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Terapeuta Pollyanna Esteves critica facilidade de acesso a cogumelos no Brasil

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Cluster of wild mushrooms captured in natural forest environment.
Cluster of wild mushrooms captured in natural forest environment. Foto: Michael — Pexels License (livre para uso)

A terapeuta psicodélica Pollyanna Esteves afirmou que o acesso a cogumelos que contêm psilocibina — composto psicodélico de ocorrência natural — tornou-se excessivamente simplificado no território brasileiro. Durante entrevista concedida ao programa Alt Tabet, apresentado por Antonio Tabet e veiculada pelo Canal UOL em 4 de abril de 2026, a especialista defendeu a necessidade de uma regulamentação mais robusta para o setor. Segundo a profissional, a facilidade de aquisição desses fungos sem o devido acompanhamento pode elevar os riscos para a saúde pública e para os indivíduos que buscam tratamentos alternativos.

De acordo com informações do UOL Notícias, a discussão sobre o uso de substâncias psicodélicas tem ganhado fôlego no país, especialmente no âmbito da saúde mental. No entanto, o hiato regulatório atual permite que diversos sites comercializem o produto livremente, muitas vezes sob a justificativa de fins ornamentais ou de estudo botânico, embora o consumo humano seja a finalidade real de muitos compradores.

O acesso a cogumelos com psilocibina ficou “fácil demais” no Brasil e deveria ser mais regulamentado para reduzir riscos

Como funciona o mercado de cogumelos atualmente no Brasil?

O cenário jurídico brasileiro em relação aos cogumelos do gênero Psilocybe é complexo. Enquanto a psilocibina e a psilocina, que são os compostos ativos, estão listadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) — órgão vinculado ao Ministério da Saúde — como substâncias proibidas (integrando a Portaria 344/98), o fungo in natura não consta explicitamente na lista de proibição. Essa lacuna cria uma zona cinzenta que facilita o comércio digital e a entrega via correios em diversas regiões do país.

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Esteves ressaltou que a falta de critérios claros para a venda impede que o usuário tenha acesso a informações cruciais, como a dosagem correta e as contraindicações. Para a terapeuta, o modelo atual ignora a complexidade da experiência psicodélica, que exige um ambiente controlado e suporte profissional para evitar crises de ansiedade ou episódios psicóticos em indivíduos vulneráveis.

Quais são os principais riscos do acesso sem regulamentação?

A democratização irrestrita, sem o suporte de profissionais capacitados, é vista com preocupação pela comunidade científica e terapêutica. Entre os perigos citados em discussões sobre o tema, destacam-se:

  • Dificuldade na identificação precisa da espécie do fungo adquirido;
  • Variabilidade na concentração de princípios ativos entre diferentes lotes;
  • Ausência de triagem prévia para pacientes com histórico de transtornos psiquiátricos graves;
  • Falta de auxílio imediato durante situações de desconforto psicológico intenso.

A especialista pontuou que a regulamentação não visa à proibição absoluta, mas sim à criação de protocolos que garantam a segurança de quem utiliza a substância. O objetivo seria transformar o acesso informal em um processo estruturado, onde a substância seja encarada com a seriedade de um medicamento ou ferramenta terapêutica de alto impacto para o bem-estar dos pacientes.

Qual é o papel das autoridades no controle dessas substâncias?

As autoridades sanitárias e judiciárias brasileiras ainda não estabeleceram um consenso definitivo sobre a comercialização dos cogumelos in natura. No plano internacional, países como a Austrália — pioneira ao autorizar a prescrição psiquiátrica da substância em 2023 — e alguns estados dos Estados Unidos já começaram a implementar modelos de uso terapêutico assistido, onde o acesso é permitido apenas sob supervisão de profissionais licenciados em clínicas autorizadas.

No Brasil, a Anvisa tem avançado na autorização de pesquisas clínicas com psicodélicos, mas o uso fora desses contextos controlados permanece em um vácuo de fiscalização. A fala de Esteves ecoa um movimento global de especialistas que pedem que a ciência guie as políticas públicas, evitando tanto o proibicionismo ineficaz quanto a negligência comercial que pode levar a acidentes graves.

Em resumo, a defesa por uma estrutura mais rígida busca proteger o potencial terapêutico da psilocibina, evitando que incidentes isolados causem retrocessos em pesquisas promissoras para o tratamento de depressão resistente, ansiedade e dependência química. A regulação proposta serviria como um filtro necessário para que o benefício médico prevaleça sobre o risco recreativo desorientado e sem critérios técnicos.

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