No dia 2 de abril de 2011, o ex-atacante Washington marcou um gol histórico aos 44 minutos do segundo tempo no Estádio Rei Pelé, em Maceió, salvando o Centro Sportivo Alagoano (CSA) de um inédito terceiro rebaixamento no Campeonato Alagoano diante de seu maior rival, o Clube de Regatas Brasil (CRB). De acordo com informações do GE, o embate clássico definia a sobrevivência da equipe azulina em um período marcado por grave crise institucional e financeira.
Como ocorreu o lance decisivo no clássico alagoano?
O relógio já marcava a reta final da partida e o placar permanecia inalterado, com um empate sem gols que condenaria o time azulino ao descenso. A torcida presente nas arquibancadas já via as esperanças se esgotarem quando um lance inesperado surgiu pelo lado esquerdo do campo ofensivo.
Na jogada que mudou o destino do clube, Washington demonstrou persistência. Mesmo caído no gramado, o atleta conseguiu vencer a disputa física contra dois defensores do CRB. Na sequência, o atacante tocou a bola para Rafael, que avançou em velocidade até a linha de fundo. O cruzamento rasteiro encontrou Washington bem posicionado na área, que finalizou de primeira para balançar as redes e garantir a permanência na elite estadual.
Qual era a situação dos bastidores do CSA naquela época?
O cenário extracampo da equipe em 2011 era de absoluta instabilidade estrutural. Hoje com 34 anos, o ex-jogador recorda com clareza as dificuldades enfrentadas pelo elenco durante a competição estadual, destacando os principais fatores que levaram o clube à beira do abismo esportivo:
- Atrasos constantes no pagamento de salários dos atletas;
- Falta de condições adequadas e de infraestrutura de trabalho;
- Gestão ineficiente conduzida por dirigentes sem conhecimento técnico de futebol.
A tensão pré-jogo refletia o peso de uma possível queda diante do rival da capital. Em relato sobre os bastidores daquela campanha de sobrevivência, o herói da partida descreveu a dimensão da pressão imposta sobre o grupo.
A situação em que nos encontrávamos era muito difícil. A gestão era péssima: atrasava salário, não tinha condições, o gestor não entendia nada de futebol…. O CSA estava acabado! Ser rebaixado pela terceira vez para Segunda Divisão seria uma catástrofe. A torcida passaria mais uma vergonha ao sofrer o rebaixamento para o seu rival. Para mim, aquele gol foi o ressurgimento e pode ter sido o gol mais importante da história do clube.
O que mudou na vida do herói da permanência do clube?
Passada uma década e meia do momento histórico, a trajetória profissional do ex-atacante tomou rumos diferentes do esporte de alto rendimento. Atualmente, ele divide seu tempo profissional entre a carreira artística como cantor e o trabalho no setor de logística corporativa. No entanto, a conexão afetiva com o futebol e com o clube alagoano permanece ativa em sua rotina.
O ex-atleta ressalta que continua acompanhando ativamente o cenário esportivo, mantendo o costume de torcer tanto pelo time de Maceió quanto pelo Botafogo. A relação com a agremiação azulina, segundo ele, é uma herança familiar que começou logo nos primeiros anos de vida, consolidando um vínculo que transcendeu a sua atuação nos gramados.
Como o vínculo entre o atleta e a instituição se formou?
A identificação com as cores do time começou na infância, impulsionada pela paixão de seus pais, que sempre frequentaram as arquibancadas. Essa base familiar foi o pilar para moldar o compromisso do jogador com a camisa que vestiria anos mais tarde durante o momento de extrema tensão desportiva.
Acompanho muito futebol, tanto CSA como o Botafogo, continuo torcendo. A minha ligação sempre foi muito forte. Os meus pais sempre foram torcedores azulinos. Aos sete anos, comecei no CSA, passei pela base de outras equipes, mas sempre que voltava, retornava para o clube. Vestir a camisa do CSA foi o maior acontecimento profissional da minha vida.</p
Quais são as perspectivas atuais da equipe no cenário nacional?
Enquanto os ídolos do passado relembram os feitos heroicos que mantiveram a equipe viva no cenário local, o foco do departamento de futebol profissional atual está voltado para o avanço nas competições nacionais. O atual técnico da equipe, Moacir Júnior, destacou que o objetivo central da agremiação no presente é buscar o acesso para a Série C do Campeonato Brasileiro.
A busca por uma vaga na terceira divisão nacional evidencia a resiliência da instituição após as crises do início da década passada. Se antes a meta era evitar a queda no estadual, o planejamento contemporâneo visa o restabelecimento da equipe nas principais prateleiras do calendário do futebol brasileiro, tendo o gol salvador de 2011 como um marco de superação.

