No casamento de Jaideep Sharma, em Ajmer, na Índia, os convidados foram surpreendidos por um vídeo de seu pai, falecido há mais de um ano, sorrindo e abençoando os recém-casados. O vídeo foi criado com inteligência artificial por um criador local encontrado no Instagram. Sharma, um comerciante de roupas de 33 anos, disse ao Rest of World que o vídeo, que custou cerca de 50.000 rúpias (aproximadamente R$ 3.000), valeu a pena pelo impacto emocional que causou.
Como os deepfakes estão sendo usados na Índia?
Na Índia, um número crescente de pessoas está descobrindo o poder dos deepfakes para ressuscitar membros falecidos da família e adicionar convidados ausentes a celebrações familiares. Ferramentas de IA, como OpenAI’s Sora e Google’s Nano Banana, facilitam a criação de imagens e vídeos que podem enganar até mesmo especialistas. Empreendedores em pequenas cidades estão aproveitando essa tecnologia para oferecer serviços emocionais e personalizados.
Quais são os desafios e reações aos deepfakes?
Akhil Vinayak, um entusiasta de cinema, cria vídeos deepfake de atores falecidos e atende pedidos inusitados, como o de uma cliente que queria um vídeo de sua sogra falecida abençoando seu bebê. Vinayak utiliza modelos de código aberto e sistemas de edição para criar esses vídeos, cobrando cerca de 18.000 rúpias (aproximadamente R$ 1.080) por vídeo de um minuto. Apesar das reações emocionais positivas, há uma crescente resistência ao uso de vídeos gerados por IA, frequentemente associados a assédio e desinformação política.
Quais são as implicações culturais e emocionais?
Bhaskar Malu, cientista comportamental, destaca que em culturas onde rituais sociais exigem presença física ou simbólica, os deepfakes atendem a necessidades emocionais reais. No entanto, ele alerta que a tecnologia deve ser uma parceira, não um substituto para a conexão humana. Enquanto isso, criadores como Divyendra Singh Jadoun, que fundou The Indian Deepfaker, estão cientes dos riscos emocionais e aconselham seus clientes a não se apegarem excessivamente aos avatares gerados por IA.
Fonte original: Rest of World