O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em 30 de março de 2026 que seu governo mantém negociações sérias com o Irã para encerrar o conflito militar entre os dois países, mas voltou a ameaçar destruir infraestrutura vital iraniana caso não haja um cessar-fogo em breve. A declaração foi feita um mês após o início da guerra no Oriente Médio.
De acordo com informações do G1, o mandatário norte-americano publicou mensagem em sua rede social Truth Social na qual menciona um suposto “novo e mais razoável regime” no comando de Teerã, apesar de não existir confirmação de mudança de governo no país.
O que exatamente Trump ameaçou destruir no Irã?
Trump ameaçou “obliterar” usinas de geração de energia elétrica, poços de petróleo e a ilha de Kharg, responsável por 90% da exportação de petróleo iraniano. Ele também citou a possibilidade de atacar usinas de dessalinização.
A ameaça foi condicionada ao não cumprimento de duas exigências: a assinatura de um acordo de paz em breve e a reabertura imediata do Estreito de Ormuz para o tráfego comercial. A passagem é uma das principais rotas globais do petróleo, e qualquer interrupção costuma repercutir nos preços internacionais da commodity e dos combustíveis, inclusive no Brasil.
Os Estados Unidos estão em negociações sérias com um NOVO, E MAIS RAZOÁVEL, REGIME para encerrar nossas operações militares no Irã. Grande progresso foi feito, mas, se por qualquer motivo um acordo não for alcançado em breve —o que provavelmente acontecerá— e se o Estreito de Ormuz não for imediatamente “aberto para negócios”, encerraremos nossa “agradável” permanência no Irã explodindo e obliterando completamente todas as suas usinas de geração de energia, poços de petróleo e a ilha de Kharg (e possivelmente todas as usinas de dessalinização!), que deliberadamente ainda não “tocamos”.
Como o Irã reagiu às propostas americanas?
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baghaei, classificou as propostas norte-americanas como “fora da realidade, desproporcionais e excessivas”. Ele negou a existência de negociações diretas até o momento.
Segundo Baghaei, as mensagens trocadas ocorreram apenas por meio de intermediários e indicavam demandas consideradas excessivas pelo lado iraniano.
Não tivemos nenhuma negociação direta com os EUA até o momento. O que houve foram mensagens recebidas por meio de intermediários, indicando o interesse dos EUA em negociar. […] O que nos foi transmitido foram demandas excessivas e fora da realidade.
A guerra entre os Estados Unidos e o Irã completou um mês. Em 29 de março de 2026, Trump havia declarado ao jornal Financial Times que as negociações indiretas, mediadas pelo Paquistão, avançavam bem e que um acordo poderia ser alcançado rapidamente.
Qual a contradição entre as versões de Trump e do Irã?
Enquanto o presidente norte-americano fala em progresso nas conversas e em um possível acordo rápido, o governo iraniano afirma não ter havido qualquer negociação direta e classifica as exigências americanas como irreais. Trump também mencionou a possibilidade de seu Exército tomar o controle do petróleo iraniano e da ilha de Kharg, o que representaria uma escalada significativa no conflito.
A ilha de Kharg é considerada estratégica porque concentra quase toda a capacidade de exportação de petróleo do Irã. O Estreito de Ormuz, por sua vez, é uma das rotas marítimas mais importantes do mundo para o transporte de óleo.
Até o momento, não há indícios concretos de mudança de regime em Teerã, apesar das mortes de autoridades de alto escalão durante a guerra. A menção de Trump a um “novo e mais razoável regime” não foi corroborada por fontes independentes.
O conflito já causou impactos significativos na região, com reflexos na segurança energética global e no preço do petróleo. Para o Brasil, oscilações no mercado internacional de petróleo podem afetar os preços dos combustíveis e os custos de transporte, com efeito potencial sobre a inflação e cadeias como a do agronegócio, fortemente dependentes de logística rodoviária. As declarações de Trump em 30 de março de 2026 reforçam a estratégia de pressão máxima sobre o Irã, combinando a retórica de negociações com ameaças explícitas de destruição de alvos econômicos vitais.


