O presidente da Federação Italiana de Futebol (FIGC), Gabriele Gravina, oficializou a sua renúncia ao cargo nesta quinta-feira (2 de abril). A decisão ocorreu em Roma, logo após a eliminação da seleção nacional na repescagem europeia, o que deixou o país de fora da Copa do Mundo pela terceira vez consecutiva.
De acordo com informações da Folha de S.Paulo, a tetracampeã mundial perdeu a vaga no torneio que será sedeado na América do Norte ao ser superada nos pênaltis pela Bósnia e Herzegovina. O placar registrou quatro a um nas cobranças, após um empate por um a um no tempo regulamentar em Zenica.
Como ocorreu a saída de Gabriele Gravina da federação?
Em nota oficial divulgada pela entidade, foi confirmado que o dirigente informou aos membros do conselho sobre a devolução do mandato que havia assumido. Para organizar a transição de poder, foi agendada uma assembleia extraordinária para o dia 22 de junho, na capital italiana.
A pressão sobre o executivo de 72 anos aumentou consideravelmente após o revés decisivo na terça-feira (31 de março). Na tentativa de se antecipar a um possível processo de demissão, ele havia convocado uma reunião de emergência com o objetivo de analisar o balanço da sua gestão, que estava em vigor desde o ano de 2018.
Quais outros nomes deixaram a equipe da Itália?
A crise institucional desencadeada pelo fracasso nas eliminatórias provocou um efeito dominó nos bastidores. O ex-goleiro Gianluigi Buffon, que exercia a função de gerente-geral do esquadrão nacional, também entregou o cargo na sequência da queda do mandatário principal.
Além disso, a imprensa local aponta que a comissão técnica deve passar por uma reformulação total. O treinador Gennaro Gattuso, contratado para o ciclo atual e que chegou a pedir desculpas públicas pela desclassificação, é o principal cotado para ser o próximo a oficializar o seu desligamento.
Qual é o histórico recente da Seleção Italiana de Futebol?
O cenário esportivo do país europeu vive de extremos na última década. Sob a administração recém-encerrada, o time conquistou o título da Eurocopa no ano de 2021. No entanto, o desempenho continental despencou na sequência, resultando em uma eliminação precoce nas oitavas de final da edição de 2024.
O maior peso, contudo, recai sobre as ausências no principal torneio do planeta. A equipe tetracampeã não conseguiu garantir classificação para as edições da Rússia (2018), do Catar (2022) e, agora, para a competição que será dividida entre Estados Unidos, México e Canadá em 2026. Para o público brasileiro, a ausência da Itália representa a falta de uma das seleções mais tradicionais do torneio, lembrada pelas finais históricas disputadas contra o Brasil nas Copas de 1970 e 1994, ambas com vitória da Seleção Brasileira.
Quais são os próximos desafios do futebol no país?
O ministro dos Esportes italiano, Andrea Abodi, foi uma das vozes ativas no pedido de reestruturação profunda. Em suas declarações antes do anúncio oficial da renúncia, ele apontou o ex-presidente como o responsável pelo que classificou como o terceiro apocalipse esportivo.
O futebol italiano precisa ser refundado, e esse processo deve passar por uma renovação na diretoria da FIGC.
O futuro líder da federação terá uma lista extensa de prioridades em sua mesa de trabalho. Entre os desafios imediatos listados para a nova administração, destacam-se:
- A contratação de um novo técnico para o time principal, que será o quarto profissional a assumir a função desde a metade do ano de 2023.
- A aceleração das obras e do planejamento para a Eurocopa de 2032, evento que o país dividirá com a Turquia.
- A modernização da infraestrutura esportiva e das arenas de nível internacional.
Existe risco de a Itália perder a Eurocopa de 2032?
O alerta em relação à estrutura física do país foi emitido diretamente pela alta cúpula do futebol no continente. O presidente da União das Associações Europeias de Futebol, Aleksander Ceferin, manifestou insatisfação com o ritmo das atualizações estruturais nos locais de jogos.
Segundo relatos de bastidores, a entidade europeia cogita retirar os direitos de sede caso não ocorram melhorias substanciais. O mandatário europeu apontou que as instalações locais figuram entre as mais defasadas de todo o continente, adicionando urgência para a gestão de Giovanni Malagò, nome mais cotado para assumir o controle executivo nas próximas semanas.