Selo de terrorista não resolve combate a cartéis na América Latina

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A classificação de grupos do narcotráfico como organizações terroristas, promovida pelos Estados Unidos, não resolve o combate ao crime organizado na América Latina, segundo pesquisadores de quatro países da região. A medida ganhou força com ações do governo Donald Trump e virou tema eleitoral no Brasil, onde o Planalto resiste à inclusão do Comando Vermelho e do PCC na lista por temer intervenções americanas em território nacional.

De acordo com informações do UOL Notícias, a discussão sobre a designação de grupos criminosos como terroristas ganhou força em 2025 e se tornou instrumento de pressão política tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil.

O que pesquisadores pensam sobre a classificação de grupos como terroristas?

Para analistas consultados, a estratégia de rotular cartéis e facções como organizações terroristas abre brechas para conflitos internacionais e não apresenta resultados concretos no enfrentamento ao crime. Steven Dudley, diretor da InSight Crime, afirma que a medida pode gerar mais problemas do que soluções.

Segundo o pesquisador, embora alguns grupos apresentem características semelhantes, é difícil classificá-los como terroristas. A designação permite interpretações amplas que podem justificar maior jurisdição americana para atuar na região. A InSight Crime é uma organização de pesquisa especializada em crime organizado e segurança nas Américas.

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Quais países adotaram a classificação de terroristas para criminosos?

Atualmente, 18 grupos na América Latina constam na lista americana de organizações terroristas, de acordo com relatório da InSight Crime. Entre eles estão o Cartel de Nova Geração de Jalisco e o Cartel de Sinaloa, do México, dissidentes das Farc, da Colômbia, Los Lobos e Los Choneros, do Equador, e o Tren de Aragua, originário da Venezuela.

Outros países seguiram o exemplo. El Salvador classificou o Barrio 18 e a Mara Salvatrucha como organizações terroristas. A Guatemala fez o mesmo. Em janeiro de 2024, o Equador apontou 22 grupos como terroristas. Argentina e Peru adotaram a medida em agosto de 2025 em relação ao Cartel de los Soles, supostamente ligado a autoridades venezuelanas. Em outubro de 2025, o presidente paraguaio Santiago Peña declarou o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas internacionais.

“Eles podem ter algumas características, mas acho muito difícil dizer que sejam terroristas. A designação abre as portas para conflitos internacionais devido às diferentes interpretações.”

A frase é de Steven Dudley, um dos diretores da InSight Crime.

Por que o Brasil resiste à classificação do CV e PCC como terroristas?

O governo brasileiro avalia que a designação abriria brecha legal para intervenções dos Estados Unidos em território nacional. O Planalto tem trabalhado diplomaticamente para evitar o anúncio por parte do governo americano. A preocupação ganhou peso eleitoral no Brasil, com a oposição defendendo a medida e o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) resistindo.

Pesquisadores como Juan Martens, do Paraguai, criticam a tendência de reduzir salvaguardas do direito penal para facilitar a persecução. Para ele, a estratégia já se mostrou ineficaz, como na guerra contra as drogas no México durante o governo Felipe Calderón.

A classificação reduziu a violência no Equador?

Fernando Carrión, professor equatoriano, afirma que os números não justificam a mudança de política. Quando o presidente Daniel Noboa assumiu, a taxa de homicídios era de 44 por 100 mil habitantes. Após declarar guerra ao crime organizado, o índice caiu para 31 por 100 mil habitantes quase um ano depois. No entanto, o pesquisador atribui a queda inicial ao efeito surpresa da primeira política desse tipo no país.

Outros especialistas, como Luis Carlos Córdova-Alarcón, da Universidade Central do Equador, veem a classificação como forma de criar um adversário para justificar operações antiterroristas, especialmente quando promovida pelos Estados Unidos.

Carolina Sampó, pesquisadora argentina, liga a decisão americana à capacidade de usar força na região, citando a operação para remover Nicolás Maduro do poder na Venezuela em janeiro de 2026. Segundo ela, a classificação do Cartel de los Soles foi usada para justificar a intervenção, que a pesquisadora considera violação de soberania.

Os especialistas concordam que os grupos continuam cometendo crimes como tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, extorsão, roubos e homicídios, independentemente da classificação. A medida, segundo eles, não altera a natureza fundamental das organizações criminosas nem oferece ferramentas mais eficazes para combatê-las.

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