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Vanuatu: líderes indígenas questionam resort da Royal Caribbean em Lelepa

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Vista aérea de uma praia paradisíaca em Vanuatu, com mata nativa preservada e águas cristalinas em tons de azul.
Foto: In Memoriam: PhillipC / flickr (by)

Líderes indígenas de Vanuatu manifestaram preocupação com o plano da Royal Caribbean de construir um clube de praia privado na ilha de Lelepa, no Pacífico Sul, em um projeto previsto para abrir em 2027 e receber até 5.000 visitantes por dia. As críticas se concentram nos estudos de impacto ambiental, considerados insuficientes por chefes locais, que também alertam para possíveis danos a ecossistemas frágeis e a uma área próxima de patrimônio mundial da Unesco. De acordo com informações do Guardian Environment, a contestação foi formalizada em carta enviada à empresa em 26 de fevereiro de 2026.

Embora se trate de um caso local no Pacífico, o episódio ajuda a ilustrar um debate global sobre os impactos ambientais e sociais do turismo de cruzeiros, um setor que também movimenta rotas e portos turísticos em vários países, inclusive no Brasil.

A ilha de Lelepa tem cerca de cinco quilômetros de extensão e abriga aproximadamente 500 moradores. Partes do território foram arrendadas pela operadora de cruzeiros para a implantação de um resort turístico. Segundo material promocional citado na reportagem original, o empreendimento deverá incluir dez bares, dois locais de alimentação e duas áreas privadas de praia, incluindo um espaço restrito a adultos. Apesar disso, as obras ainda não começaram.

Por que os líderes locais contestam o projeto em Lelepa?

Em carta analisada pelo Guardian, o conselho de chefes de Lelepa, que representa vários proprietários tradicionais de terras na ilha, criticou o estudo de impacto ambiental encomendado pela Royal Caribbean. Para os líderes, o documento é inadequado e o processo de consulta às comunidades locais não foi conduzido de forma satisfatória.

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“O atual estudo de impacto ambiental está incompleto, é enganoso e não atende aos padrões exigidos pela legislação de Vanuatu.”

Os chefes pedem que qualquer obra só avance depois que avaliações pendentes e consultas adicionais sejam aceitas pelas lideranças tradicionais e pelos proprietários consuetudinários. Eles também defendem a realização de um estudo sobre patrimônio cultural para garantir que áreas tradicionais não sejam afetadas pelo projeto.

Quais riscos ambientais e culturais foram apontados?

Entre as preocupações levantadas está a possibilidade de impacto sobre ecossistemas frágeis, áreas de pesca e locais de desova de tartarugas. Os líderes também citaram a caverna Fels, ao sul da ilha, descrita na reportagem como um sítio de relevância cultural e patrimônio mundial com arte rupestre antiga.

O chefe supremo de Lelepa, Ruben Natamatewia III, signatário da carta, afirmou que o projeto pode ser positivo, mas disse ter dúvidas sobre o realismo da avaliação ambiental apresentada até agora. Ele também declarou que a comunidade precisa ser mais consultada antes do avanço do empreendimento e demonstrou insatisfação com a divulgação da ilha como resort privado enquanto ainda existem pendências.

“É preciso haver muita consulta para que todas as pessoas aqui entendam o que está sendo feito e possam aprovar o avanço das obras.”

Outro representante do conselho, o chefe Tungulman Albert Solomon Peter Manaure, disse ao Guardian que, embora os proprietários de terra apoiem de forma ampla o desenvolvimento do turismo, permanecem preocupações com os efeitos do projeto sobre os recursos naturais dos quais a população depende.

“O oceano e a terra são o nosso banco — é dali que tiramos nossos recursos, de onde os transformamos em alimento ou em renda.”

Como a Royal Caribbean respondeu às críticas?

Questionada pelo Guardian, a Royal Caribbean afirmou inicialmente que havia submetido o estudo de impacto ambiental e que ele atendia às normas ambientais de Vanuatu. A empresa também declarou que o empreendimento ficaria na extremidade oposta do sítio de patrimônio mundial mencionado pelos líderes locais.

Após novos questionamentos, a companhia informou que ainda estava incorporando contribuições da consulta pública à versão final do estudo antes de sua submissão. Segundo a empresa, isso incluirá temas ligados à proteção ambiental e à gestão de resíduos. Um porta-voz afirmou que a Royal Caribbean segue com as autorizações necessárias para apoiar o desenvolvimento do Royal Beach Club Lelepa.

  • Os chefes locais pedem mais consultas comunitárias;
  • há cobrança por avaliações ambientais e culturais adicionais;
  • a empresa diz que ainda incorpora sugestões à versão final do estudo;
  • as obras, segundo a reportagem, ainda não começaram.

O que esse caso revela sobre o turismo de cruzeiros no Pacífico?

A reportagem também situa o impasse em um debate mais amplo sobre os efeitos ambientais do turismo de cruzeiros. Nos últimos anos, esse tipo de atividade passou a ser mais questionado em diferentes regiões do mundo, diante de preocupações com poluição e sobreturismo. Ao mesmo tempo, o setor segue em expansão.

Para Joseph Cheer, professor de turismo sustentável e patrimônio da Western Sydney University, casos como o de Lelepa evidenciam a tensão enfrentada por pequenos países insulares entre atrair investimentos turísticos e proteger comunidades e ambientes locais. Vanuatu é um arquipélago independente da Melanésia, no Pacífico Sul, e sua economia tem no turismo uma das atividades relevantes. O governo de Vanuatu foi procurado pelo Guardian, mas não respondeu aos questionamentos até a publicação da reportagem.

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