Transparência algorítmica reacende debate sobre responsabilidade das plataformas

Data:

Outras notícias

Relatórios ESG vão além da burocracia e se tornam ferramenta de gestão

Especialistas apontam que relatórios de sustentabilidade (ESG) evoluíram para ferramentas estratégicas de gestão. A eficácia depende de três pilares: materialidade, conexão com a estratégia e qualidade dos dados verificados.

Remuneração e desempenho no serviço público federal são temas de debate na gestão

Debate sobre eficiência administrativa analisa como a remuneração impacta a produtividade e o engajamento dos servidores federais no Brasil. Veja os principais desafios para a modernização da gestão.

Querosene de aviação: Petrobras pode elevar preço em até 80% em abril

O reajuste previsto pela petroleira pode impactar diretamente o valor das passagens e a oferta de voos no Brasil. O Ministério de Portos e Aeroportos articula medidas com a Fazenda para tentar conter os danos ao setor aéreo.

Turbina de avião da Delta Airlines explode em decolagem na cidade de Guarulhos

Um avião da Delta Airlines precisou realizar um pouso de emergência após uma turbina pegar fogo durante a decolagem. O incidente ocorreu no Aeroporto de Guarulhos com uma aeronave que tinha como destino a cidade de Atlanta.

Missão Artemis II levará astronautas ao redor da Lua em abril

A Nasa lançará em abril de 2026 a missão Artemis II, que levará quatro astronautas ao redor da Lua. Será o voo humano mais distante da Terra desde as missões Apollo.

O PL 1421/26, de autoria da deputada federal Natália Bonavides, recolocou em discussão no Brasil a responsabilização das plataformas digitais ao propor maior transparência sobre o funcionamento de algoritmos de recomendação. O tema voltou ao centro do debate nesta quinta-feira, 27 de março de 2026, em análise publicada no setor de tecnologia, com foco nos impactos do projeto sobre moderação, ordenamento de conteúdos e riscos associados ao modelo de negócio das empresas. De acordo com informações do Mobile Time, especialistas avaliam que a proposta retoma parte das discussões iniciadas com o PL 2630/20, conhecido como PL das Fake News.

Na avaliação de Alexandre Arns Gonzales, pesquisador, cientista político e representante do DiraCom, o projeto mira o desenho manipulativo e os processos de recomendação algorítmica, além de exigir transparência em torno dessas práticas. Para ele, a proposta aborda uma dimensão já presente no debate mais amplo do PL 2630/20, ao discutir o regime de responsabilidade das empresas proprietárias de plataformas digitais sobre moderação, recomendação e ordenamento de contas e conteúdos em seus serviços.

“Entendo que o PL 1421 visa o desenho manipulativo e o processo de recomendação dos algoritmos e a transparência em torno dele. Acho que ele aborda uma dimensão presente lá no debate mais amplo que o projeto 2630 abarcava, que é pensar esse regime de responsabilidade que as empresas proprietárias das plataformas digitais têm sobre o processo de moderação, recomendação e ordenamentos de contos e conteúdos em seus serviços por conta de um modelo de negócio”

O que especialistas apontam como limite do PL 1421/26?

O advogado Rafael Pellon, especializado em direito digital, sócio-fundador do Pellon de Lima Advogados e consultor jurídico do MEF, reconhece a intenção do projeto de retomar o debate sobre segurança e riscos de algoritmos com efeitos ainda pouco conhecidos. No entanto, ele afirma que a proposta deixa de lado dois pontos centrais: o fato de os algoritmos integrarem o segredo de negócio dessas empresas e a possibilidade de responsabilização das plataformas já existir, mesmo sem a abertura do funcionamento interno dessas ferramentas.

— Publicidade —
Google AdSense • Slot in-article

“O problema é que essa proposta deixa de lado dois pontos importantes. Primeiro, os algoritmos são segredos das empresas — assim como a fórmula da Coca-Cola, elas não são obrigadas a revelar como funcionam por dentro. Segundo, e mais relevante: as empresas já podem ser responsabilizadas pelos danos que seus algoritmos causam, independentemente de revelar ou não como eles foram construídos”

Pellon resume que a iniciativa parte de uma boa intenção, mas pode buscar uma solução complexa para um problema que, segundo ele, já possui caminhos legais mais diretos. Na mesma linha, Paulo Henrique Fernandes, advogado e Head de Produtos e Tecnologia na V+ Tech, entende que o projeto tenta enfrentar a mesma questão de fundo do PL 2630/20, mas por um caminho menos conflituoso, ao deslocar o debate do conteúdo para a estrutura das plataformas.

“Sai o foco no conteúdo e entra na arquitetura que organiza o ambiente digital. Isso reduz o risco de discussão sobre censura e coloca o debate em transparência e regulação do modelo de negócio”

Como o projeto se relaciona com decisões judiciais e saúde mental?

Outro ponto levantado por Gonzales é a convergência do PL com a decisão do STF sobre a inconstitucionalidade parcial do artigo 19 do Marco Civil da Internet, dispositivo que trata da responsabilização das plataformas por conteúdos de terceiros. Segundo ele, a proposta também toca na questão da saúde mental de usuários, não apenas de crianças e adolescentes, mas de todo o público que frequenta essas plataformas.

“Esse PL me parece que toca numa ferida muito importante e que precisa ser vigiada e que aborda a saúde mental não só de crianças e adolescentes, mas para todo o público que frequenta essas plataformas digitais”

A discussão também é associada ao julgamento nos Estados Unidos citado na justificativa do projeto, no qual Meta e YouTube foram condenados a compensar financeiramente uma jovem em US$ 6 milhões. Para Flávia Lefèvre, advogada especialista em telecomunicações, direitos do consumidor e direitos digitais, e participante do Conselho Consultivo do NUPEF, a decisão deve influenciar o debate no Brasil e em outros mercados, especialmente na União Europeia.

Segundo Lefèvre, perícias e estudos técnicos no caso norte-americano tendem a mostrar como plataformas direcionam e ampliam o alcance de conteúdos por meio de mecanismos como rolagem infinita e recomendações automáticas de vídeos. Na avaliação dela, essas ferramentas podem restringir a escolha do consumidor e estimular permanência prolongada nas plataformas.

“Depois que você acaba de ver o que está assistindo e te apresentar um próximo vídeo, é uma forma de restringir o direito de escolha do consumidor. Você fica preso ali”

O PL 1421/26 deve avançar no Congresso em ano eleitoral?

Para Paulo Henrique Fernandes, a tramitação tende a ser lenta, porque o projeto alcança diretamente plataformas digitais, liberdade de escolha do usuário e o modelo de negócio das big techs. Segundo ele, em ano eleitoral, discussões sobre regulação digital ganham sensibilidade política e podem ser associadas a controle de informação ou interferência no debate público. Ainda assim, sua avaliação é de que o tema não deve desaparecer e pode avançar em audiências e amadurecimento conceitual.

Alexandre Arns Gonzales também considera o cenário político imprevisível, o que pode dificultar a transformação do projeto em prioridade no Congresso. Ao mesmo tempo, ele vê uma conjuntura que pode favorecer o avanço de certas discussões e propostas, inclusive a apresentada por Natália Bonavides.

Já Rafael Pellon afirma que as chances de votação ainda neste ano são baixas. Na visão dele, embora a discussão sobre riscos algorítmicos seja legítima, uma legislação que limite em excesso a inovação tecnológica pode prejudicar a inserção do Brasil no contexto internacional de desenvolvimento tecnológico.

  • O PL 1421/26 trata de transparência sobre algoritmos de recomendação.
  • Especialistas divergem sobre a necessidade de novas regras para responsabilização.
  • O debate é relacionado ao PL 2630/20 e à decisão do STF sobre o artigo 19 do Marco Civil da Internet.
  • O caso julgado nos Estados Unidos é citado como referência para a discussão regulatória.
  • A expectativa é de tramitação lenta no Congresso em ano eleitoral.

Assine

- Nunca perca uma notícia importante

- Ganhe acesso a conteúdo premium

- Esteja ligado em todos os nossos canais

Últimas

DEIXE UM COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here