O Sesc Itaquera, unidade situada na Zona Leste de São Paulo, promove em março de 2026 a celebração dos dez anos da Mostra Agroecológica. A iniciativa coloca em evidência a produção agrícola desenvolvida nas franjas da metrópole e destaca, sobretudo, a liderança das mulheres nesse processo de transformação social e ambiental.
De acordo com informações do CicloVivo, o evento busca consolidar uma década de esforços voltados para a conscientização alimentar e a preservação de técnicas de cultivo que respeitam os ciclos da natureza. A programação especial reforça a importância de práticas que unem o cuidado com a terra à justiça social nas periferias paulistanas.
Qual é o objetivo da Mostra Agroecológica no Sesc Itaquera?
A iniciativa visa conectar o público urbano com a realidade do campo que resiste dentro da cidade. Ao completar dez anos, a mostra se estabelece como um espaço de troca de saberes, onde técnicas de plantio sem uso de agrotóxicos e o manejo responsável do solo são compartilhados entre produtores, educadores e visitantes. O encontro funciona como uma vitrine para a viabilidade da agricultura em pequena escala dentro de grandes centros urbanos.
Além da comercialização de produtos frescos, o encontro serve como uma plataforma de educação ambiental e política. O Sesc, instituição privada mantida pelo empresariado do comércio de bens, serviços e turismo, utiliza sua infraestrutura para fomentar debates sobre a origem dos alimentos e o impacto do consumo consciente no ecossistema local. Durante o período festivo, a unidade transforma-se em um polo de convergência para agricultores familiares que encontram no espaço visibilidade para escoar suas produções e fortalecer suas redes de contato.
Como o protagonismo feminino impacta a agricultura nas periferias?
O destaque central desta edição é o papel das mulheres como agentes de mudança. Historicamente, as mulheres são associadas à guarda de sementes crioulas e à transmissão de conhecimentos sobre ervas medicinais e cultivos diversificados. Nas periferias de São Paulo, essa liderança assume um caráter de resistência comunitária e de busca por autonomia financeira em contextos muitas vezes adversos.
A produção agrícola liderada por mulheres nas bordas da capital contribui para fatores como:
- fortalecimento da economia solidária e geração de renda para as famílias;
- promoção da segurança alimentar em comunidades em situação de vulnerabilidade;
- recuperação de áreas degradadas por meio da implementação de sistemas agroflorestais;
- preservação de tradições culturais e memórias afetivas ligadas ao trabalho com a terra.
Essa atuação vai além do simples ato de plantar, envolvendo a organização de cooperativas e redes de apoio mútuo que sustentam a economia local. O evento no Sesc Itaquera reconhece a relevância do trabalho feminino para a consolidação da agroecologia urbana ao longo dessa década.
Quais são os benefícios da agroecologia para os centros urbanos?
A prática da agroecologia em grandes metrópoles atua como uma ferramenta no combate aos chamados desertos alimentares — locais onde o acesso a alimentos frescos é escasso. Ao incentivar que áreas subutilizadas se transformem em hortas comunitárias produtivas, esse tipo de iniciativa contribui para ampliar a cobertura vegetal e melhorar a permeabilidade do solo urbano.
Do ponto de vista social, a agricultura urbana estreita os laços entre moradores e promove a ocupação saudável dos espaços públicos. A mostra celebra justamente essa resiliência, ao indicar que é possível produzir alimentos saudáveis e acessíveis em meio ao concreto. A integração entre o Sesc Itaquera e os produtores locais reforça a premissa de que a cidade pode incorporar práticas de produção de alimentos com foco em saúde e respeito ao meio ambiente.



