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Tamires Carneiro destaca força das mulheres e do artesanato do sisal no Sertão

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Two Afro-Brazilian women in vibrant traditional clothing posing outdoors in Salvador, Brazil.
Two Afro-Brazilian women in vibrant traditional clothing posing outdoors in Salvador, Brazil. Foto: LEONARDO DOURADO — Pexels License (livre para uso)

Tamires Carneiro de Oliveira, presidente da Cooperativa Regional de Artesãs Fibras do Sertão (Cooperafis), relatou em entrevista publicada em 31 de março de 2026 como a atuação coletiva de mulheres do Semiárido da Bahia tem impulsionado o artesanato com sisal, ampliado a autonomia financeira das cooperadas e fortalecido a valorização da Caatinga. Natural de Valente, na Bahia, município do território do sisal no nordeste baiano, ela narra sua trajetória a partir das referências familiares e da experiência na cooperativa, onde assumiu a presidência após passar por diferentes funções.

De acordo com informações da Eco Nordeste, a entrevista integra o quinto episódio do especial Protetoras da Caatinga. No relato, Tamires associa sua história à de outras mulheres que encontraram no artesanato uma forma de organização, geração de renda e construção de melhores condições de vida. O caso dialoga com debates nacionais sobre cooperativismo, economia solidária e agregação de valor a matérias-primas regionais, tema recorrente em iniciativas de desenvolvimento local no país.

Como Tamires Carneiro se aproximou do artesanato e da Cooperafis?

Tamires afirma que o interesse pelo ofício surgiu ao observar a avó e a tia fazendo artesanato. Segundo ela, a organização dessas mulheres em um grupo que mais tarde daria origem à cooperativa despertou encantamento não apenas pelo trabalho manual, mas também pela possibilidade de comercializar juntas, participar de feiras e compartilhar experiências.

“Eu costumo dizer que vender artesanato não é só vender peças, é contar histórias.”

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Ao completar 18 anos, ela passou a trabalhar diretamente na Cooperafis. Na entrevista, explica que via na cooperativa uma oportunidade de contribuir para que as histórias das artesãs circulassem em outros espaços. Para Tamires, a comercialização do artesanato está vinculada à narrativa sobre quem produziu cada peça, de onde ela vem e como a cooperativa foi formada.

Qual foi a influência das mulheres da família em sua trajetória?

Tamires atribui à mãe, à avó e à tia parte central de sua formação. Ela diz ter recebido uma educação voltada para honestidade, trabalho e independência. Embora a mãe não fosse artesã, era líder comunitária e, segundo a entrevistada, atuava em defesa do bem-estar coletivo e da melhoria da comunidade.

“Por mais que minha mãe fosse uma mulher simples, ela não tinha medo de ir, de buscar ou discutir a melhoria da nossa comunidade”

Já a avó aparece no relato como referência no aprendizado do artesanato. Tamires afirma que, com ela, aprendeu o ofício e também valores ligados ao cuidado e ao afeto. A partir dessas vivências, resume que suas referências familiares ajudaram a moldar uma visão de força, empatia e responsabilidade coletiva.

Que aprendizados da Cooperafis podem inspirar outros coletivos de mulheres?

Ao falar sobre a experiência da Cooperafis, Tamires destaca o trabalho coletivo como base das conquistas da cooperativa. Segundo ela, as cooperadas compreenderam que atuar juntas, mesmo em meio a divergências, contribui para fortalecer e consolidar objetivos comuns.

A missão da cooperativa, de acordo com a presidente, é melhorar a qualidade de vida das mulheres artesãs por meio da produção e comercialização do artesanato. Na entrevista, ela afirma que essa experiência mostra como a união pode ampliar oportunidades e abrir novos caminhos para as cooperadas e suas famílias. No Brasil, modelos desse tipo costumam ser apontados como alternativa para ampliar renda, circulação de produtos e inserção de pequenos produtores e artesãs em mercados mais amplos.

  • produção e comercialização coletiva do artesanato;
  • participação em feiras e eventos;
  • troca de experiências com artesãs de outros lugares;
  • ampliação das possibilidades de renda e circulação.

Tamires também relata que a cooperativa proporcionou experiências inéditas para várias mulheres, como ganhar dinheiro com o próprio trabalho, viajar, conhecer outros estados, participar de feiras e apresentar suas histórias a novos públicos. Segundo ela, há cooperadas que chegaram a ganhar mais de um salário mínimo, embora ressalte que essa ainda não seja a realidade de todas.

Como ela chegou à presidência e vê o papel feminino no Semiárido?

Sobre sua trajetória de liderança, Tamires explica que primeiro precisou ser artesã, já que a Cooperafis funciona em regime de autogestão. Depois, atuou como voluntária no escritório, participou de espaços de diálogo sobre economia solidária, liderança e comercialização, e passou por diferentes cargos até assumir interinamente a presidência em 2018. Na entrevista, afirma estar em seu segundo mandato consecutivo.

Ao comentar o protagonismo feminino no Semiárido, ela destaca que as mulheres exercem papel importante não apenas no artesanato, mas também em grupos ligados à agricultura familiar. Na avaliação da presidente da Cooperafis, essas redes ajudam a movimentar a economia local e reforçam a importância da organização coletiva de mulheres na região. O sisal, fibra usada em diferentes cadeias produtivas e tradicional em áreas do Semiárido nordestino, também tem relevância econômica e cultural para além da Bahia.

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