
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), declarou nesta quinta-feira (2 de abril de 2026), em Campos do Jordão, que o tenente-coronel da Polícia Militar acusado do feminicídio de sua esposa deve ser severamente punido. O oficial, identificado como Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, está sob prisão preventiva suspeito de assassinar a tiros a também policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos. O caso exemplifica um problema de relevância nacional em torno do debate sobre a violência contra a mulher praticada por agentes de segurança pública.
De acordo com informações do UOL Notícias, o chefe do Executivo paulista defendeu abertamente a perda do posto e da patente militar do investigado, demonstrando indignação com o caso que abalou a corporação estadual e a sociedade.
Por que o tenente-coronel suspeito continua recebendo pagamentos?
A discussão em torno da situação financeira do oficial ganhou repercussão após a corporação confirmar a transferência dele para a reserva remunerada. O policial passou a receber vencimentos proporcionais ao tempo de serviço, mesmo estando detido preventivamente e respondendo a graves inquéritos de natureza criminal e administrativa.
Sobre essa questão, o governador argumentou que a manutenção da aposentadoria possui a finalidade principal de amparar financeiramente os familiares do militar, evitando que dependentes sejam prejudicados. Contudo, o político enfatizou a gravidade do ato investigado.
Nosso desejo é que ele seja condenado exemplarmente, porque o que ele cometeu foi um crime bárbaro.
Durante a agenda oficial no interior do estado, a autoridade foi ainda mais incisiva a respeito do futuro do acusado, declarando que ele deve “apodrecer pelo resto da vida na cadeia”.
Como as autoridades conduzem a punição administrativa do oficial?
A Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo esclareceu que o fato de o militar estar aposentado não interfere de forma alguma em sua futura responsabilização nas esferas penal e administrativa. O processo disciplinar interno avança e pode determinar demissões.
O andamento dessas medidas punitivas e burocráticas abrange diversos fatores:
- A instauração de um Conselho de Justificação, cujo documento inicial foi assinado pelo secretário estadual de Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves.
- A real possibilidade de expulsão dos quadros da Polícia Militar, o que cancelaria definitivamente a sua patente.
- A transferência do detento, que hoje permanece no Presídio Militar Romão Gomes, localizado na zona norte da capital paulista, para um presídio comum do sistema estadual, caso a expulsão seja concretizada.
- O repasse da responsabilidade do pagamento de proventos para a SPPrev, a autarquia encarregada pela previdência dos servidores estaduais paulistas.
Quais são as evidências da investigação sobre a morte de Gisele?
O assassinato ocorreu no dia 18 de fevereiro de 2026, no apartamento em que o casal vivia, no bairro do Brás, região central da capital paulista. Inicialmente, o suspeito acionou o socorro e relatou às autoridades que sua esposa havia cometido suicídio mediante um disparo de arma de fogo na própria cabeça.
Entretanto, a apuração técnica revelou um cenário divergente. Elementos colhidos pela perícia foram fundamentais para a decretação da prisão do tenente-coronel em março. A dinâmica das manchas de sangue no local e as marcas de agressão física no rosto da vítima, constatadas em exame complementar após a exumação do corpo, desconstruíram o depoimento original.
Os laudos periciais indicaram que a arma foi colocada intencionalmente na mão do cadáver para fraudar a cena. O suspeito também violou uma ordem expressa para não tomar banho logo após o fato, atitude que apagou potenciais vestígios biológicos imprescindíveis para a investigação.
Por parte da defesa do militar, os advogados afirmam que a prisão expedida pela Justiça Militar foi ilegal, sustentando que tal corte não tem competência para processar crimes comuns, como o feminicídio. O conflito de competência entre tribunais militares e o tribunal do júri civil é uma questão jurídica historicamente frequente no Brasil em processos envolvendo policiais. A equipe jurídica também contesta a suposta divulgação descontextualizada de dados da vida privada do cliente, alegando prejuízos à sua honra.


