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Tonga apoia acordo com os EUA para explorar minerais no mar sob críticas

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Vista aérea de oceano azul profundo com ondas, representando exploração submarina em águas do Pacífico.
Foto: tm-tm / flickr (by-sa)

Tonga anunciou apoio a um acordo com os Estados Unidos para cooperar na exploração científica de minerais do fundo do mar, enquanto grupos ambientais e representantes da sociedade civil manifestam preocupação com possíveis danos aos ecossistemas oceânicos e com a falta de consulta pública. O posicionamento foi exposto pelo primeiro-ministro Lord Fatafehi Fakafānua, em declarações publicadas nesta terça-feira, 24 de março de 2026, em Uoleva, no país do Pacífico Sul, em meio ao avanço do interesse internacional por minerais críticos presentes no leito marinho.

De acordo com informações do Guardian Environment, o acordo entre os dois países foi firmado em fevereiro para ampliar a pesquisa científica marinha voltada à exploração responsável de recursos minerais do fundo do mar. A iniciativa ocorre em um contexto de debate crescente sobre o potencial econômico desses materiais e os riscos ambientais associados à atividade. O tema também tem relevância para o Brasil porque minerais críticos são estratégicos para cadeias industriais e de transição energética, enquanto discussões sobre exploração mineral e proteção ambiental em áreas marinhas interessam a países com extensa costa e presença no Atlântico Sul.

O que prevê o acordo entre Tonga e Estados Unidos?

Segundo a reportagem, os governos de Tonga e dos Estados Unidos divulgaram em 26 de fevereiro uma declaração conjunta afirmando que pretendem cooperar para “avançar a pesquisa científica marinha para a exploração responsável de recursos minerais do fundo do mar”. O texto também afirma que os dois países estariam em posição singular para atuar juntos nessa área.

“Juntos, nos comprometemos com a exploração responsável de minerais do fundo do mar e com o avanço da compreensão científica global sobre o oceano profundo”, diz a declaração.

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Fakafānua, eleito primeiro-ministro em novembro de 2025, classificou a parceria como um “desenvolvimento empolgante para nós”. Ao comentar o tema, ele afirmou que Tonga mantém compromisso com a exploração científica dos oceanos dentro dos sistemas multilaterais aos quais o país está legalmente vinculado e que seguirá uma abordagem cautelosa, baseada no princípio de não causar danos. A menção a sistemas multilaterais remete ao debate internacional sobre governança dos oceanos e do fundo do mar, tema acompanhado por diversos países em fóruns globais.

“Em relação aos minerais do mar profundo, como uma indústria ainda nascente, Tonga continua totalmente comprometida com a exploração científica de nossos oceanos sob os sistemas multilaterais aos quais estamos legalmente vinculados e segue mantendo de forma rigorosa uma abordagem cautelosa, baseada прежде de tudo em não causar danos.”

Por que a exploração em mar profundo gera preocupação em Tonga?

A mineração em mar profundo envolve a extração de minerais e metais do leito oceânico. Organizações ambientais temem que esse tipo de atividade possa afetar ecossistemas marinhos frágeis. A preocupação se soma ao fato de Tonga já manter uma parceria antiga com a empresa The Metals Company para trabalhos de exploração, embora, segundo o texto, nenhuma mineração tenha ocorrido até agora.

Além dos riscos ambientais, críticos do acordo com os Estados Unidos dizem que a população não foi adequadamente consultada sobre uma decisão considerada sensível para o país. Em Tonga, o oceano tem peso central na vida econômica, social e cultural, o que amplia a resistência a qualquer atividade com potencial de causar impactos ambientais duradouros.

Quem critica o projeto e quais são os argumentos apresentados?

Uma das vozes contrárias citadas na reportagem é a acadêmica e figura pública Dr ‘Ungatea Fonua Kata, que descreveu o Pacífico como a “casa” do país e afirmou que as comunidades dependem do mar para grande parte de sua subsistência. Ela também questionou a ausência de consulta pública sobre a cooperação com os Estados Unidos.

“O oceano Pacífico é o maior oceano da Terra, mas é a nossa casa; nos opomos a qualquer atividade que possa danificar esse ambiente”, disse Kata, que também é diretora de educação da maior denominação religiosa de Tonga, a Free Wesleyan Church.

“Temos muito pouca massa de terra”, disse ela. “Nosso sustento está no oceano, então não queremos que se faça nada que seja prejudicial ao lugar onde vivemos.”

Outro opositor mencionado é Drew Havea, presidente do Civil Society Forum of Tonga, que defende uma moratória para a mineração em mar profundo. Segundo ele, a maioria dos tonganeses discordaria do envolvimento do país com essa atividade. Havea disse ter pedido a realização de um referendo sobre o tema na eleição de novembro de 2025, mas a solicitação não foi atendida pelo governo da época.

Qual é o contexto regional dessa disputa sobre minerais marinhos?

O debate em Tonga reflete uma discussão mais ampla no Pacífico Sul, região que vem atraindo interesse crescente em razão de minerais críticos localizados no fundo do mar e de seu potencial uso em indústrias e tecnologias verdes. Ao mesmo tempo, entidades regionais alertam que os efeitos ambientais e sociais da exploração ainda são pouco conhecidos.

A reportagem cita o apoio do Pacific Network on Globalisation ao Civil Society Forum of Tonga. O coordenador regional da organização, Joey Tau, defendeu mais ciência e pesquisa sobre o fundo do mar, mas afirmou que esse trabalho deveria ser independente e orientado pelo interesse público, não pela indústria.

“Há necessidade de mais ciência e pesquisa sobre o mar profundo, mas de forma independente, que beneficie o bem comum de toda a humanidade, e não seja guiada pela indústria.”

“A mineração tem um histórico muito ruim nesta parte do mundo. É possível olhar para outros continentes: ela deslocou pessoas e provocou diferenças sociais”, disse.

Com isso, o caso de Tonga reúne ao menos três frentes de disputa:

  • a busca por minerais críticos no fundo do mar;
  • as dúvidas sobre impactos ambientais em ecossistemas oceânicos;
  • as críticas sobre a participação da sociedade nas decisões públicas.

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