A Starlink, empresa de internet via satélite da SpaceX, apresentou detalhes significativos sobre seu serviço Direct-to-Cell durante o Mobile World Congress (MWC) 2026, em Barcelona. A tecnologia, agora denominada Starlink Mobile, visa fornecer conectividade direta a smartphones comuns através de uma constelação de satélites. A apresentação ocorreu na Keynote 2, intitulada “Transforming Tomorrow’s Connected World”.
Gwynne Shotwell, presidente da SpaceX, e Michael Nicolls, vice-presidente de engenharia da Starlink, lideraram a sessão, detalhando o progresso e os planos futuros da constelação de satélites projetada para se comunicar diretamente com dispositivos móveis sem a necessidade de hardware especial ou antenas externas.
O serviço Direct-to-Cell da Starlink iniciou suas operações em 2024, focando inicialmente em mensagens de texto. A infraestrutura usa satélites de órbita baixa equipados com cargas úteis específicas para se comunicar diretamente com telefones, permitindo acesso a mensagens e serviços básicos em áreas sem cobertura terrestre convencional.
Atualmente, a Starlink Mobile já se posiciona como a maior provedora 4G do mundo em termos de cobertura geográfica, segundo Nicolls. O serviço via satélite para celulares é utilizado por 35 operadoras em cinco continentes. O Brasil não foi citado especificamente durante o painel.
A empresa apresentou a segunda geração de satélites, a V2, que expandirá a capacidade da rede para suportar não apenas SMS, mas também transmissão de dados, chamadas de voz e, futuramente, vídeo. Os satélites V2 terão maior potência e capacidade de throughput, com taxas de transmissão superiores a 100 gigabits por segundo em download e 50 gigabits por segundo em upload, de acordo com Nicolls.
A Starlink visa oferecer uma experiência de conectividade complementar às redes móveis tradicionais, especialmente em áreas remotas ou com baixa densidade de torres. A empresa reforça a integração entre redes terrestres e sistemas não terrestres (NTN) como um caminho para ampliar a cobertura global, apoiar aplicações críticas e garantir conectividade contínua.
A convergência entre satélites de órbita baixa e redes móveis foi apresentada como fundamental para o futuro do 5G e do 6G. A segunda geração de satélites promete um desempenho de link 20 vezes superior à primeira, impulsionado por antenas maiores e maior largura de banda por feixe.
A expectativa é que o MWC 2026 continue a revelar detalhes técnicos adicionais sobre os cronogramas de lançamento dos satélites V2, capacidade de rede e acordos com operadoras interessadas na integração do serviço Direct-to-Cell.
A Starlink está investindo pesado na expansão de sua infraestrutura para oferecer conectividade global, e o Direct-to-Cell é um passo crucial nessa direção. A tecnologia tem o potencial de transformar a forma como as pessoas se conectam em áreas remotas e de difícil acesso, preenchendo lacunas na cobertura das redes terrestres.
