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Vacina contra gripe em dose dupla pode reduzir a mortalidade por AVC em 20%

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Rio de Janeiro (RJ), 10/05/2025 – Rio promove o Dia D contra a gripe e também aplica a Tríplice Viral, na Lapa, centro da cap
Rio de Janeiro (RJ), 10/05/2025 – Rio promove o Dia D contra a gripe e também aplica a Tríplice Viral, na Lapa, centro da capital fluminense. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil — EBC/Agência Brasil — CC BY 3.0 BR

A administração de uma dose dupla da vacina contra a gripe ainda durante o período de internação hospitalar demonstrou a capacidade de reduzir em cerca de 20% os riscos de mortalidade e de novas hospitalizações em pacientes com histórico prévio de Acidente Vascular Cerebral (AVC). De acordo com informações da Folha de S.Paulo, a descoberta científica é resultado de um amplo estudo conduzido pelo Hospital Israelita Albert Einstein e publicado em abril de 2026 na revista científica International Journal of Stroke, pertencente à Organização Mundial do AVC.

O levantamento faz parte das iniciativas promovidas pelo Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS), fruto de uma parceria estratégica entre o Ministério da Saúde e centros médicos de excelência espalhados pelo território nacional. O monitoramento ocorreu entre os anos de 2019 e 2022, abrangendo 30 unidades de saúde distribuídas pelas regiões Sul, Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste do Brasil. Um dado relevante é que nove em cada dez indivíduos avaliados dependiam exclusivamente da rede pública de atendimento.

Como a vacina contra a gripe protege pacientes que já sofreram um AVC?

A pesquisa detalha que o vírus da influenza desencadeia um forte processo inflamatório no organismo humano, o que acaba por estimular a formação perigosa de coágulos sanguíneos e eleva substancialmente os perigos de complicações cardiovasculares agudas. Esse fator de risco se torna ainda mais grave para aquelas pessoas que já enfrentaram um derrame cerebral, uma vez que elas costumam apresentar um comprometimento severo em suas respostas imunológicas naturais.

O autor sênior da investigação científica e líder do Núcleo de Estudos Clínicos em Imunologia e Vacinas do Einstein, Henrique Fonseca, destacou o impacto positivo da intervenção preventiva. “Pacientes de muito alto risco ou com infarto têm demonstrado resultados consistentes na redução da mortalidade e de eventos cardiovasculares com a vacinação contra influenza”, afirmou o pesquisador, indicando que o esquema vacinal com dosagem ampliada sugere um benefício protetor considerável para essa parcela vulnerável da população.

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Atualmente, o derrame cerebral desponta como a segunda enfermidade que mais gera óbitos entre os brasileiros, conforme registros oficiais mantidos pela Sociedade Brasileira de AVC, além de liderar o ranking global como a principal causa de incapacidade motora e cognitiva. Embora a ocorrência seja predominantemente concentrada na população idosa e em cidadãos com o histórico de distúrbios cardiovasculares, os especialistas alertam para o crescimento constante dos registros entre adultos na faixa etária mais jovem.

Quais foram os métodos e os resultados da pesquisa científica?

Os cientistas responsáveis pela condução do estudo selecionaram 1.801 indivíduos internados em decorrência da síndrome coronariana aguda, um quadro clínico grave caracterizado pela redução do fluxo sanguíneo em direção ao coração, fator que antecede a ocorrência do infarto. Desse contingente amostral total, 67 pessoas possuíam o registro prévio de complicações por acidente vascular no cérebro. O grupo avaliado precisou ser dividido sob dois formatos de intervenção médica, visando uma comparação exata.

Os modelos metodológicos adotados durante o acompanhamento médico foram estruturados nos seguintes pilares fundamentais:

  • Um grupo de pacientes recebeu a aplicação de duas doses do imunizante contra o vírus da influenza enquanto ainda permanecia no leito do hospital.
  • O outro grupo controle recebeu apenas a dosagem padrão recomendada, injetada em média 30 dias após o episódio de internação.
  • O quadro clínico de todos os voluntários envolvidos foi acompanhado de perto pelas equipes multidisciplinares pelo período ininterrupto de 12 meses.

A análise final dos dados coletados revelou que, para o grupo que não possuía o histórico pregresso da doença neurológica, não houve variações estatísticas determinantes entre as duas modalidades terapêuticas adotadas. Em contrapartida, os indivíduos com o histórico consolidado de derrame que receberam a carga imunizante dobrada no próprio recinto hospitalar apresentaram indicadores significativamente menores em relação às taxas de mortalidade e à necessidade de novas readmissões nas unidades intensivas. Os cientistas ressaltam a necessidade de estudos ainda maiores para detalhar a eficácia por tipo específico da patologia.

A administração da dose dupla no hospital apresenta riscos ao paciente?

Além de mensurar a eficácia direta da proteção vacinal, os pesquisadores também se debruçaram sobre os padrões de segurança em vacinar os enfermos durante o complexo processo da internação. A avaliação concluiu que a estratégia é totalmente viável e não acrescenta nenhum fator de risco adicional à saúde em recuperação. Tal evidência garante embasamento técnico para ampliar a proteção preventiva em grupos de altíssima fragilidade imunológica, já que muitos deixariam de buscar as unidades básicas de saúde após receberem a alta médica e voltarem para casa.

Fonseca pontua que a mensagem definitiva deixada pela extensiva coleta de dados reforça o fato científico de que a imunização ativa atua como uma barreira de contenção vital para o pleno restabelecimento das funções biológicas humanas.

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