
O Ministério da Saúde alertou nesta quarta-feira (1º de abril) sobre a disseminação de informações falsas nas redes sociais a respeito da imunização contra a influenza no Brasil. De acordo com publicações enganosas, as doses aumentariam o risco de contrair o vírus, o que levou o governo federal a desmentir o boato e reforçar a segurança das campanhas de saúde pública no país.
De acordo com informações da Agência Brasil, o imunizante distribuído em todo o território nacional apresenta eficácia comprovada, sendo fundamental para proteger populações vulneráveis contra internações e possíveis óbitos decorrentes da doença. A dose disponível gratuitamente por meio do Sistema Único de Saúde (SUS) é produzida nacionalmente pelo Instituto Butantan, principal produtor de imunobiológicos do Brasil, sediado em São Paulo.
Por que a vacina da gripe não pode causar a infecção?
A vacina trivalente contra a influenza utiliza vírus inativados, fragmentados e purificados em sua composição molecular. Essa tecnologia médica significa que é biologicamente impossível que a substância provoque a infecção na pessoa vacinada. A proteção conta com aprovação de agências sanitárias rigorosas em todo o mundo, incluindo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no Brasil.
O imunizante é recomendado pelo Ministério da Saúde, pré-qualificado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e segue as orientações internacionais. Tanto a OMS quanto a agência reguladora dos Estados Unidos, a Food and Drug Administration (FDA), recomendam o uso de vacinas trivalentes.
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O que explica os sintomas respiratórios após a vacinação?
A confusão gerada pelas notícias falsas possui uma explicação científica atrelada ao período do calendário de aplicação. O vírus influenza circula com maior intensidade climática no outono e no inverno, época em que outras viroses respiratórias também disparam em número de casos. Entre as infecções simultâneas comuns nesses meses estão a covid-19, o vírus sincicial respiratório (VSR), o rinovírus e a parainfluenza.
Pessoas vacinadas podem ser infectadas por outros vírus respiratórios no mesmo período e apresentar sintomas semelhantes aos da gripe, o que pode gerar a falsa impressão de que a vacina não funcionou.
Quem deve tomar a dose na atual campanha nacional?
A Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza teve início no último sábado (28 de março) e se estenderá até o dia 30 de maio nas regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. O Ministério da Saúde informou que já distribuiu mais de 2,3 milhões de doses pelo território brasileiro desde o começo oficial da mobilização. O público prioritário é composto pelas seguintes categorias estratégicas:
- Crianças de seis meses a menores de seis anos de idade;
- Pessoas com 60 anos ou mais;
- Gestantes e trabalhadoras da saúde;
- Professores e trabalhadores do transporte coletivo;
- Pessoas com comorbidades ou deficiência;
- Forças de segurança e caminhoneiros.
Como funciona o monitoramento das novas variantes virais?
Além da imunização em massa, a vigilância epidemiológica do Brasil rastreia constantemente as mutações virais, com alerta especial para a variante Influenza A (H3N2), focada no subclado K. Essa cepa específica tem registrado alta frequência de infecção na América do Norte, englobando nações como Canadá e Estados Unidos. Até o presente momento, apenas quatro registros clínicos desse subclado foram confirmados em pacientes no Brasil.
As análises genômicas aprofundadas dessas amostras são executadas por laboratórios de excelência nacional, como a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Instituto Adolfo Lutz, ambos referências em saúde pública no país. O monitoramento ininterrupto de diagnósticos de síndrome gripal e síndrome respiratória aguda grave (SRAG) viabiliza respostas clínicas adequadas diante de qualquer variação imunológica na população.
A vacina contra a gripe não aumenta o risco da doença, ela salva vidas. Aderir à imunização é a forma mais eficaz de proteger a si mesmo e aos mais vulneráveis, reduzindo internações e evitando mortes.


