A Ucrânia intensificou sua ofensiva contra a infraestrutura energética da Rússia, utilizando ataques de drones para atingir importantes instalações de exportação na região do porto de Novorossiysk, localizado no Mar Negro. A ação militar tem como objetivo principal restringir as receitas financeiras de Moscou provenientes da venda de combustíveis, recursos que estariam financiando os esforços armados russos.
De acordo com informações do Splash247, o governo russo confirmou que os bombardeios ocorridos no início de abril de 2026 danificaram o terminal do Consórcio do Oleoduto do Cáspio (CPC). A infraestrutura atingida no local inclui um sistema de ancoragem de ponto único (SPM), modernos equipamentos de carregamento e quatro grandes tanques de armazenamento de combustível.
O CPC, situado a sudoeste da cidade de Novorossiysk, representa uma rota de escoamento crucial para o petróleo bruto oriundo do Cazaquistão. Este terminal lida com cerca de 80% de todas as exportações do país da Ásia Central e é responsável por movimentar aproximadamente 1,5% de todo o suprimento global de petróleo. Alterações significativas no fornecimento global costumam afetar a cotação do barril tipo Brent, que serve de referência internacional e historicamente impacta os preços da gasolina e do diesel repassados aos consumidores no mercado brasileiro.
Quais outras instalações de petróleo foram atingidas no ataque?
Os militares da Ucrânia declararam que também miraram o terminal petrolífero vizinho de Sheskharis durante a mesma operação. Segundo as autoridades ucranianas, a incursão resultou em danos significativos à rede de exportação russa e paralisou parcialmente o escoamento local.
Os principais alvos atingidos e reportados nesta onda de ataques do início do mês incluem:
- Seis de sete berços de carregamento de navios-tanque localizados no terminal de Sheskharis;
- Partes estruturais do centro de dutos da região portuária;
- Sistemas de medição utilizados para o controle do fluxo de óleo comercializado;
- O porto báltico de Primorsk, atingido por drones no primeiro fim de semana de abril;
- A refinaria NORSI, situada na região industrial de Nizhny Novgorod.
Como a Rússia e a comunidade internacional reagiram ao bombardeio?
O governo de Moscou foi rápido em condenar a ofensiva militar nas águas costeiras. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, acusou o governo de Kiev de mirar deliberadamente na infraestrutura civil e de energia com a intenção de causar amplos danos econômicos à região e ao mundo.
Em seu pronunciamento oficial sobre as explosões, a representante diplomática russa descreveu a operação militar ucraniana como:
puro terrorismo
Ela ressaltou ainda que as investidas foram direcionadas a setores que afetam diretamente “a vida de pessoas comuns”. A porta-voz acrescentou que o ataque ao Consórcio do Oleoduto do Cáspio prejudicou os interesses de grandes partes interessadas internacionais, afetando o próprio governo do Cazaquistão e as gigantes petrolíferas dos Estados Unidos, Chevron e ExxonMobil, que operam de forma contínua na região.
Qual é o impacto nas exportações e na dinâmica da guerra?
A escalada da violência contra a rede de energia acontece em um momento em que a Rússia tenta manter o fluxo ininterrupto de suas exportações, navegando por dinâmicas globais em constante transformação. Este cenário inclui um alívio temporário nas pressões de sanções comerciais e um mercado de petróleo mais restrito e volátil, fortemente influenciado pelo conflito em andamento no Oriente Médio.
O governo de Kiev tem concentrado seus esforços táticos nas instalações petrolíferas entre março e o início de abril de 2026 para estrangular a economia adversária. Os recentes ataques são considerados alguns dos mais graves já registrados contra a infraestrutura de exportação do Mar Negro desde o início da guerra, conflito que já se estende por mais de quatro anos no Leste Europeu, após a invasão deflagrada em fevereiro de 2022.
Apesar dos danos expressivos relatados pelas autoridades russas e ucranianas, o Ministério da Energia do Cazaquistão afirmou em nota oficial que os fluxos através do oleoduto do CPC permanecem estáveis, com as operações de exportação continuando normalmente. Em 2025, o duto de Tengiz a Novorossiysk transportou cerca de 70,5 milhões de toneladas de óleo, o que equivale a aproximadamente 1,53 milhão de barris por dia. Vale lembrar que uma ofensiva no final de 2025 já havia forçado uma paralisação temporária no CPC após a destruição de uma de suas amarrações flutuantes essenciais.


