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Tenente-coronel preso por feminicídio em São Paulo vai para a reserva com salário

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Foto de farda militar e insígnias sobre fundo neutro, focada nos detalhes do uniforme da corporação.
Foto: Governo do Estado de São Paulo / flickr (by)

O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, indiciado pela morte da soldado Gisele Alves Santana, foi transferido para a reserva da Polícia Militar de São Paulo (PMESP). De acordo com informações da Agência Brasil, a medida garante que o oficial passe a receber remuneração na inatividade, condição que equivale à aposentadoria na estrutura militar. A decisão ocorre mesmo após a suspensão de seu salário na ativa, que estava bloqueado desde a sua prisão no dia 18 de março de 2026.

A portaria oficializando a inatividade foi publicada no Diário Oficial do Estado de São Paulo, passando a ter efeito imediato. O documento estabelece que o policial militar suspeito de feminicídio — crime classificado no Brasil desde 2015 como homicídio qualificado em contexto de violência doméstica ou de menosprezo à condição de mulher — e de fraude processual tem direito a proventos baseados na proporcionalidade de seu tempo de serviço. O índice fixado foi de 58/60, o que assegura uma remuneração praticamente integral ao oficial investigado.

Como fica a punição do oficial na Polícia Militar?

A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP) esclareceu que a ida para a reserva não isenta o tenente-coronel das investigações em curso. A responsabilização penal e o processo disciplinar interno continuam tramitando normalmente. A corporação instaurou um conselho de justificação contra o policial, procedimento administrativo que analisa a conduta de oficiais e pode gerar sanções severas em caso de condenação.

As consequências deste conselho podem incluir a demissão definitiva da força policial, além da perda do posto e da patente que o suspeito ostenta atualmente.

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“A instrução continua a valer mesmo após a transferência do oficial para a reserva”, informou a pasta estadual por meio de nota oficial, garantindo que o rito de punição não será interrompido pela concessão da inatividade.

O tenente-coronel pode perder a remuneração de aposentado?

A manutenção dos pagamentos mensais ao oficial gera debates, especialmente devido à gravidade das acusações de feminicídio e alteração da cena do crime. Contudo, o corte definitivo destes valores não ocorre de forma automática com uma eventual expulsão sumária da corporação paulista.

Quando questionada sobre a possibilidade de suspensão dos vencimentos caso o policial militar seja demitido e perca a patente, a Secretaria da Segurança Pública explicou a exigência legal que rege os servidores de farda. Segundo a instituição, a interrupção permanente dos pagamentos de natureza previdenciária depende exclusivamente de uma decisão judicial definitiva, momento em que se esgotam as possibilidades de recursos nos tribunais.

Quais são os detalhes do inquérito e da prisão preventiva?

No âmbito da Justiça Criminal e da Justiça Militar, o caso possui desdobramentos em frentes distintas de investigação que buscam esclarecer a morte da soldado Gisele. As etapas do processo penal e militar seguem as seguintes fases:

  • O Inquérito Policial Militar (IPM) encontra-se em sua fase final e será remetido ao Poder Judiciário.
  • O inquérito conduzido pela Polícia Civil já foi totalmente concluído e enviado à Justiça competente.
  • O pedido de prisão preventiva solicitado pelos investigadores civis foi formalmente acatado e cumprido.
  • A Corregedoria da Polícia Militar também havia feito a representação judicial que mantém o oficial preso.

O crime ocorreu no dia 18 de fevereiro de 2026, no apartamento onde o casal residia na capital paulista. A soldado Gisele Alves Santana foi encontrada com um ferimento provocado por arma de fogo na cabeça. O tenente-coronel, que estava presente no imóvel no momento do disparo fatal, acionou as equipes de socorro e inicialmente relatou o caso às autoridades policiais como um episódio de suicídio.

Posteriormente, as evidências colhidas no local do fato forçaram a mudança do registro policial para morte suspeita. Os laudos técnicos elaborados pelo Instituto Médico Legal (IML) foram determinantes para a reviravolta no inquérito, pois atestaram a presença de marcas de agressão no corpo da vítima, lesões que os peritos classificaram como incompatíveis com a tese de suicídio. Desde o início das apurações, os familiares da vítima contestavam publicamente a versão apresentada pelo oficial preso.

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