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Uepa lança livro sobre PANCs para valorizar a gastronomia de Mosqueiro

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Mesa rústica com diversas plantas alimentícias não convencionais (PANCs) dispostas ao lado de pratos da culinária local.
Foto: Natecull / flickr (by-sa)

Professores e alunos do curso de Gastronomia da Universidade do Estado do Pará (Uepa) lançaram recentemente, com divulgação no início de abril de 2026, o e-book intitulado “Sabores invisíveis: PANCs, histórias e receitas da Ilha de Mosqueiro”. O projeto, desenvolvido em Mosqueiro, distrito de Belém conhecido nacionalmente por suas praias de rio, busca catalogar e valorizar as Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCs) que fazem parte da biodiversidade local, mas que muitas vezes são ignoradas pelo comércio tradicional.

De acordo com informações da Agência Pará, órgão oficial de comunicação do governo estadual, o trabalho é fruto de uma pesquisa de Iniciação Científica (Pibic) e foi viabilizado pelo programa Forma Pará, uma iniciativa de expansão do ensino superior no estado. A organização da obra ficou sob a responsabilidade dos pesquisadores Diego Aires da Silva, Rafael Vitti Mota e Ivonete Quaresma da Silva de Aguiar. O material foi publicado pela Editora da Uepa (Eduepa) e está disponível para acesso em formato digital, servindo como um guia prático e histórico para a comunidade e para profissionais da área.

Como o livro contribui para a gastronomia amazônica?

A obra atua como um elo entre o conhecimento científico e a tradição popular da Região Metropolitana de Belém. Ao registrar espécies como a erva-de-jabuti, a taioba e o cipó-d’alho, o livro permite que esses insumos deixem de ser vistos apenas como vegetação espontânea e passem a ser integrados em pratos sofisticados ou no consumo doméstico diário. A iniciativa incentiva o uso de recursos naturais abundantes, promovendo uma alimentação mais diversa e sustentável para os moradores da ilha.

Além do resgate cultural, a publicação foca na inovação técnica. O conteúdo apresenta formas criativas de processar ingredientes que possuem ciclos de vida e sabores muito específicos, mas que harmonizam com produtos já consolidados no Pará, como o camarão regional, a gurijuba (peixe comum no litoral amazônico) e o queijo do Marajó. Essa fusão entre o convencional e o não convencional fortalece a identidade culinária paraense, oferecendo novas texturas e aromas para quem busca explorar a culinária regional.

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Quais espécies de PANCs são abordadas na obra?

O catálogo presente no e-book é extenso e detalha as propriedades de diversas plantas encontradas no ecossistema de Mosqueiro. Entre os destaques listados pelos pesquisadores estão:

  • Vinagreira
  • Ora-pro-nóbis
  • Begônia
  • Clitória azul
  • Jaca
  • Camapu

Essas espécies são apresentadas não apenas como acompanhamentos, mas como protagonistas de preparos autorais. Folhas, sementes e flores são transformadas em geleias, saladas e pães, demonstrando a versatilidade biológica do estado. O livro explica como identificar cada uma dessas plantas, garantindo segurança alimentar para os coletores e entusiastas que desejam experimentar novos sabores com base na flora local.

Qual é o impacto econômico e social do projeto?

Para Adriana Lima, graduada em Gastronomia e participante ativa da pesquisa, o projeto possui um viés de desenvolvimento econômico para a região. Segundo ela, as PANCs podem se tornar um diferencial competitivo para estabelecimentos locais.

“O intuito dessa pesquisa, que fala sobre as PANCs, é que as pessoas possam utilizá-las no seu cotidiano, no seu dia a dia. Os restaurantes também, para que seja uma forma de atração ao público, ao turista, que chega naquela região e se depara com novidades.”

A utilização dessas plantas em restaurantes pode gerar novas cadeias de fornecimento, criando renda para pequenos produtores rurais de Mosqueiro. A pesquisa aponta que onde as pessoas plantam e colhem, é possível ir além do básico arroz e feijão, explorando possibilidades criativas que atraem o interesse turístico e gastronômico para a ilha.

Como foi o processo de criação do livro?

O desenvolvimento da obra envolveu etapas rigorosas de coleta de insumos, testes de cozinha e registros documentais. Adriana Uchoa, voluntária no projeto, relembrou que a equipe se reunia para preparar as receitas e realizar os registros fotográficos que compõem o e-book. Para ela, a formação acadêmica proporcionada pela Uepa foi determinante para o seu crescimento profissional, especialmente na área de panificação, onde ela já exerce atividades.

O livro apresenta receitas que utilizam ingredientes pouco explorados comercialmente, como o pudim de bougainvillea e o pão de marimari. Essas preparações provam que flores e frutos muitas vezes considerados puramente decorativos possuem alto potencial nutricional e gastronômico. A publicação de Sabores Invisíveis consolida o compromisso da universidade com a pesquisa aplicada, conectando a produção acadêmica às necessidades e riquezas dos territórios paraenses.

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