
A região administrativa de Planaltina, a mais antiga do Distrito Federal, sedia nesta sexta-feira, 3 de abril de 2026, a 53ª edição da Via Sacra do Morro da Capelinha. O evento, que encena a Paixão e Morte de Jesus Cristo, mobiliza cerca de 1,4 mil voluntários e atrai milhares de fiéis e turistas de diversas partes do país para o local. A celebração principal ocorre a partir das 16h, logo após a tradicional Celebração da Cruz, que tem início previsto para as 15h.
De acordo com informações da Radioagência Nacional, a programação oficial do evento teve início ainda na quinta-feira, 2 de abril. Na ocasião, o público pôde acompanhar a encenação da Santa Ceia, realizada logo após a missa das 20h. O espetáculo é considerado uma das maiores representações religiosas ao ar livre do Brasil, consolidando-se como um marco no calendário litúrgico e cultural do Centro-Oeste.
Qual é a origem da Via Sacra do Morro da Capelinha?
A história da encenação remonta ao trabalho do Padre Aleixo Susin, que idealizou o projeto há mais de cinco décadas. Segundo relatos históricos da comunidade, o pároco teve a inspiração após um sonho em que jovens representavam os momentos finais da vida de Jesus no topo do morro local. O diretor-geral do grupo da Via Sacra, Preto Rezende, detalha o nascimento da tradição, lembrando que o padre costumava rezar no local e contemplar a paisagem de Planaltina antes de levar a ideia para a paróquia:
“Ele tinha o hábito de ir ao Morro da Capelinha e, em oração, costumava contemplar a paisagem. E ele disse que viu, como em sonho, jovens encenando e representando a Paixão de Cristo, a morte e a ressurreição de Jesus Cristo lá nesse Morro da Capelinha. E ele trouxe isso para dentro da Paróquia e trouxe grupos para poder participar.”
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Quantas pessoas participam da organização do evento?
O sucesso e a continuidade da celebração dependem de um esforço coletivo expressivo. Apenas na edição anterior, o Morro da Capelinha recebeu um público superior a 100 mil pessoas. Para viabilizar uma estrutura desse porte, o grupo conta com um contingente de 1,4 mil membros, todos atuando de forma voluntária em diversas frentes de trabalho. A composição da equipe inclui:
- Atores principais e coadjuvantes que interpretam personagens bíblicos;
- Figurantes que compõem as cenas de multidão e exércitos;
- Equipe de produção técnica responsável pelo som e iluminação;
- Voluntários de logística, segurança e apoio à comunidade.
O diretor-geral enfatiza que a força da comunidade de Planaltina foi o fator determinante para que o evento ganhasse projeção nacional. O trabalho de evangelização por meio da arte é realizado sem fins lucrativos por moradores da região, que dedicam meses de ensaios e preparativos para a apresentação única na Sexta-Feira Santa.
Como está o reconhecimento legal da celebração?
Devido à sua relevância histórica e social, a Via Sacra do Morro da Capelinha avançou em processos de reconhecimento institucional. No início de março de 2026, a Comissão de Educação e Cultura do Senado Federal aprovou um Projeto de Lei que reconhece a encenação como uma manifestação da cultura nacional. A proposta agora segue para análise da Câmara dos Deputados.
A aprovação legislativa visa garantir a preservação da memória do evento e facilitar o acesso a recursos para a manutenção da infraestrutura necessária no morro, muitas vezes viabilizados por meio de leis de incentivo à cultura. Para os organizadores, este passo é fundamental para assegurar que a tradição iniciada pelo Padre Aleixo Susin continue a atrair novas gerações de fiéis e mantenha seu papel como símbolo de fé e identidade cultural do Distrito Federal.
A infraestrutura para receber os milhares de visitantes inclui esquemas especiais de transporte público e segurança reforçada pelas forças locais. A organização recomenda que o público chegue cedo ao local para garantir a melhor visibilidade das cenas, que percorrem diversos pontos do morro simulando o caminho do Calvário.

