Shin Hyun-song foi nomeado em 23 de março de 2026 para chefiar o Banco da Coreia, em meio a pressões sobre a economia da Coreia do Sul provocadas pelo crescimento doméstico irregular e pela guerra com o Irã. Escolhido pelo presidente Lee Jae Myung para substituir Rhee Chang-yong ao fim do mandato, em 20 de abril, o economista afirmou que pretende adotar uma abordagem “equilibrada” de política monetária, considerando inflação, crescimento e estabilidade financeira. De acordo com informações do Valor Econômico, a indicação ocorre em um momento de maior volatilidade nos mercados financeiros e cambiais. Para o Brasil, movimentos na economia sul-coreana e em outros mercados asiáticos são acompanhados por investidores porque podem afetar o apetite global por risco, o câmbio e os preços internacionais de commodities.
Atualmente, Shin atua como chefe do departamento econômico do Banco de Compensações Internacionais, o BIS. Em comunicado divulgado pelo Banco da Coreia, ele disse que a recente piora da incerteza econômica está ligada às rápidas mudanças na situação do Oriente Médio, fator que elevou a volatilidade dos mercados e ampliou as dúvidas sobre as perspectivas da economia. O Banco da Coreia é a autoridade monetária do país, responsável pela definição da taxa básica de juros sul-coreana.
Quais desafios Shin Hyun-song encontrará ao assumir o Banco da Coreia?
O novo presidente do banco central assumirá o cargo em um cenário delicado para os formuladores de política econômica. O desafio central, segundo o texto original, é equilibrar o apoio ao crescimento com a contenção dos riscos à estabilidade financeira, em especial diante do aumento do endividamento das famílias e dos efeitos da guerra com o Irã.
Embora setores de alta tecnologia, como a indústria de semicondutores, estejam em expansão, a recuperação econômica sul-coreana é descrita como desigual. Segmentos tradicionais, entre eles siderurgia e petroquímica, enfrentam dificuldades em razão da demanda externa fraca. Esse quadro reforça a complexidade da condução da política monetária no país. A Coreia do Sul tem peso relevante nas cadeias globais de tecnologia e manufatura, de modo que oscilações em sua atividade econômica podem repercutir no comércio internacional e no humor dos mercados emergentes, inclusive o brasileiro.
- Inflação e crescimento desigual aparecem como desafios imediatos;
- O aumento do endividamento das famílias é apontado como risco à estabilidade financeira;
- A guerra com o Irã ampliou a incerteza econômica e a volatilidade dos mercados;
- Setores tradicionais da economia seguem pressionados pela fraca demanda externa.
O que Shin disse sobre juros, choques de oferta e conflito no Oriente Médio?
Em um relatório citado no texto, Shin afirmou que, diante de um choque de oferta temporário, a reação clássica seria não responder com política monetária. Segundo ele, a extensão e a duração do conflito, assim como o tempo de permanência da alta do petróleo, serão determinantes para avaliar seus efeitos econômicos.
“Se for um choque de oferta, e certamente se for temporário, esses são os exemplos clássicos em que se deve ignorar a situação e não reagir com política monetária.”
“Tudo depende de quanto tempo o conflito durar e por quanto tempo a alta do preço do petróleo se manterá.”
Em fevereiro, o Banco da Coreia manteve a taxa básica de juros em 2,50% e sinalizou que, provavelmente, deixará os juros estáveis ao menos até agosto de 2026. A futura gestão de Shin será acompanhada de perto justamente por causa desse ambiente de cautela e das pressões simultâneas sobre preços, atividade e mercado financeiro. Em um cenário de aversão a risco e de oscilação do petróleo, decisões de grandes bancos centrais e de autoridades monetárias relevantes na Ásia também entram no radar de agentes econômicos no Brasil.
Qual é o histórico do economista indicado para o cargo?
Shin, de 66 anos, é conhecido por seus alertas recorrentes sobre os riscos do endividamento excessivo. Muitas de suas declarações anteriores, segundo o artigo, tratam da necessidade de esforços de política econômica para reduzir a dívida das famílias e conter os preços elevados dos imóveis em Seul. Essa trajetória faz com que parte dos economistas o veja como mais inclinado a uma postura dura na política monetária.
O texto também destaca que ele ganhou notoriedade por ter antecipado vulnerabilidades que contribuiriam para a crise financeira global de 2008. Em agosto de 2005, ao lado do economista indiano Raghuram Rajan, Shin apresentou alertas em uma conferência do Federal Reserve dos Estados Unidos, usando a Ponte do Milênio de Londres como metáfora para riscos sistêmicos.
Ex-professor da Universidade de Princeton, Shin mantém laços com integrantes do Banco da Coreia, inclusive com Rhee Chang-yong, e participou regularmente de simpósios da instituição. Antes de assumir o posto, ele ainda passará por audiência de confirmação na Assembleia Nacional, embora os parlamentares não tenham poder de veto sobre a nomeação. O mandato do presidente do Banco da Coreia é de quatro anos, com possibilidade de uma única recondução.



