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Serviço Florestal dos EUA enfrenta caos com reforma de Trump, diz sindicato

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O governo do presidente americano Donald Trump anunciou uma reestruturação drástica no Serviço Florestal dos Estados Unidos, que fechará escritórios regionais e transferirá a sede administrativa de Washington para Salt Lake City, no estado de Utah. A medida, anunciada no final do mês de março de 2026, gerou forte reação de líderes sindicais, que acusam a administração federal de forçar os trabalhadores a escolherem entre a mudança de cidade e a demissão, ameaçando o gerenciamento de milhões de hectares de terras públicas.

De acordo com informações do Guardian Environment, todas as sedes regionais da agência, responsável por gerenciar cerca de 78 milhões de hectares de áreas preservadas, serão definitivamente encerradas como parte do projeto de modernização do governo atual.

Por que a reestruturação é considerada ilegal?

Steve Lenkart, diretor executivo da Federação Nacional dos Funcionários Federais (NFFE), entidade que representa 20 mil trabalhadores do setor, afirmou que as manobras governamentais são ilícitas. Segundo os críticos, o projeto viola restrições orçamentárias específicas aprovadas pelos parlamentares.

As medidas de Trump são ilegais, porque esse tipo de atividade foi explicitamente proibido nas dotações do ano fiscal de 2026

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Os representantes sindicais apontam que o orçamento federal estipula que os fundos da agência não podem ser usados para reprogramações que realoquem escritórios e funcionários, nem para renomear ou reorganizar programas. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), órgão que supervisiona o serviço florestal, não quis se pronunciar sobre as alegações de ilegalidade.

Quais são as principais mudanças propostas para a agência?

A reforma promovida pela administração federal americana estabelece uma série de alterações profundas na estrutura operacional e científica da instituição de monitoramento ambiental. O plano estratégico inclui:

  • A transferência da sede principal de Washington para Salt Lake City.
  • A consolidação de 57 instalações de pesquisa científica em um único complexo no Colorado.
  • O fechamento permanente das sedes regionais espalhadas por todo o país.
  • A criação de 15 cargos de diretores estaduais preenchidos por nomeação política.

Randy Erwin, presidente nacional do sindicato ambiental, condenou a iniciativa, alertando que a população americana pagará o preço pela desorganização promovida.

Arrancar suas carreiras e explodir a estrutura dentro da qual trabalham não é uma reforma. É o caos

Como as mudanças afetam a preservação das florestas?

Steven Gutierrez, ex-bombeiro florestal e representante do sindicato, explicou que os servidores foram informados das alterações com menos de 30 minutos de antecedência em relação ao anúncio público. Ele destacou que transferir profissionais que atuam em áreas rurais isoladas para grandes centros urbanos prejudica diretamente a continuidade das pesquisas de campo.

A agência realiza estudos essenciais para a criação de equipamentos de segurança avançados, para o aprimoramento de produtos derivados da madeira e para a prevenção contínua contra incêndios. Todo esse escopo de conhecimento científico está sob risco se os especialistas altamente qualificados optarem por pedir demissão devido às transferências forçadas para instalações que ficam a até cinco horas de distância de suas casas atuais.

Qual é o histórico recente de cortes no setor ambiental?

Sob o comando da atual administração federal, a agência ambiental já enfrentou reduções drásticas em seu quadro técnico. Em fevereiro de 2026, houve uma tentativa formal de demitir 3,4 mil funcionários em período probatório, ação que acabou bloqueada por decisões da justiça americana. No fim, apenas algumas dezenas foram de fato desligadas por via administrativa.

Contudo, os reflexos do ambiente de instabilidade já são sentidos. Centenas de servidores experientes deixaram o órgão por meio de aposentadorias precoces ou planos de demissão voluntária. Isso resultou na perda de mais de um quarto da força de trabalho integral, incluindo o desligamento de cerca de 1,4 mil profissionais especializados no combate direto a incêndios florestais. Relatórios internos revelaram que a manutenção de trilhas ambientais despencou 22%, o nível mais baixo nos últimos 15 anos.

O que diz o governo sobre o novo modelo de gestão?

A secretária do USDA, Brooke Rollins, defendeu a reestruturação em nota oficial, argumentando que as alterações operacionais vão posicionar os líderes mais perto das paisagens administradas e das comunidades que dependem delas.

Um porta-voz do departamento afirmou que o objetivo principal é unificar as prioridades da pesquisa, acelerar a aplicação da ciência nas decisões de manejo e reduzir as redundâncias administrativas. O governo confirmou que todas as sedes regionais de fato fecharão, mas prometeu que algumas instalações menores serão mantidas para dar suporte às missões, embora o número total de realocações de servidores ainda seja desconhecido.

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