
O São Paulo iniciou uma contagem de dez dias para protocolar na Fifa (Federação Internacional de Futebol) um pedido de rescisão unilateral de contrato com o zagueiro Arboleda. A decisão ocorre após o jogador equatoriano não se apresentar para a partida contra o Cruzeiro, realizada no último sábado (4), e permanecer sem dar qualquer justificativa oficial. De acordo com informações do ge, a agremiação planeja exigir o pagamento integral da multa rescisória estipulada em 100 milhões de euros, o que equivale a cerca de R$ 600 milhões.
A estratégia da diretoria é aplicar uma demissão por justa causa ao atleta. O entendimento jurídico interno aponta que qualquer equipe do exterior que contratar o defensor se tornará devedora solidária do montante. Caso o acerto ocorra com um time brasileiro, a multa exigida será referente ao mercado nacional, fixada em R$ 300 milhões. Esse valor recairia inicialmente sobre o zagueiro, mas poderia ser transferido ao novo clube que assinar com ele nos 30 meses subsequentes à rescisão.
Quais são os possíveis desfechos jurídicos para o caso Arboleda?
Especialistas em direito desportivo avaliam que o processo, por envolver um trabalhador estrangeiro, tramitará necessariamente na cúpula internacional de futebol. O advogado João Henrique Chiminazzo destaca que a cobrança depende estritamente das cláusulas originais:
“Ainda que exista essa previsão, se o São Paulo conseguir cobrar, deveria cobrar a multa para o mercado nacional.”
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Já o advogado André Oliveira cita mudanças recentes na jurisprudência da entidade máxima do esporte. Segundo ele, desde o chamado “caso Diarra” (referência ao ex-jogador francês Lassana Diarra, que motivou mudanças nas regras da Fifa sobre quebra de contrato), a solidariedade automática para a próxima agremiação não é garantida nas decisões dos tribunais esportivos.
“Para ele ser considerado solidariamente responsável, precisa ser provado que o clube induziu o atleta a quebrar o contrato. Se não houver prova, não há como responsabilizar.”
Oliveira acrescentou ainda que a condenação pode obrigar o atleta a pagar o residual do seu contrato atual. Além disso, eventuais gastos da instituição paulista para contratar um jogador de posição, perfil e salário parecidos para atuar como substituto direto podem ser incluídos no cálculo de compensação por danos materiais de forma legal.
Onde o zagueiro equatoriano foi visto durante o desaparecimento?
Enquanto o elenco se preparava para seus compromissos oficiais, a imprensa do Equador relatou que o desportista foi visto em Guayaquil. Imagens divulgadas em redes sociais mostram o defensor no estádio Cristian Benítez, acompanhando o confronto entre Atlético FC e a equipe 22 de Julho, válido pela segunda divisão do campeonato equatoriano. O flagrante ocorreu exatamente um dia após a estreia da equipe paulista na Copa Sul-Americana.
A diretoria tratou a atitude com extrema severidade. Rui Costa, executivo de futebol do clube, enviou um comunicado oficial classificando a ausência prolongada e sem contato como algo imperdoável no ambiente de trabalho:
“Não existe nenhuma justificativa para este ato. É uma falta de respeito com o grupo, com a direção e com a torcida do São Paulo.”
Qual é o histórico de indisciplina do jogador no clube paulista?
A decisão de buscar o rompimento do vínculo reflete uma mudança drástica de postura do comando técnico, que anteriormente conseguia restabelecer comunicação em casos de ausências em treinos. O cenário atual atingiu o limite de tolerância porque houve o descumprimento de uma convocação formal para um confronto do campeonato. Apenas no ano de 2026, o atleta acumulou os seguintes atrasos e faltas de assiduidade:
- Na pré-temporada, com reapresentação ocorrida dois dias após o prazo estabelecido.
- No período de carnaval, quando viajou ao seu país natal alegando problemas pessoais e acabou perdendo três jogos.
- Um hiato de ausência entre os dias 24 e 27 de março, após um período regular de folga, o que resultou na perda da titularidade.
- A ausência injustificada e sem respostas no último sábado (4), que deflagrou o processo de rompimento da relação trabalhista.
O jogador foi contratado no ano de 2017 e possui a trajetória mais extensa do atual plantel são-paulino, tendo renovado seu documento de trabalho em 2024 com validade teórica até o final de 2027. O departamento jurídico da agremiação enviou notificações formais exigindo esclarecimentos sobre o abandono das funções, aguardando apenas o esgotamento do prazo legal de advertência para concluir o desligamento de maneira unilateral nos tribunais desportivos.