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Nestlé e OIT lançam projeto de direitos humanos para o setor de café no Brasil

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A worker processes coffee beans in a rustic setting in Espírito Santo do Pinhal, SP, Brazil.
A worker processes coffee beans in a rustic setting in Espírito Santo do Pinhal, SP, Brazil. Foto: Elizabeth Ferreira — Pexels License (livre para uso)

A multinacional de alimentos e bebidas Nestlé e a Organização Internacional do Trabalho (OIT) anunciaram, nesta quarta-feira (1º), uma nova parceria estratégica com duração estipulada de dois anos. O foco principal da iniciativa é promover e proteger os direitos humanos e trabalhistas nas cadeias de suprimentos de café em países chave como o Brasil — atual maior produtor e exportador mundial do grão —, além de Colômbia e México. De acordo com informações do ESG Today, o projeto busca identificar e mitigar os riscos operacionais nas relações de trabalho do setor agrícola.

A produção cafeeira representa uma das atividades agrícolas mais importantes do mundo em termos de volume comercializado e impacto socioeconômico. Segundo os dados divulgados durante o anúncio, aproximadamente 125 milhões de pessoas dependem diretamente do cultivo do grão para garantir o seu sustento diário nas áreas rurais. Contudo, as estatísticas revelam uma realidade de extrema vulnerabilidade no campo: cerca de 80% das famílias que se dedicam ao plantio e à colheita vivem na linha da pobreza ou abaixo dela, evidenciando a urgência de intervenções estruturais imediatas na cadeia produtiva global. No contexto do agronegócio brasileiro, a adequação a essas diretrizes é considerada estratégica para manter a competitividade e o acesso a mercados internacionais exigentes, como a União Europeia, que vêm implementando rigorosas leis de devida diligência socioambiental.

Quais são os objetivos da parceria no setor cafeeiro?

O novo projeto voltado aos direitos humanos recebe o aporte e o apoio direto do Nescafé Plan, o programa global de sustentabilidade direcionado para a principal marca de café da empresa de origem suíça. O programa original foi estabelecido no ano de 2010 e passou por uma atualização metodológica profunda em 2022, sendo rebatizado como Nescafé Plan 2030. Esta nova versão do planejamento de governança corporativa incluiu um compromisso financeiro superior a US$ 1 bilhão para fomentar a sustentabilidade estrutural na agricultura do café e auxiliar os produtores rurais na transição ativa para práticas de agricultura regenerativa.

Sob as diretrizes da nova iniciativa colaborativa, a agência especializada irá atuar como a principal facilitadora do diálogo social. Este complexo processo envolverá conversas articuladas entre os governos locais, as organizações representativas de empregadores rurais e os sindicatos de trabalhadores do campo. A finalidade desta articulação institucional será estruturada nos seguintes pilares fundamentais:

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  • Mapear as principais causas dos déficits de trabalho decente nas regiões produtoras estipuladas.
  • Identificar e mitigar riscos ocupacionais diretamente ligados às cadeias de suprimentos de café.
  • Implementar intervenções locais em cada país para assegurar práticas de recrutamento ético e justo.
  • Fomentar o intercâmbio global de dados sociodemográficos e de conhecimentos operacionais em todo o setor.

As percepções mercadológicas obtidas por meio deste engajamento multissetorial servirão de base metodológica para a formulação de intervenções direcionadas. A chefe de Sustentabilidade para Café da companhia, Antje Shaw, comentou sobre a relevância humanitária do acordo assinado.

“Nossa parceria com a OIT representa um passo significativo em direção ao avanço e à promoção dos direitos humanos nas cadeias de suprimentos de café. Trabalhando juntos, podemos acelerar o progresso na construção de cadeias de valor de café mais resilientes e inclusivas, onde os trabalhadores sejam tratados com dignidade.”

Como o projeto afeta as políticas globais de trabalho?

A aliança recém-anunciada também servirá para fortalecer e capilarizar os programas já existentes de proteção laboral em escala internacional. Conforme as informações fornecidas pela entidade do trabalho, o projeto irá contribuir diretamente para o escopo da Iniciativa de Recrutamento Justo, um mecanismo estabelecido que incentiva a adoção de princípios éticos rigorosos de contratação em todas as jurisdições do planeta. Além disso, a parceria institucional vai apoiar o Programa Principal de Segurança e Saúde para Todos, com um destaque técnico especial para o Fundo Visão Zero, que tem como foco primário o avanço de condições de trabalho intrinsecamente seguras e saudáveis nas complexas cadeias de abastecimento globais.

A persistência histórica de condições laborais precárias, especialmente entre as populações rurais mais vulneráveis e isoladas, continua sendo um desafio reputacional e humanitário crítico para a indústria alimentícia internacional. Dan Rees, atual diretor do Programa de Ação Prioritária sobre Trabalho Decente nas Cadeias de Suprimentos da entidade, destacou a enorme importância de integrar, na prática, as estratégias corporativas e as salvaguardas de direitos civis.

“A produção de café sustenta os meios de subsistência de aproximadamente 20 a 25 milhões de famílias em todo o mundo, gerando renda e emprego vitais. No entanto, os déficits de trabalho decente nas cadeias de suprimentos de café persistem, particularmente entre os trabalhadores sazonais e migrantes. Por meio deste projeto, pretendemos promover os direitos trabalhistas, promover o trabalho decente e contribuir para cadeias de suprimentos mais sustentáveis.”

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