HBO confirmou a escalação dos atores que interpretarão Lev e Yara na terceira temporada de The Last of Us, prevista para 2027, e a escolha para o papel de Lev gerou críticas entre parte do público. Segundo reportagem publicada pela NME em março de 2026, a atriz Kyriana Kratter foi escalada para viver o personagem, que no jogo The Last of Us Part 2 é um garoto trans. A repercussão negativa apareceu em redes sociais e fóruns por causa da decisão de escalar uma atriz cis para o papel.
Segundo a reportagem, Michelle Mao interpretará Yara, enquanto Kratter dará vida a Lev. Os dois personagens são irmãos e ex-integrantes dos Serafitas, grupo que tem papel importante na história de Abby em The Last of Us Part 2, trama que deve orientar a terceira temporada da adaptação da HBO.
Por que a escalação de Lev provocou reação entre fãs?
No game, Lev é apresentado como um personagem trans que deixa os Serafitas em razão de sua disforia de gênero. Na série, a escolha de uma atriz cis para o papel foi vista por parte do público como um problema de representatividade, especialmente porque papéis trans são considerados raros por integrantes da comunidade e por espectadores que acompanham esse debate na indústria audiovisual.
Uma das reações reproduzidas pela matéria veio de um usuário do Reddit, que criticou a decisão e afirmou que a escolha foi insensível diante do contexto atual. A publicação destacava que atores trans costumam ter acesso restrito a papéis e que, quando um personagem trans relevante é interpretado por uma pessoa cis, uma oportunidade importante deixa de ser destinada a alguém da própria comunidade.
“Sinto que é bastante insensível não escalar um ator trans para o papel de Lev.”
Outras manifestações mencionadas no texto adotaram tom mais ponderado. Um comentário citado disse que gostaria de ver uma pessoa trans no papel, mas reconheceu que o grupo de possíveis candidatos talvez fosse reduzido. A mesma reação expressou expectativa de que a série trate o personagem com cuidado.
Houve também defesa da decisão de elenco?
Sim. A matéria também reuniu opiniões de pessoas que consideraram difícil encontrar um ator trans jovem, de origem asiática e disposto a enfrentar a exposição pública que poderia acompanhar o papel. Nesse argumento, o ambiente político atual e o risco de assédio contra adolescentes trans foram apontados como fatores que poderiam influenciar a escolha de elenco.
Além disso, a reportagem informa que a HBO realizou um processo de seleção descrito como inclusivo para o papel de Lev, com testes de jovens atores de diferentes origens. O texto não traz declaração do estúdio detalhando os critérios finais da escolha.
- Michelle Mao foi escalada para viver Yara
- Kyriana Kratter interpretará Lev
- A terceira temporada está prevista para 2027
- Lev é um personagem trans em The Last of Us Part 2
O que mais foi informado sobre a próxima temporada?
A terceira temporada de The Last of Us tem estreia prevista para 2027 e, segundo a NME, há rumores de que ela possa ser a última da adaptação da HBO. A reportagem também relembra que a audiência do episódio final da segunda temporada ficou 56% abaixo da registrada no encerramento da primeira leva de episódios.
O texto ainda cita uma declaração anterior de Bella Ramsey sobre críticas à série. Sem responder especificamente à nova controvérsia, a atriz afirmou que o público tem direito às próprias opiniões, mas que isso não altera o desenvolvimento da produção. Ramsey também disse que não costuma se envolver com esse tipo de reação e observou que quem não gostar da adaptação pode voltar ao jogo original.
“As pessoas, claro, têm direito às próprias opiniões. Mas isso não afeta a série, não afeta como a série continua de forma alguma.”
O debate sobre a escalação de Lev recoloca em evidência discussões recorrentes em Hollywood sobre representatividade, oportunidades para atores trans e os limites entre fidelidade ao material original e decisões de produção em adaptações televisivas. No Brasil, esse tipo de discussão também aparece com frequência em lançamentos de cinema, TV e streaming, em meio a debates sobre diversidade no audiovisual e espaço para artistas trans em produções de grande alcance. Como The Last of Us é uma franquia de forte apelo entre o público brasileiro de games e séries, a controvérsia repercute além do noticiário internacional e dialoga com uma pauta que já existe no mercado cultural do país.