Um vídeo que mostra sete cachorros caminhando juntos à beira de uma rodovia em Changchun, na província chinesa de Jilin, viralizou nas redes sociais em março de 2026 e passou a ser acompanhado por versões não comprovadas sobre um suposto sequestro dos animais. As imagens circularam em plataformas como Instagram, Threads, X, TikTok e Facebook, incluindo postagens em português que ajudaram a ampliar a repercussão do caso entre usuários brasileiros. De acordo com informações do g1 Mundo, a mídia estatal chinesa contestou a narrativa de que os cães teriam escapado de criminosos.
Segundo a checagem reproduzida pela reportagem, a primeira publicação com as mesmas cenas foi localizada no Douyin, versão chinesa do TikTok, em 15 de março de 2026. Para encontrar o conteúdo, foram buscados os termos equivalentes a “sete cachorros voltam para casa”. Na legenda do vídeo inicial, o autor afirmou ter encontrado os animais na noite anterior em um trecho de rodovia na região de Changchun, capital de Jilin, no nordeste da China, próximo à divisa entre as rodovias Changshuang e Jingyue.
Como surgiu o vídeo que viralizou nas redes?
O post original descrevia a cena sem mencionar sequestro ou fuga de um transporte ilegal. O autor escreveu que encontrou por acaso sete cães, entre eles pastor-alemão, golden retriever e labrador, e perguntou o que teria acontecido. Em 19 de março de 2026, o mesmo perfil publicou uma versão mais longa da gravação, que ganhou ainda mais alcance e somou milhões de curtidas no Douyin antes de se espalhar para outras plataformas.
Depois disso, começaram a circular legendas em outros idiomas com uma história mais dramática. Uma das versões em inglês dizia que os cachorros teriam sido roubados, escapado de um caminhão de transporte ilegal e percorrido cerca de 17 quilômetros juntos até voltar para casa. Já uma publicação em português afirmava que os animais haviam sido levados para abastecer o comércio clandestino de carne de cachorro. Essas alegações, porém, foram desmentidas por veículos chineses citados na apuração.
O que a mídia chinesa informou sobre o caso?
De acordo com o jornal China Jilin Net, voluntários fizeram buscas com drones na região e se mobilizaram para localizar o grupo. O veículo informou que os cachorros pertenciam a moradores de vilarejos próximos ao local em que o vídeo foi gravado. Ainda segundo os tutores ouvidos na apuração, uma pastora-alemã estava no cio, o que teria atraído os outros cães.
A reportagem também menciona que, no sábado, 21 de março de 2026, o canal oficial do Departamento de Cultura e Turismo da Província de Jilin declarou que as alegações de sequestro eram boatos. O caso passou a ser tratado como um exemplo de desinformação impulsionada por especulações nas redes, em meio à rápida viralização do vídeo em diferentes países, inclusive em postagens compartilhadas no Brasil.
“A mídia estatal alertou que o incidente ‘reflete as deficiências da disseminação de informações online – uma mistura de informações verdadeiras e falsas, onde especulações subjetivas são facilmente tomadas como fatos e se espalham’”.
Havia indícios de que o vídeo foi feito com inteligência artificial?
A checagem também submeteu o vídeo a duas ferramentas de detecção de conteúdo gerado por IA. Nenhuma delas apontou sinais de que as imagens tivessem sido produzidas artificialmente. Isso não confirma, por si só, toda a narrativa que circulou nas redes, mas indica que o material analisado não apresentou evidências, nessas ferramentas, de ter sido criado por sistemas de IA.
- Hive Moderation: “O arquivo provavelmente não contém IA ou deepfake”.
- SynthID Detector: “Não foi feito com a IA do Google”.
O SynthID Detector, segundo a reportagem, verifica conteúdos criados com ferramentas de inteligência artificial do Google a partir de uma marca d’água invisível ao olho humano, mas detectável pelo sistema. Já o Hive Moderation também não identificou sinais de deepfake no arquivo analisado.
Assim, o que se sabe até agora é que o vídeo é real, ao menos sem indícios detectados de geração por IA nas ferramentas usadas, mas as versões de que os animais teriam sido sequestrados ou destinados ao comércio clandestino não foram confirmadas. A explicação relatada por veículos chineses é a de que os cachorros eram de moradores da região e teriam se agrupado porque uma das fêmeas estava no cio.