A Cidade Antiga de Jerusalém amanheceu com ruas esvaziadas de fiéis nesta Sexta-Feira Santa (3 de abril), refletindo o impacto das tensões e conflitos contínuos no Oriente Médio. O esvaziamento afeta diretamente o turismo religioso internacional, setor que anualmente leva milhares de brasileiros em peregrinação à Terra Santa. As tradicionais celebrações católicas foram marcadas por um intenso esquema de segurança e por restrições de mobilidade na região urbana histórica.
De acordo com informações do UOL Notícias, o cenário de tensão alterou a dinâmica religiosa local de forma significativa nas vésperas do encerramento da Semana Santa.
Autoridades religiosas enfrentam bloqueios
Durante as primeiras horas da manhã, o cardeal Pierbattista Pizzaballa, atual Patriarca Latino de Jerusalém, teve sua entrada barrada na Igreja do Santo Sepulcro pelas forças de segurança de Israel. O acesso da alta autoridade religiosa só foi permitido após a intervenção direta do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu. O chefe de governo utilizou suas redes sociais oficiais para confirmar a liberação da passagem para os líderes clericais.
A Igreja do Santo Sepulcro está localizada em um setor delimitado pelas antigas muralhas de Jerusalém. O espaço histórico e urbano é secularmente dividido em quatro seções principais, baseadas em confissões religiosas específicas. A basílica abriga locais sagrados onde, segundo a tradição do cristianismo, Jesus teria sido crucificado e sepultado após a sua condenação.
Posicionamento do Vaticano diante do conflito
Enquanto a grave crise humanitária e bélica se desenrola no Oriente Médio, o papa Francisco conduz as celebrações de Páscoa no Vaticano. O momento global exige cautela diplomática extrema por parte da liderança católica. O líder máximo da Igreja tem adotado uma postura de apelo constante à paz, evitando tomar lados políticos, mas condenando firmemente a violência que atinge civis na região.
Para tentar amenizar a escalada de violência, o papa já realizou ligações telefônicas para líderes regionais, como o presidente de Israel, Isaac Herzog. Durante a conversa, confirmada pelas autoridades do Vaticano, o pontífice pediu que o líder israelense “reabra todos os caminhos de diálogo” para colocar um fim aos ataques. No último domingo de Ramos, o líder católico lamentou publicamente o fato de que os cristãos locais sofrem as consequências cruéis do conflito e não conseguem vivenciar os ritos dos dias santos em paz.
Consequências diretas para a comunidade cristã local
As hostilidades militares geram repercussões severas que se estendem desde a área antiga de Jerusalém até as cidades do sul do Líbano. Nessas zonas sensíveis de fronteira, diversas comunidades cristãs encontram-se presas na linha de fogo dos bombardeios cruzados. A guerra ofusca o período pascal e acelera vertiginosamente a diminuição da presença cristã na região. O representante da organização L’Oeuvre d’Orient, monsenhor Hugues de Woillemont, sintetizou o sentimento de pânico local ao relatar à imprensa que “muitos têm medo de sair e não conseguir voltar para casa, diante da intenção declarada de Israel de ocupar a região”.
Programação da Semana Santa em Roma
Na capital italiana, a programação litúrgica conduzida pelo papa Francisco atrai fiéis do mundo todo. A agenda oficial da Semana Santa conta com as seguintes cerimônias tradicionais:
- O rito do lava-pés, frequentemente realizado pelo pontífice com detentos em prisões ou moradores de centros de acolhimento;
- A presidência solene da missa da Paixão na Sexta-Feira Santa;
- A tradicional Via-Sacra nas imediações do Coliseu de Roma;
- A consagração do Sábado Santo por meio da Vigília Pascal na Basílica de São Pedro.



