital e criptomoeda cofundado por Sam Altman, lançou nesta terça-feira (17) uma ferramenta para verificar a identidade de humanos por trás de agentes de compra baseados em inteligência artificial. O objetivo é combater fraudes e abusos em um cenário onde o comércio automatizado se torna cada vez mais comum. De acordo com informações do TechCrunch, a ferramenta busca garantir que as decisões de compra desses agentes sejam aprovadas por um humano real.
A Tools for Humanity (TFH), startup por trás da World, lançou a versão beta do AgentKit, um kit de desenvolvimento de software destinado a sites comerciais. No Brasil, o projeto ganhou notoriedade nos últimos anos pela instalação de pontos físicos em capitais como São Paulo e Rio de Janeiro, onde voluntários escaneiam a íris em troca de tokens, gerando debates junto a autoridades de proteção de dados (ANPD). O novo sistema permite a inclusão de uma etapa de verificação que confirma se há um humano real por trás das decisões de compra de um agente de IA. Essa iniciativa surge em resposta ao aumento do uso de agentes automatizados para navegar na web e realizar compras em nome dos usuários, uma tendência que, embora prometa conveniência, também levanta preocupações sobre novas formas de fraude e spam.
Como o AgentKit funciona na prática?
O AgentKit utiliza o World ID, sistema de verificação da TFH. A versão mais segura do ID é obtida através da leitura da íris do usuário com o dispositivo Orb. O Orb converte a biometria ocular em um código digital único e criptografado, o World ID verificado, que pode ser utilizado para acessar o ecossistema de serviços da TFH através do aplicativo World da empresa.
O AgentKit permite que o World ID do usuário seja integrado a um sistema de pagamento recente conhecido como protocolo x402. Desenvolvido pela Coinbase e Cloudflare, o x402 é um padrão aberto baseado em blockchain que possibilita que programas de computador automatizados realizem transações diretamente online, sem intervenção humana em cada etapa. Para utilizar o AgentKit, os usuários simplesmente registram seus agentes de IA com seu World ID, que então comunica aos sites, através do sistema x402, que um humano distinto e verificado aprova as decisões de compra do agente.
Qual a declaração oficial da Tools for Humanity?
“O AgentKit é construído como uma extensão complementar ao protocolo x402 v2, em coordenação com a Coinbase”, disse a Tools for Humanity em comunicado. “A integração é projetada para que qualquer site que já esteja utilizando o x402 possa habilitar a prova de verificação humana única juntamente com (ou em vez de) micropagamentos.”
Qual a comparação feita pelo CPO da TFH?
Em entrevista ao TechCrunch, o Diretor de Produtos da TFH, Tiago Sada, comparou a nova função a delegar “procuração” a um agente. Ao verificar que o programa de IA está agindo em nome de um determinado usuário, um site pode decidir se confia ou não nas transações iniciadas por esses agentes. Sada explicou que o selo World ID indica que alguém é um humano real e único, mas os sites ainda podem optar por bloquear usuários específicos que considerem estar operando de má fé.
Qual o futuro do AgentKit?
O AgentKit está atualmente em versão beta para desenvolvedores, com o objetivo de que o feedback recebido aprimore a ferramenta ao longo do tempo. Sada também observou que os consumidores precisarão ter um World ID verificado, derivado de uma leitura do Orb, para se qualificar para esse tipo de verificação. A iniciativa surge em um momento em que grandes sites de comércio eletrônico e serviços financeiros já começaram a adotar o comércio automatizado. Empresas como Amazon e Mastercard introduziram capacidades de compra automatizadas em suas plataformas, e o Google lançou seu próprio protocolo para suportar a tendência. À medida que o campo cresce, a indústria buscará garantias de que ele permaneça confiável e estável, e a World busca se posicionar como a provedora dessa estabilidade.