O emblemático Edifício Torre Paulista, localizado na Avenida Paulista, em São Paulo, teve suas garagens transformadas recentemente em um estacionamento rotativo, enquanto o restante de sua estrutura permanece esvaziado e em estado de abandono. Anunciado há cerca de oito anos como a futura sede do primeiro Hard Rock Hotel na capital paulista, o imóvel agora expõe vidros quebrados e pichações, cenário que resultou em multas aplicadas pela Subprefeitura de Pinheiros em março de 2026.
De acordo com informações da Folha de S.Paulo, a penalidade imposta pela administração municipal ocorre após notificações prévias emitidas em janeiro de 2026. A prefeitura informou que o endereço segue sob monitoramento e está sujeito a novas autuações caso a falta de manutenção da fachada persista.
Por que o projeto do hotel cinco estrelas fracassou?
O Grupo Savoy, proprietário do edifício, retomou o controle do prédio por meio de uma ação de despejo contra a antiga locatária em agosto de 2025. A medida judicial foi motivada pelo estado de abandono do local e por dívidas que ultrapassam a marca de R$ 17 milhões.
O contrato original, assinado em 2018 com validade até 2052, previa a transformação da estrutura em um hotel de luxo. Contudo, a obra nunca avançou, mesmo com a emissão do alvará em 2021. Os débitos da empresa responsável, a VCI (atual Residence Club), incluem cerca de R$ 13 milhões apenas em aluguéis atrasados, além de impostos, encargos e juros.
Qual é a situação atual e o futuro do imóvel?
Atualmente, o espaço térreo opera sob o nome de Hard Park Estacionamentos, aproveitando os acessos pelas vias adjacentes. Para o restante do prédio, que já foi sede do banco Sumitomo, há uma placa de aluguel ativa. O valor solicitado no mercado é de R$ 1,8 milhão mensais, somado ao Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU).
O proprietário declarou que avalia propostas para a destinação do complexo, que podem envolver tanto o setor de hotelaria quanto o mercado corporativo.
“Serão necessárias obras internas de adequação em ambos os usos, o que permitirá atualizar o imóvel e restabelecer o seu padrão AAA”
A afirmação acima foi divulgada pelo Grupo Savoy em nota oficial, reforçando a necessidade de reformas para a recuperação da torre.
Como a empresa responsável explica a crise nos empreendimentos?
A Residence Club, que detém projetos baseados no sistema de multipropriedade, enfrenta uma crise mais ampla que se estende a outras obras pelo país. A companhia informou que as questões do imóvel paulistano estão sendo tratadas nas instâncias adequadas, mas não apresentou um cronograma para os demais atrasos.
A direção da empresa responsabilizou a gestão anterior por parte dos entraves e alegou que a matriz internacional da marca hoteleira impôs condições que prejudicaram os negócios. Segundo a incorporadora, as exigências geraram:
- Restrições operacionais que impactaram diretamente o andamento do negócio;
- Prejuízos na comercialização e na geração de receita;
- Consequente interrupção no avanço das obras civis.
Quais são os impactos em outras obras pelo Brasil?
A crise do grupo afeta diretamente investidores de outras regiões do país. O plano inicial de estabelecer uma rede hoteleira de grande porte foi desidratado ao longo da última década, resultando em centenas de ações judiciais.
Entre os principais problemas enfrentados pela companhia nos demais estados, destacam-se:
- Ceará (Paraipaba): O Hard Rock Fortaleza teve a comercialização de cotas suspensa por determinação do Ministério Público em agosto de 2025 e recebeu multas por repassar encargos indevidos aos consumidores;
- Paraná (Sertaneja): O projeto Ilha do Sol teve sua bandeira alterada para Wyndham em janeiro de 2026, sob críticas de clientes, e segue sem nova data de entrega;
- Ceará (Jijoca de Jericoacoara): O empreendimento litorâneo permanece com as obras não concluídas.
Sobre as mudanças no Paraná, a Residence Club afirmou que a alteração da marca tem como objetivo garantir o futuro do empreendimento.
“reforça o compromisso da companhia em fortalecer os projetos e preservar a qualidade dos produtos adquiridos pelos clientes”
O antigo CEO da companhia, Samuel Schiarolli, que responde a disputas judiciais sobre a venda de ações, declarou que deixou a gestão em dezembro de 2023. Em sua defesa técnica, afirmou que sua atuação foi lícita.
“cumpriu rigorosamente com todas as obrigações que lhe eram cabíveis”
A empresa detentora da marca global de hotéis e restaurantes foi procurada pela imprensa, mas não se pronunciou sobre as operações e o encerramento do contrato na capital paulista.



