Neste início de abril de 2026, o governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), está adiando a definição oficial do seu candidato para a sucessão do governo estadual enquanto aguarda os resultados de pesquisas eleitorais quantitativas e qualitativas. A disputa pelo comando do estado, que abriga a quinta maior economia do Brasil e possui peso estratégico nas alianças políticas nacionais para a corrida presidencial, exige a escolha de um nome viável para o eleitorado paranaense. A estratégia política ocorre em paralelo aos esforços para manter unida a base aliada na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep).
De acordo com informações do UOL Notícias, o líder do Executivo paranaense promoveu nas semanas anteriores um encontro estratégico com deputados estaduais na capital, Curitiba, para alinhar expectativas políticas e apaziguar os ânimos de sua base.
Mesmo com a indefinição governamental, o deputado estadual Alexandre Curi mantém sua pré-candidatura firme. Ele declarou aos seus pares que não pretende recuar da disputa majoritária, independentemente da escolha final do atual chefe do Executivo, com quem mantém uma relação de amizade e parceria política duradoura.
Como está o cenário de articulações políticas estaduais?
Nos bastidores da sucessão paranaense, outras lideranças começam a demarcar território visando o pleito vindouro. O deputado estadual Luiz Claudio Romanelli declarou apoio público à candidatura do ex-secretário de Cidades, Guto Silva. Essa movimentação conta também com o aval direto dos parlamentares Márcio Nunes e Sandro Alex.
Paralelamente, lideranças do Partido Liberal (PL) buscaram a cúpula do partido Republicanos para tentar costurar uma composição política que favorecesse o senador Sérgio Moro (União Brasil-PR). No entanto, a tentativa de aliança foi sumariamente rejeitada por Alexandre Curi e seus aliados. O ex-juiz, por sua vez, tem adotado uma postura defensiva ao lidar com a imprensa, mudando de assunto quando questionado sobre temas que o desagradam, uma tática que desenvolveu desde que assumiu sua cadeira no Senado Federal.
Quais são os principais embates na Câmara Municipal de Apucarana?
No âmbito do interior do estado, a cidade de Apucarana, importante polo econômico e industrial na região centro-norte paranaense, enfrenta uma fase conturbada em sua política local. Após romper laços com a base do prefeito Rodolfo Mota, o vereador Guilherme Livoti ameaçou formalizar uma denúncia no Ministério Público. A principal motivação do parlamentar seria a lentidão da prefeitura em responder a requerimentos oficiais e em implementar leis já aprovadas pela Casa, especialmente aquelas focadas em transparência administrativa e acesso à informação.
A gestão da educação municipal também se tornou alvo de críticas contundentes durante as sessões legislativas apucaranenses. Os parlamentares levantaram três pontos principais de insatisfação por parte da comunidade escolar:
- A entrega de kits de uniformes escolares incompletos para os alunos da rede pública de ensino;
- A suposta influência política de deputados estaduais nas decisões estratégicas da pasta municipal;
- A ausência prolongada de aparelhos de ar-condicionado nas escolas, equipamentos que haviam sido prometidos anteriormente pela gestão.
Apesar do racha provocado pela dissidência de Livoti, o chefe do Executivo municipal ainda sustenta a maioria numérica no Legislativo local. O prefeito conta com o apoio incondicional de seis parlamentares para garantir a aprovação de seus projetos estruturais.
Por que o orçamento municipal e a escala 6×1 dominam os debates?
O cenário financeiro de Apucarana gerou embates acalorados após a apresentação de dados referentes ao último quadrimestre de 2025. O balanço contábil apontou uma sobra de R$ 36 milhões em recursos livres nos cofres públicos. Cobrando mais investimentos diretos em áreas sociais, o vereador Lucas Leugi declarou no plenário:
Prefeitura não é banco e não visa lucro. Função do dinheiro público é chegar em quem dele mais necessita.
Em contrapartida, parlamentares da base aliada defenderam arduamente o trabalho do Executivo. O vereador Tiago Cordeiro ressaltou o esforço da atual administração em sanear as contas públicas e argumentou em defesa do mandato municipal:
Não se pode esperar que o prefeito resolva todos os problemas de uma vez, até porque pegou uma Prefeitura desorganizada e com muitas questões pendentes, sem falar em dívidas com o INSS e outras tantas.
Expandindo as discussões legislativas para pautas de impacto nacional, os parlamentares locais demonstraram preocupação com o andamento na Câmara dos Deputados da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa encerrar a escala de trabalho de seis dias laborais para um de descanso. O projeto em Brasília, que ganhou forte apelo popular e sindical em todo o país, sugere a redução imediata da jornada corporativa de 44 para 40 horas semanais.
Um estudo recente elaborado pelo Instituto Esfera alertou que a mudança drástica pode trazer impactos severos e imediatos para a economia nacional. Segundo o levantamento especializado, a alteração estrutural afetaria de forma devastadora as pequenas empresas, que atualmente são responsáveis por absorver cerca de 52% da massa trabalhadora formal em todo o Brasil. Os pesquisadores apontam que as prováveis consequências da adoção forçada da escala reduzida incluem a elevação geral dos preços aos consumidores finais, a escalada contínua da inflação nacional e o risco real de demissões em massa nos setores operacionais.


