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UPS limita plano de demissão voluntária a 7.500 motoristas após acordo sindical

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UPS Delivery Trucks
UPS Delivery Trucks Foto: Logan Voss via Unsplash — Unsplash License (livre para uso)

A gigante global de logística UPS (United Parcel Service) e o sindicato americano Teamsters firmaram um acordo de trabalho neste domingo (5 de abril) para restringir o programa de demissão voluntária da empresa a 7.500 motoristas nos Estados Unidos. A reestruturação em uma das maiores transportadoras do mundo reflete a desaceleração da demanda logística global de e-commerce, uma tendência que também pressiona o setor de entregas no Brasil. A medida resolve um longo impasse sobre a autoridade no contrato da categoria e permite que os pacotes de indenização sejam oferecidos em todo o país, sempre mediante o critério de antiguidade dos trabalhadores.

De acordo com informações da FreightWaves, a resolução definitiva encerra uma intensa disputa trabalhista sobre o formato dos cortes de vagas na gigante da logística.

Como funcionará o novo plano de indenização para os motoristas?

O acerto estabelece que o limite total de pagamentos de rescisão abrangerá tanto os motoristas de longa distância quanto os entregadores de encomendas locais. O valor fixado para o pacote oferecido pela companhia é de US$ 150 mil (equivalente a cerca de R$ 750 mil na cotação atual) por funcionário que optar por aderir ao programa.

Com a nova resolução, o chamado plano de escolha do motorista volta a ficar disponível em todos os estados norte-americanos. Anteriormente, no dia 24 de março de 2026, a UPS havia retirado o programa de 13 estados da região central do país em resposta a uma queixa formal, área onde a oposição dos líderes sindicais se mostrou mais forte e articulada.

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A distribuição do pacote de benefícios será feita rigorosamente com base na antiguidade. A empresa argumenta que os colaboradores com mais tempo de casa possuem salários mais altos, o que torna a saída deles mais vantajosa do ponto de vista do caixa, mantendo ao mesmo tempo um quadro de profissionais suficiente para garantir a continuidade das operações diárias nos armazéns.

Por que a empresa está promovendo essas reduções de equipe?

Embora a companhia não tenha declarado inicialmente o número exato de motoristas que pretendia eliminar por meio das rescisões amigáveis, o mercado indicava uma expectativa de adesão muito superior às três mil pessoas que aceitaram ofertas inferiores no ano de 2025. No final de fevereiro de 2026, 105 mil condutores receberam as propostas iniciais.

A diretoria da empresa, com sede em Atlanta (Geórgia), definiu uma meta global para o ano de 2026 de cortar 30 mil postos de trabalho. Os principais fatores que motivam esta drástica reestruturação da rede de entrega de encomendas incluem:

  • A eliminação gradual dos negócios logísticos mantidos com a Amazon;
  • A desaceleração geral do mercado e da demanda por remessas globais;
  • O encerramento das operações de 22 armazéns ao longo dos próximos meses.

Qual foi o posicionamento do sindicato durante a negociação?

A representação dos trabalhadores contestou ativamente as ações da companhia em relação ao pacote de desligamento. Após não obter sucesso na tentativa de interromper as ofertas na Justiça Federal norte-americana, a entidade utilizou o mecanismo de queixas do contrato mestre para barrar a iniciativa patronal de forma administrativa.

A alegação principal do grupo era de que os acordos de saída violavam o contrato nacional firmado em 2023. O documento apontava que a gestão estava negociando diretamente com os trabalhadores sobre a manutenção dos empregos, o que enfraqueceria as garantias de segurança no trabalho conquistadas historicamente pelo sindicato.

Como parte da pacificação, a direção da companhia concordou em não buscar ou oferecer quaisquer outros programas de indenização durante a vigência do contrato nacional atual. A validade deste documento regulador se estende até o dia 31 de julho de 2028.

Em nota oficial sobre o desfecho das tratativas, o presidente geral do sindicato, Sean O’Brien, avaliou o resultado das pressões de classe:

A UPS nunca teve o direito contratual de oferecer unilateralmente demissões voluntárias a motoristas, mas com pressão suficiente e solidariedade dos membros, a UPS finalmente fez a coisa certa ao colocar seus compromissos com os trabalhadores do Teamsters por escrito. Os membros vitalícios do Teamsters que deram tanto de si para tornar a UPS a rainha da entrega de pacotes terão o direito de preferência em quaisquer acordos de rescisão.

O líder sindical reforçou ainda que a antiguidade e os direitos de todos os associados serão honrados, garantindo que não haverá novas tentativas da empresa de contornar a representação coletiva nas mesas de negociação trabalhista.

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