A **Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade do Pará** (Semas) participou, na última quinta-feira, 09 de abril de 2026, de um debate estratégico sobre o papel do biodiesel no desenvolvimento energético e industrial do estado. O encontro, realizado em **Belém**, foi promovido pela **Federação das Indústrias do Estado do Pará** (Fiepa) em parceria com a **Confederação Nacional da Indústria** (CNI). O objetivo central foi discutir a transição energética, a redução da dependência de combustíveis fósseis e o fortalecimento de cadeias produtivas pautadas pela sustentabilidade.
De acordo com informações da Agência Pará, o evento reuniu lideranças do poder público e do setor produtivo para alinhar as agendas ambiental e industrial. Em um cenário global que exige a descarbonização acelerada, os participantes abordaram diretrizes da **Lei Combustível do Futuro** e a implementação de mecanismos rigorosos de rastreabilidade, qualidade e integridade de mercado para garantir a competitividade da matriz energética paraense.
Qual o papel do biodiesel na transição energética brasileira?
Durante as discussões, o secretário-adjunto de Gestão e Regularidade Ambiental da Semas, **Rodolpho Zahluth Bastos**, enfatizou a necessidade de priorizar soluções que se conectem com a realidade produtiva do Brasil. Para o gestor, o biodiesel e o etanol representam pilares fundamentais de uma pauta genuinamente nacional de descarbonização, que merece maior destaque nos diálogos setoriais sobre a transformação do setor industrial.
“No processo de descarbonização, devemos apoiar também uma pauta genuinamente brasileira, que são os biocombustíveis. Tanto o biodiesel quanto o etanol poderiam ter tido mais destaque no diálogo setorial sobre descarbonização do setor industrial”
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A visão apresentada pela secretaria reforça que o aproveitamento dos recursos naturais para a produção de energia limpa é uma via essencial para que o estado atinja metas climáticas sem comprometer o crescimento econômico. A integração entre a preservação da biodiversidade e a inovação industrial foi apontada como o diferencial competitivo do Pará no mercado internacional de créditos de carbono e energias renováveis.
Como a regularização ambiental fortalece a cadeia do biodiesel?
Um dos pontos centrais abordados pela Semas foi a importância da regularidade ambiental dos imóveis rurais que fornecem insumos básicos, como a palma e o dendê, para as usinas de processamento. A regularização fundiária e ambiental é vista como um selo de garantia para os investidores e compradores internacionais, assegurando que o combustível produzido não possui vínculos com áreas de desmatamento ilegal.
Para viabilizar esse cenário, a Semas propõe a ampliação de mutirões temáticos voltados especificamente para o setor produtivo. A estratégia envolve a colaboração direta das empresas, que ofereceriam contrapartidas e assistência técnica aos agricultores familiares. Segundo Bastos, essa sinergia permite que o pequeno produtor receba o apoio necessário para se adequar às normas vigentes, enquanto a indústria consolida uma cadeia com rastreabilidade garantida.
- Realização de mutirões setoriais para regularização ambiental rural;
- Integração entre assistência técnica privada e fiscalização estadual;
- Garantia de rastreabilidade para o fornecimento de palma e dendê;
- Fortalecimento da agricultura familiar no ecossistema industrial.
Quais são as perspectivas para a indústria paraense?
O presidente da Fiepa, Alex Carvalho, destacou que o avanço da agenda de biocombustíveis posiciona o Pará de forma estratégica frente às instabilidades do mercado global de petróleo. A aposta no biodiesel não apenas promove a segurança energética, mas também fomenta a prosperidade social ao gerar empregos em diversas etapas da produção, desde o campo até as unidades industriais de alta tecnologia.
“O Pará começa a se inserir nessa potencialidade. Faço um reconhecimento a todo o time da Semas. É o poder público, o governo do Estado, sempre parceiro na indução do desenvolvimento industrial, desde que cumpra rigorosamente com as leis e com aquilo que para nós é muito caro e necessário: a conservação ambiental, a manutenção das nossas raízes, das nossas culturas”
Ao encerrar o debate, os representantes reafirmaram o compromisso com um modelo de desenvolvimento que alie competitividade industrial e responsabilidade socioambiental. A expectativa é que o Pará amplie sua participação na matriz energética brasileira, utilizando o biodiesel como vetor de inovação e proteção das florestas tropicais.