A Sogem pode obter recursos de investidores nacionais e internacionais para financiar a disputa judicial que trava contra a Totvs, em um processo que, segundo cálculo da autora, alcança R$ 500 milhões. A informação foi publicada em 10 de abril de 2026, em São Paulo. De acordo com informações do UOL Notícias, o modelo está sendo estruturado pelo escritório de perícias EvidJuri, que apresenta o litígio como oportunidade de investimento. A disputa tem origem na relação comercial entre as empresas após a compra da RM Sistemas pela Totvs e se arrasta há 17 anos.
Segundo a publicação, a Sogem era representante da RM Sistemas em Campinas e pede indenização por rescisão contratual e pela absorção de receitas de clientes da Totvs na região. A alegação da empresa é que a multinacional bloqueou repasses de vendas, alterou unilateralmente o modelo de negócios e centralizou a carteira de clientes, o que teria provocado estrangulamento financeiro da representante.
Como está sendo estruturado o financiamento da disputa?
De acordo com Sthefano Cruvinel, CEO da EvidJuri, o escritório foi procurado por investidores interessados no modelo de financiamento de litígios. Os aportes mínimos previstos começam em US$ 5 milhões, valor equivalente a R$ 25 milhões na cotação mencionada no texto original.
“Não estamos procurando ninguém. Nós que fomos procurados e os investidores estão interessados por causa da taxa Selic no Brasil. O mercado está vindo atrás disso aqui no Brasil porque fora do país [este modelo de financiamento] é extremamente comum”
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Ainda segundo Cruvinel, haveria interesse de sete fundos nacionais e de outros três internacionais. Com a EvidJuri, a Sogem estrutura três modalidades de entrada para investidores:
- crédito por equity, com possibilidade de aquisição de até 40% do ativo;
- crédito preferencial;
- retorno fixo de 15% ao ano, com participação proporcional em eventual ganho adicional obtido ao fim do processo.
Qual é a origem do processo entre Sogem e Totvs?
O processo teve início em 2009 e decorre da compra da RM Sistemas pela Totvs, operação realizada em 2007 por R$ 206 milhões. O valor inicial da ação era de R$ 69 milhões, mas, de acordo com o cálculo apresentado pela Sogem, chegou a R$ 500 milhões em razão da incidência de juros, correção monetária e encargos.
A controvérsia gira em torno da relação comercial mantida após essa aquisição. A Sogem sustenta que a mudança no modelo de operação e a retenção de receitas afetaram diretamente sua atividade em Campinas e municípios da região. Até o momento, conforme a reportagem, não há sentença em primeira instância.
O que diz a Totvs sobre o valor e o andamento da ação?
Em comunicado enviado à B3, a Totvs afirmou que o valor mencionado pela autora se baseia em premissas unilaterais e que inclui pedidos de danos morais que, segundo a companhia, estariam desconectados da realidade e de processos semelhantes em tramitação no Judiciário.
A empresa também declarou que a EvidJuri não integra o processo judicial e atua apenas como prestadora de serviços contratada pela Sogem. Segundo a multinacional, as opiniões do escritório não têm vinculação com o mérito da ação. A Totvs afirmou ainda considerar remoto o risco para quase a totalidade dos pedidos formulados pela parte autora.
“Suas opiniões não possuem qualquer vinculação quanto ao mérito do processo.”
Cruvinel também afirmou que a demora no caso decorre da resistência da Totvs em realizar perícia para estabelecer quesitos indenizatórios. Segundo o texto, em 9 de fevereiro, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou o prosseguimento da perícia. A Totvs, descrita na reportagem como presente em 41 países, encerrou 2024 com receita líquida de R$ 5,4 bilhões.