A TotalEnergies recebeu quase US$ 1 bilhão em um acordo anunciado em 23 de março de 2026 pelo Departamento do Interior dos Estados Unidos para renunciar a dois arrendamentos de energia eólica offshore no país. A medida envolve áreas no New York Bight e na costa da Carolina do Norte e da Carolina do Sul. A empresa francesa não pretendia levar esses projetos adiante no curto prazo, em meio a pressões econômicas e ao ambiente político contrário à energia eólica no governo de Donald Trump.
De acordo com informações da CleanTechnica, o Departamento do Interior apresentou o acerto como uma realocação de capital de contratos de eólica offshore para projetos de gás natural. O artigo afirma que o pagamento foi feito para garantir a desistência da TotalEnergies em relação a dois projetos nos Estados Unidos. Para o leitor brasileiro, o tema ajuda a dimensionar o estágio ainda inicial da eólica offshore no Brasil, que discute o avanço regulatório do setor, mas ainda não tem parques em operação comercial.
Por que a TotalEnergies desistiu dos projetos eólicos offshore nos Estados Unidos?
O texto associa a decisão a um conjunto de fatores econômicos e regulatórios. Um dos pontos citados é o alto custo dos leilões de arrendamento realizados em 2022, especialmente no New York Bight, área marítima entre a costa de Nova Jersey e Long Island, em Nova York. Esse custo passou a ser visto como um dos elementos que tornaram o empreendimento pouco viável economicamente, ao menos por enquanto.
O artigo também compara o caso da TotalEnergies a movimentos semelhantes de outras empresas do setor. A dinamarquesa Ørsted havia decidido, ainda em 2023, não seguir com os projetos Ocean Wind 1 e Ocean Wind 2, também na região do New York Bight. Na ocasião, a empresa atribuiu a decisão a fatores macroeconômicos, como inflação elevada, juros em alta, restrições na cadeia de suprimentos e atraso de embarcação no Ocean Wind 1.
Outro exemplo citado é o projeto Atlantic Shores, uma joint venture entre a Shell e uma subsidiária da EDF. Segundo o texto, o empreendimento foi suspenso depois que o Conselho de Serviços Públicos de Nova Jersey rejeitou, em fevereiro de 2025, uma tentativa dos parceiros de incorporar a inflação ao contrato. A Shell deixou formalmente o projeto em outubro, mantendo a EDF na operação.
O que o acordo anunciado pelo governo dos EUA prevê?
Segundo o Departamento do Interior, o entendimento com a TotalEnergies foi descrito como um acordo para redirecionar investimentos de arrendamentos eólicos offshore para projetos de gás natural. A reportagem informa que o pagamento ficou próximo de US$ 1 bilhão e teve como contrapartida a renúncia da empresa a dois arrendamentos obtidos em 2022.
- um arrendamento no New York Bight;
- um segundo arrendamento em área marítima próxima à Carolina do Norte e à Carolina do Sul;
- reembolso das taxas de arrendamento, conforme declaração do presidente-executivo da empresa.
Em nota citada na reportagem, o presidente-executivo e chairman da TotalEnergies, Patrick Pouyanné, afirmou que a companhia decidiu renunciar ao desenvolvimento de energia eólica offshore nos Estados Unidos em troca do reembolso das taxas pagas pelos arrendamentos.
“Considerando que o desenvolvimento de projetos de energia eólica offshore não é do interesse do país, decidimos renunciar ao desenvolvimento eólico offshore nos Estados Unidos, em troca do reembolso das taxas de arrendamento.”
Como esse movimento se encaixa no cenário da energia eólica offshore nos EUA?
A reportagem sustenta que a desistência da TotalEnergies não significa o fim da atividade eólica offshore no país. O texto cita a Equinor, da Noruega, como empresa que já ocupa posição relevante no New York Bight. A companhia obteve, em 2017, o arrendamento para o projeto Empire Wind, com capacidade de 810 megawatts, e a previsão mencionada é de entrada em operação em 2027.
Além disso, o artigo afirma que a Equinor garantiu US$ 3 bilhões em financiamento em 2025 para estabelecer um centro de montagem e apoio logístico no South Brooklyn Marine Terminal, em Nova York. Na avaliação apresentada pela publicação, essa estrutura pode fortalecer a posição da empresa em futuros projetos eólicos no litoral atlântico dos Estados Unidos.
O texto também destaca que a TotalEnergies segue com atuação internacional no setor. Segundo a reportagem, a empresa possui um portfólio de 11 gigawatts em projetos offshore, dos quais 25% correspondem a turbinas eólicas flutuantes. Assim, a saída do mercado norte-americano, nos termos descritos pelo artigo, não interrompe a estratégia global da companhia nesse segmento. No Brasil, a discussão sobre eólica offshore tem peso para a indústria de energia, portos e cadeia de fornecedores, especialmente no Nordeste, onde há projetos em licenciamento ambiental e interesse de grandes grupos do setor.
Quais foram as reações ao acordo?
A Oceantic Network, associação do setor de eólica offshore mencionada na reportagem, criticou a decisão. Segundo a entidade, a retirada de capacidade eólica do pipeline ocorre em um momento de alta nos preços da energia, enquanto outros projetos continuam entregando eletricidade à rede.
Na leitura do artigo, o acordo tem peso político e econômico e levanta questionamentos sobre a necessidade de pagar pela saída de uma empresa que já enfrentava dificuldades para desenvolver os ativos. O texto observa ainda que, embora a TotalEnergies tenha renunciado aos arrendamentos, as áreas marítimas continuam disponíveis para futuros projetos.