Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, voltou a emitir sinais contraditórios sobre a guerra com o Irã nesta segunda-feira, 30 de março, ao combinar ameaças de destruição de infraestrutura iraniana com declarações sobre supostos avanços em negociações de paz. O episódio ocorreu em meio ao conflito no Oriente Médio, que completou um mês, e reforçou a incerteza sobre os objetivos, a duração e a estratégia americana no confronto. Para o Brasil, a instabilidade na região é relevante porque o Estreito de Ormuz é uma das principais rotas do comércio global de petróleo, e tensões ali podem pressionar os preços internacionais dos combustíveis e, por consequência, a inflação.
De acordo com informações do G1 Jornal Nacional, Trump afirmou em uma rede social que os Estados Unidos mantêm negociações sérias com o que chamou de um novo e mais razoável regime iraniano. Na mesma publicação, porém, ameaçou atacar ativos estratégicos do país caso não haja acordo em breve e o Estreito de Ormuz não seja reaberto.
Segundo o relato, o presidente americano disse, sem apresentar evidências concretas, que houve grandes progressos nas tratativas. Ao mesmo tempo, elevou o tom ao mencionar a possibilidade de destruir usinas de energia, poços de petróleo, a ilha de Kharg e até usinas de dessalinização do Irã. Em uma região marcada pela aridez, essas instalações são apontadas como essenciais para o abastecimento de água potável, especialmente no sul iraniano.
O que Trump disse sobre negociações e ameaças ao Irã?
As declarações mais recentes repetem um padrão de mensagens ambíguas desde o início da guerra. Em momentos distintos, Trump falou em negociação, avanço diplomático e encerramento próximo do conflito, mas também lançou ameaças militares e ultimatos ao governo iraniano.
No texto original, uma das ameaças foi reproduzida em fala direta:
“Se um acordo não for firmado em breve e se o Estreito de Ormuz não for reaberto imediatamente, vamos explodir e obliterar completamente todas as usinas de energia, os poços de petróleo, a ilha de Kharg e possivelmente todas as usinas de dessalinização do país”.
Em Washington, de acordo com a reportagem, há incerteza sobre os próximos passos da Casa Branca. A conduta de Trump tem provocado dúvidas sobre se a imprevisibilidade faz parte de uma estratégia deliberada ou se indica falta de direção clara na condução da guerra.
Como as contradições apareceram desde o começo da guerra?
Logo após os primeiros bombardeios, Trump afirmou que o objetivo era proteger os americanos e eliminar ameaças iminentes atribuídas ao regime iraniano. Ao mesmo tempo, dirigiu-se à população do Irã com um apelo para que assumisse o controle do governo ao fim da ofensiva, o que aumentou a confusão sobre a real finalidade da ação militar.
“Nosso objetivo é defender o povo americano eliminando ameaças iminentes do regime do Irã”.
“Quando terminarmos, assumam o controle do governo. Será provavelmente a única chance de vocês em gerações”.
Diante dessa indefinição, integrantes do governo americano vieram a público em diferentes momentos para tentar esclarecer a missão. Um secretário de Guerra afirmou que o conflito não seria uma guerra para mudança de regime, embora tenha feito uma observação ambígua sobre o próprio regime. Já a porta-voz da Casa Branca detalhou alvos militares e estratégicos que, segundo ela, orientariam a operação.
“Essa não é uma guerra de mudança de regime, mas o regime certamente mudou”.
“Destruir o programa nuclear, o programa de mísseis, a Marinha iraniana, além de desmantelar grupos terroristas apoiados pelo Irã”.
Quais pontos mostram a oscilação do discurso sobre a duração e o diálogo?
A reportagem destaca que Trump também mudou repetidamente sua previsão sobre o tempo de guerra. No primeiro dia, disse que os objetivos poderiam ser alcançados em dois ou três dias. No dia seguinte, passou a falar em quatro ou cinco semanas. Cerca de uma semana depois, declarou que a guerra estava praticamente concluída. Desde então, segundo o texto, voltou a dizer que o conflito terminará em breve.
As mensagens sobre negociação seguiram a mesma lógica de oscilação. Em diferentes ocasiões, Trump afirmou que a liderança iraniana queria dialogar, depois declarou que não havia com quem negociar porque os líderes teriam sido mortos nos ataques e, em outro momento, sustentou que já era tarde demais para conversa e exigiu rendição total do Irã.
- No terceiro dia da guerra, Trump disse que a liderança iraniana queria dialogar.
- Horas depois, afirmou que não havia ninguém para negociar.
- Em seguida, declarou que era tarde demais para negociação.
- No dia 21 de março, anunciou novas negociações e fixou um ultimato de 48 horas.
- Segundo a reportagem, esse prazo foi depois estendido até 6 de abril.
Ao completar um mês, a guerra segue cercada por dúvidas sobre metas, prazos e possibilidade real de acordo. O conjunto das declarações, conforme relatado pela reportagem, reforça a percepção de um discurso errático da presidência dos Estados Unidos em um conflito de alto impacto regional. No caso brasileiro, além do efeito potencial sobre combustíveis, crises no Golfo Pérsico costumam ser acompanhadas de perto pelo Itamaraty por seus reflexos sobre comércio, segurança energética e estabilidade internacional.


