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Transição energética: Lições da tradição religiosa nas Filipinas para a mobilidade no Brasil

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Igreja nas Filipinas iluminada por painéis solares em telhado, mesclando tradição religiosa e tecnologia sustentável.
Foto: Jeff Pioquinto, SJ / flickr (by)

Durante a Semana Santa, cuja data central neste ano recai no início de abril de 2026, milhões de filipinos realizam a tradicional peregrinação conhecida como Bisita Iglesia, visitando sete igrejas em um único dia. A prática guarda forte semelhança com a tradição da “Visita às Sete Igrejas”, que também leva milhares de fiéis às ruas no Brasil, país com a maior população católica do mundo. No entanto, nas Filipinas, este ato de fé tornou-se também um teste de estresse para os sistemas de transporte urbano, uso de energia e infraestrutura local. De acordo com informações da CleanTechnica, a peregrinação tem gerado picos concentrados de consumo de combustíveis fósseis devido ao uso maciço de veículos de passeio.

O fenômeno mobiliza comunidades inteiras que viajam entre as paróquias, o que intensifica o trânsito em torno de locais históricos. Em centros urbanos como Manila, Cebu e corredores emergentes em Laguna e Cavite, a mobilidade reproduz os padrões de pequenos feriados. Veículos com motor de combustão interna ainda predominam, o que reforça a dependência de combustível importado em meio à volatilidade global do petróleo. Cenários semelhantes de congestionamento em feriados religiosos e a necessidade urgente de descarbonização da frota também são desafios frequentemente debatidos nos grandes centros urbanos brasileiros.

Como os fiéis estão adaptando a peregrinação para opções mais sustentáveis?

Uma das abordagens observadas envolve a substituição do carro pela caminhada. Um executivo da Toyota, identificado apenas como VSS PH, registrou 29 mil passos em um trajeto de mais de 20 quilômetros para cumprir sua devoção. Ele destacou que a escolha representou não apenas uma oferta espiritual, mas também uma economia real de recursos energéticos.

Segundo cálculos baseados em um veículo que consome cerca de um litro a cada 15 quilômetros, a distância percorrida exigiria aproximadamente um litro e meio de combustível. Com o preço do litro na casa dos 98 pesos filipinos, a economia individual chega a 147 pesos. Se mil pessoas adotassem a mesma postura, seriam poupados mil litros de gasolina e 100 mil pesos filipinos.

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Qual é o papel do transporte público na redução das emissões?

O uso de sistemas de transporte de massa também tem se mostrado uma alternativa viável e eficiente. O escritor e produtor de conteúdo de turismo do jornal The Manila Times, Joseph Bautista, estruturou sua rota tendo o sistema de Veículo Leve sobre Trilhos de Manila como base principal para o deslocamento pela cidade.

O roteiro abrangeu sete templos religiosos, iniciando na Igreja de Baclaran e passando por diversas regiões filipinas. Várias paróquias foram acessadas através de uma combinação de trem e curtas caminhadas. O uso de transporte coletivo local ocorreu apenas no trecho final da viagem religiosa.

A intenção por trás da jornada é o que importa, não como você chega lá

Como os veículos elétricos influenciam a experiência religiosa?

A transição para a mobilidade privada sustentável já é uma realidade emergente entre os participantes. James Don David, motorista novato de carros elétricos, utilizou um modelo recém-adquirido para realizar o percurso de fé. Ele relatou que monitorou a autonomia da bateria com uma atenção que jamais dedicou aos medidores de combustível convencionais durante viagens curtas.

A ausência de ruído do motor transformou o trajeto em um ambiente mais reflexivo e propício à oração. Em vez da pressa característica do deslocamento tradicional, o motorista descreveu ter alcançado maior atenção plena. No final do trajeto, a preocupação inicial com a carga do veículo elétrico converteu-se em uma sensação de recarga espiritual ao longo do caminho traçado.

As características desta tradição são particularmente compatíveis com as capacidades dos carros elétricos. O trajeto típico envolve distâncias curtas, paradas frequentes e um raio de operação entre 50 e 100 quilômetros. Além disso, a recarga pode ser distribuída de forma estratégica com as seguintes opções:

  • Estacionamentos de shopping centers próximos aos templos religiosos;
  • Pátios das paróquias com infraestrutura dedicada aos devotos;
  • Estações móveis e temporárias instaladas especificamente para a Semana Santa.

Quais são os próximos passos para a infraestrutura de energia limpa?

Diversas igrejas e dioceses nas Filipinas já iniciaram a instalação de painéis solares para reduzir os custos operacionais e a dependência da rede elétrica convencional. A expansão dessa estrutura para incluir carregadores de veículos elétricos é considerada o próximo passo lógico. Fontes do setor de infraestrutura indicam que em breve as grandes catedrais contarão com estações ativas em seus pátios.

A participação dos governos locais pode acelerar essa transformação por meio de bloqueios temporários de vias, criação de faixas exclusivas e incentivos para o transporte público elétrico. Paralelamente, o setor privado possui a oportunidade de instalar carregadores em centros comerciais próximos às igrejas durante os períodos de pico. A adoção dessas medidas integradas tem o potencial de transformar um evento religioso em um grande estudo de caso sobre a descarbonização das cidades.

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